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O Catecumenado baptismal fonte de inspiração da catequese
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A esperança e a alegria espelhadas no sorriso daqueles que na Vigília Pascal receberam os sacramentos da iniciação, não podem deixar de inspirar e motivar a Igreja de Lisboa na sua procura dum novo ardor e de novos caminhos para a iniciação cristã. A este propósito, importa recordar as palavras do Directório Geral da Catequese: Sendo a missão ad gentes o paradigma de toda a missão evangelizadora da Igreja, o Catecumenado baptismal, que lhe é inerente, é o modelo inspirador da sua acção catequética. (...) A catequese pós-baptismal, sem reproduzir mimeticamente a configuração do Catecumenato baptismal, e reconhecendo aos catequizandos a sua realidade de baptizados, deverá inspirar-se nesta «escola preparatória da vida cristã», deixando-se fecundar pelos principais elementos que a caracterizam (90-91).

De entre os vários elementos do catecumenado baptismal, que devem ser fonte de inspiração para a catequese (cf. DGC 91), gostaria de realçar três pela sua importância na renovação da catequese de iniciação cristã.

 

Em primeiro lugar o facto do catecumenado baptismal ser uma caminhada de conversão que tem como objectivo levar as pessoas à comunhão com Cristo e à inserção na vida e missão da Igreja. Uma caminhada que, respeitando o ritmo de cada pessoa ou grupo é um processo formativo gradual, com etapas definidas, marcado por ritos, símbolos e sinais, especialmente bíblicos e litúrgicos.

O catecumenado baptismal ensina-nos assim, que não podemos reduzir a catequese a um ensino doutrinal, que prepara os catequizandos para receber os sacramentos em datas previamente definidas - em que estes são muitas vezes encarados como um prémio de bom comportamento ou de assiduidade, e não como momentos de Graça estruturantes duma caminhada de conversão. A catequese de iniciação é um caminho de conversão, personalização e compromisso de fé, que gera cristãos adultos na fé, capazes de viver, celebrar e testemunhar o seu amor a Cristo à Igreja e aos Homens. Um processo formativo que tenha como único objectivo assegurar a recepção dos sacramentos ao maior número de pessoas possível e não formar cristãos comprometidos não é iniciação cristã. Se quisermos uma catequese de iniciação cristã verdadeira há que ter a coragem de fazer rupturas e de repensarmos o que somos e o que fazemos. A pergunta a que temos de responder é só uma: que Igreja queremos ser? O modelo de catequese de catequese que adoptarmos será fruto da resposta que assumirmos.

Por outro lado, as raízes bíblicas e litúrgicas do catecumenado baptismal, recordam-nos a importância da catequese bíblica e litúrgica no processo de iniciação cristã. É urgente recuperar a narrativa bíblica na catequese (ainda demasiado dependente da catequese antropológica) e voltar a colocar a Palavra de Deus no centro da acção catequética. Importa também recuperar a liturgia (especialmente a eucaristia) como a grande catequese da Igreja. Não nos podemos esquecer que a realidade para a qual tende toda a iniciação cristã é a Eucaristia. A catequese não pode confundir-se com um ensino de tipo escolar, uma mera transmissão de conteúdos, devendo proporcionar ao catequizando momentos celebrativos, de encontro e partilha da Palavra de Deus, capazes de o ajudarem a celebrar e a aprofundar a fé. Tal facto, obriga-nos não só a ter em conta na programação da catequese estes momentos, como também a repensar a forma como celebramos e o lugar e o papel da palavra de Deus na vida da Igreja. 

Um segundo elemento do catecumenado baptismal que é fonte de inspiração para a catequese é o seu carácter comunitário. Com efeito, o catecumenado é responsabilidade de toda a comunidade cristã, a qual deve ser a origem e a meta de toda a catequese. A iniciação cristã não deve ser apenas obra dos catequistas e dos sacerdotes, mas de toda a comunidade. A catequese é uma acção educativa realizada a partir da responsabilidade de cada membro da comunidade, num contexto ou clima comunitário rico de relações a fim de que os catequizandos se insiram activamente na vida da comunidade (cf. DGC 220).

Infelizmente, a catequese está ainda muito limitada à relação catequista-catequizando. Importa assim repensar, não só as experiências comunitárias que oferecemos aos nossos catequizandos, mas também os agentes, os espaços e os tempos da catequese. Uma caminhada catequética de iniciação cristã não pode limitar-se a um encontro semanal de 60 minutos entre um grupo e um catequista. Ao longo do percurso, o catequizando tem de experimentar, sentir o que é uma comunidade cristã. Para tal, deve confrontar-se com o testemunho daqueles que ajudam a edificá-la, através dum contacto assíduo com pessoas de diferentes gerações e responsabilidades eclesiais. Paralelamente, deve ser convidado a inserir-se na vida da comunidade, participando activamente nos momentos que a estruturam. A catequese não pode ser uma ilha, um sector à parte do todo comunitário, mas um elemento transversal e decisivo. 

Um terceiro elemento do catecumenado baptismal inspirador da catequese em geral e da catequese de iniciação em particular, é o seu modelo de catequista. O catequista de catecúmenos é, antes de mais, aquele que acompanha e guia um grupo de peregrinos em busca da vida em abundância. É alguém que está presente em todas as horas, nos momentos de alegria, de tristeza, de dúvida, de certeza, que caracterizam um percurso de iniciação cristã. É alguém que sabe esperar e ir à procura. Que não desiste porque ama. É uma testemunha de fé, que mais do que uma doutrina transmite uma experiência de encontro e comunhão com Cristo que ele próprio viveu. Só quem encontrou em Jesus Cristo a razão da sua vida pode ajudar alguém a encontrar-se com Ele.

A Igreja de Lisboa tem cerca de 8000 catequistas. Muitos deles são verdadeiros exemplos de fé, disponibilidade e amor à Igreja. Temos que cuidar melhor de tantos que, com espírito de serviço e grande esforço, se disponibilizam para uma tarefa que não é nada fácil. Precisam de ter mais apoio, acompanhamento e formação, pois só assim os poderemos ajudar a ser verdadeiras testemunhas da fé, prontos a assumir a missão que a Igreja lhes confia.

 Em pleno tempo Pascal, o sorriso dos neófitos é para toda a Igreja sinal de esperança e renovação. Este ano foram cerca de 200 que descobriram a alegria do encontro com o Senhor. A sua alegria é sinal de que, com o esforço de todos e a certeza da presença do ressuscitado, continuaremos a procurar os melhores caminhos para a renovação da iniciação cristã.

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