1. A Santa Sé publicou no dia 13 de Maio uma instrução normativa sobre a Carta Apostólica ‘Summorum Pontificum’, de Bento XVI, que em 2007 ‘liberalizou’ a celebração da missa no rito anterior ao Concílio Vaticano II, apelando à “reconciliação no interior da Igreja”. O documento do Papa previa três anos para se verificar a aplicação... agora, surgem as disposições legais que ajudam a consolidá-lo.
No essencial são 23 normas que confirmam a competência do bispo em instituir a possibilidade de missa pelo rito antigo, mas em caso de controvérsia, a última palavra será sempre da Santa Sé.
Esta forma extraordinária de celebrar segundo o rito tridentino, pode ser pedida por fiéis de diferentes paróquias, mas nunca para se manifestarem contra o rito ordinário (que é o mais habitual em toda a Igreja).
Preocupada com os sacerdotes que saibam celebrar por este rito antigo, a Santa Sé sugere mesmo que os seminários prevejam uma adequada formação com essa finalidade.
E se os sacerdotes e religiosos quiserem celebrar este rito sozinhos e sem povo, podem fazê-lo, sem pedir autorização.
Segundo uma nota do Vaticano, este texto garante a legitimidade do rito antigo, torna-o efectivo e pede a sabedoria e compreensão pastoral de todos os bispos para que esta decisão do Papa não seja impedida, mas favorecida, com vista à reconciliação e espírito de comunhão na Igreja.
2. A Igreja deve lidar com casos de abusos sexuais de forma rápida, justa e com respeito pelas vítimas e as suas famílias. É este o ponto principal de uma carta que o Vaticano fez chegar na passada segunda-feira, dia 16, a todos os bispos e que visa ajudar as conferências episcopais a lidar com casos de abusos sexuais levados a cabo por membros do clero.
A Igreja insiste na importância de lidar com os problemas de forma rápida e justa. A hierarquia deve ter toda a atenção em escutar tanto a vítima como os seus familiares – este é mesmo o primeiro ponto da carta de cinco páginas –, mas o acusado também deve ter direito a defesa. Nos países onde isso for possível, deve haver uma colaboração com as autoridades civis e estas devem ser informadas, consoante as leis nacionais.
Até Maio de 2012, cada Conferência Episcopal deve criar um documento com orientações adaptadas à sua realidade, que depois vão ser aplicadas a todos os casos que possam surgir. Uma cópia completa dessas normas deve ser enviada para a Congregação para a Doutrina da Fé até Maio de 2012. A ideia é, segundo a carta, uniformizar ao máximo a resposta da Igreja a casos de abusos sexuais, deixando espaço para os bispos adaptarem as normas existentes à sua realidade nacional ou local.
A questão da formação de seminaristas, e até uma formação contínua de padres e religiosos nesta matéria, também é realçada. A Igreja afirma ainda que, em alguns países, tem trabalhado com organizações para criar um ambiente seguro nas igrejas e poder detectar sinais de abusos para poder lidar mais eficientemente com os mesmos. Na carta, não se mencionam países em concreto, mas o caso inglês é muitas vezes referido informalmente com sendo um modelo a seguir.
3. Bento XVI apelou ao cessar-fogo na Líbia e sublinhou o papel da Igreja local no apoio às populações. “Renovo o apelo urgente para que prevaleça o caminho da negociação e do diálogo sobre o da violência, com a ajuda de organismos Internacionais que estão a trabalhar na busca de uma solução para a crise. Garanto, também, a minha oração e a minha solidariedade pelo empenho com que a Igreja local assiste a população, especialmente através das pessoas consagradas presentes nos hospitais”, disse Bento XVI, na manha de Domingo, dia 15 de Maio, depois da oração Regina Coeli, na Praça de São Pedro.
Na sua intervenção, o Santo Padre dirigiu também uma mensagem para a Síria, pedindo o fim dos conflitos, no sentido da paz e da estabilidade. “O meu pensamento vai também para a Síria, onde é urgente restaurar uma convivência enraizada na concórdia e na unidade. Peço a Deus que não haja mais derramamento de sangue na pátria das grandes religiões e civilizações, e peço às autoridades e todos os cidadãos que não poupem esforços na procura do bem comum e aceitar as legítimas aspirações para um futuro de paz e estabilidade”.
4. Bento XVI vai falar a astronautas de uma estação espacial. Será neste sábado, dia 21 de Maio, às 13h56 (horário de Roma, menos 1 hora em Lisboa), com o Papa a fazer uma conexão audiovisual com os tripulantes da Estação Espacial Internacional (ISS). De acordo com o director da Sala de Imprensa da Santa Sé, padre Federico Lombardi, os 12 astronautas participam na última missão da nave Shuttle Endeavour.
Depois de 40 anos de actuação no espaço, esta é a última missão da nave, numa decisão que foi tomada pelo presidente dos EUA, Barack Obama, em 2009. A nave já levou 130 passageiros e lançou 3 satélites.
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