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Fórum Social Mundial: ideias para um mundo melhor
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O Fórum Social Mundial, que se realizou de 27 de Janeiro a 1 de Fevereiro, em Belém, no Brasil, discutiu a questão ambiental e a crise financeira mundial. O modelo económico actual chegou ao fim, daí a necessidade de alternativas.

As duas universidades da cidade de Belém, capital do estado do Pará bem no coração da Amazónia, foram palco deste mega evento, que acolheu milhares de participantes oriundos do Brasil e de outros países. A escolha desta cidade portuária para a realização do nono Fórum Social Mundial (FSM) reflecte a preocupação da sociedade civil, das igrejas e governos em relação à questão ambiental.

 

De facto, o primeiro dia do FSM foi inteiramente dedicado à floresta da Amazónia e aos seus povos indígenas. Defensores da causa amazónica denunciaram a devastação a que a maior floresta tropical do mundo está a ser sujeita por madeireiros e empresários agro-pecuários. Estes, movidos por interesses puramente económicos, não se importam das consequências que o corte desmedido de árvores e a monocultura da soja está a causar ao meio ambiente e aos habitantes locais.

 

Representantes das etnias indígenas chamaram a atenção do mundo inteiro para a situação precária em que estão a sobreviver. Dizem estar em perigo de extinção e queixam-se da falta de cuidados de saúde, educação e higiene. Querem, contudo, continuar a afirmar a sua existência e a preservar os seus valores

 

Devido à constante desflorestação, a Amazónia já perdeu 20% da sua selva, o que corresponde a mais de quatro vezes o território de Portugal.

 

Crise mundial

Durante os quatro dias do FSM, os cerca de 150 mil participantes representando organizações cívicas, movimentos sociais e grupos eclesiais expressaram as suas ideologias livremente. Partilharam as suas opiniões sobre os problemas da actualidade que mais afectam o mundo inteiro. O lema comum a presidir às mais variadas actividades e debates foi o de «um outro mundo é possível». Um ideal que os participantes e organizadores do FSM querem ver tornar-se realidade.

 

Para lá da questão ambiental, também esteve na agenda dos debates e discussões a crise económico-financeira mundial. Esta veio provar que, de facto, o actual sistema económico não é sustentável. A oportunidade surge neste momento histórico da humanidade de criar sistemas alternativos e mudar os estilos de vida dos cidadãos. Como alternativa ao actual sistema económico e financeiro, está a ganhar cada vez mais terreno o conceito de «economia solidária». Uma economia que é capaz de absorver mais mão-de-obra e valorizar muito mais o trabalhador.

 

Propostas

No final do FSM, os participantes comprometeram-se a fazer um apelo pela paz em Gaza, a pressionar o governo brasileiro para que proteja a Amazónia e mobilizar-se para as reuniões do G8 e G20 e a cimeira de Copenhaga sobre as mudanças climáticas. Decidiu-se realizar em 2010 um dia de acção global em diversas cidades do mundo e em 2011, a realização de um Fórum Social como o deste ano.

 

Balanço positivo

Num artigo publicado na revista italiana “Civilta Cattolica”, o jesuíta Pe. Giana Paolo Salvini espera que do FSM “surjam esperanças e manifestações concretas da vontade de colocar a pessoa humana no centro da economia.” O FSM, acrescenta Pe. Salvini, foi uma verdadeira “feira de ideias” que não deve ser ignorada e onde a “economia solidária” foi proposta como alternativa. Comentando a presença de cinco presidentes latino-americanos no FSM, o jesuíta escreveu que “esses presidentes parecem constituir para muitas pessoas uma esperança concreta, mesmo que algumas politicas e atitudes em relação à Igreja suscitem muitas perplexidades.”

 

Oded Grajew, membro do Conselho Internacional do Fórum Social fez um balanço positivo deste acontecimento. “O que nós queríamos muito e acho que conseguimos em parte é levantar a consciência sobre a questão ambiental. A crise financeira é prenúncio da crise ambiental, parte do mesmo processo, com uma competição sem limite, num modelo económico que privilegia o lucro sem qualquer regulação, ou participação da sociedade”, realçou.

Pe. Antonio Carlos Simões, comboniano
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