Ciclicamente o mundo é alertado para a existência de campos de concentração na China. Que os houve nos tempos da famigerada Revolução Cultural de Mao Tsé-tung, ninguém duvida, mas que ainda hoje haja lugares assim onde estão detidas pessoas apenas por causa do delito de opinião, isso já parece chocante, insuportável. Mas Harry Hu - um antigo prisioneiro destes gulags chineses, os famosos laogai, onde esteve quase duas décadas -, é peremptório a afirmá-lo. “Há laogai em todas as províncias da China.” E acrescenta pormenores: “dezenas deles estão nos arredores de Pequim, Xangai e Cantão”.
Milhões presos e mortos
Depois de ter estado detido durante 19 anos, Harry Wu nunca desistiu de gritar ao mundo a terrível situação que se vive na China. Mesmo agora, que se libertou das garras da prisão e até se naturalizou cidadão norte-americano, nada há de mais importante do que contar a sua experiência e a de tantos milhões que foram forçados a viver em condições degradantes, para serem “reeducados” segundo os ditames de Pequim. Desde 1949, segundo a Fundação que Harry Wu criou, “mais de 60 milhões de pessoas foram aprisionadas” e “muitos milhões morreram em consequência dos laogai”.
Pequim nega tudo
Hoje, em Washington, existe um museu onde é possível conhecer um pouco desta realidade terrível, mas é difícil convencer a opinião pública ocidental que a China continua, nos dias de hoje, a manter campos de concentração. O próprio regime de Pequim rejeita estas acusações. Mas, por isso mesmo, Wu regressou à China, sob disfarce, já nos anos 90 e hoje não tem dúvidas em afirmá-lo. Para isso baseia-se em depoimentos de antigos prisioneiros e até em imagens que consegue obter na internet.
Ausência de liberdade religiosa
Uma das razões pelas quais as pessoas são perseguidas na China prende-se precisamente com a (falta de) liberdade religiosa. Esta questão tem sido abordada frequentemente pela Fundação AIS. Num encontro organizado precisamente sobre a Igreja do silêncio na China, o jesuíta Henrique Rios, que é um dos melhores conhecedores da realidade naquele país, afirmou que, muitas vezes, “os católicos são levados pela polícia, são interrogados durante dias por uma justiça revolucionária que é muito célere: vão logo para campos de concentração, campos de trabalho, e há muita gente que desaparece”. Apesar disso, o padre Rios reconhece que se trata de “uma Igreja que sofre, que está junto dos que sofrem e faz a evangelização”. Recorde-se que a Igreja Católica na China, que permanece fiel a Roma e, por isso, vive na clandestinidade, tem cerca de 5 milhões de fiéis. Há também, uma estrutura eclesial que depende da hierarquia estatal e é controlada directamente por Pequim.
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Papa pede orações pela China
Recentemente, o Papa Bento XVI voltou a recordar a situação crítica em que vivem os cristãos na China, pedindo orações pela Igreja Católica e pelos fiéis perseguidos e impedidos de exprimir livremente a sua fé. Depois de lembrar que alguns bispos presentes na China “sofrem e estão sob pressão no exercício do seu ministério episcopal”, o Papa manifestou-lhes a “proximidade” da Igreja, que também estendeu aos padres e a “todos os católicos que encontram dificuldades na livre profissão da fé”. Para Bento XVI, os católicos na China “têm direito” e “necessidade” das preces da Igreja Católica de todo o mundo, para que possam anunciar “sem impedimento” a mensagem cristã.
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Durante o mês de Outubro, reze connosco o Rosário com a Igreja da China! Ao recordar estes irmãos que aceitam as contrariedades, a perseguição, o sofrimento e a morte por fidelidade ao seu baptismo, agradecemos a nossa liberdade religiosa e preparamo-nos para as dificuldades que surgem
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