Na semana em que se cumpriu um ano da visita do Papa ao nosso país, Bento XVI visitou Veneza onde falou ao mundo da cultura e pediu aos cristãos para não cederem ao materialismo. Finalmente, o dicastério do Vaticano responsável pelo mundo missionário na Igreja Católica tem novo prefeito.
1. Cumpriu-se esta semana um ano da visita de Bento XVI a Portugal. “O maior ataque contra o Papa e contra a Igreja não parte de fora, mas de dentro da própria Igreja”. É das declarações mais emblemáticas do seu pontificado, proferidas faz um ano no passado dia 11 de Maio, a caminho de Portugal.
Bento XVI foi atacado sem tréguas nos últimos meses, antes de chegar a Portugal (por causa, sobretudo das questões de abuso sexual na Igreja) talvez por isso mesmo Portugal tenha saído à rua para o acolher de braços abertos.
E se muitos portugueses resistiam ao Papa alemão (ainda presos à imagem de João Paulo II), esta visita encerrou definitivamente o luto pelo Papa polaco.
O resultado foi tão positivo que espantou os próprios organizadores. Ao ponto da Secretaria de Estado do Vaticano ter feito um balanço afirmando que as visitas de Bento XVI se podem distinguir agora em duas fases: antes e depois de Portugal.
Em Portugal, Bento XVI falou da actualidade de Fátima e da urgência em aprofundar o essencial da fé, sob pena de ficarmos reduzidos a uma aparência cristã, esvaziada de Cristo.
Todos os fiéis, incluindo pastores, devem dar testemunho da esperança que os anima, sem medo de propor Cristo no seu contexto, sobretudo porque – no nosso meio, disse o Papa aos bispos – não faltam crentes envergonhados que cedem às pressões do secularismo criando barreiras à fé cristã.
2. Num tempo em que se esgotou a força das ideologias, o optimismo se apaga e a esperança está em crise, o Papa pede em Veneza para não ter medo do Evangelho. “Veneza tem uma longa história e um rico património humano, espiritual e artístico que lhe permite também hoje ser capaz de oferecer um contributo precioso que ajude os homens a crer num futuro melhor e a empenharem-se na sua construção. Só que para isso não devem ter medo de um outro elemento emblemático que está no emblema de S. Marcos: o Evangelho. O Evangelho é a maior força de transformação do mundo, sem ser uma utopia nem uma ideologia”, garantiu Bento XVI, no discurso ao mundo da cultura durante uma visita a Veneza.
3. O Papa pediu aos cristãos que não cedam ao materialismo. Foi em Veneza, onde celebrou a Eucaristia perante 300 mil pessoas. “Até mesmo um povo tradicionalmente católico pode dar-se conta, negativamente, ou assimilar inconscientemente, as repercussões de uma cultura que, em última análise, sugere um modo de pensar, no qual abertamente se recusa, ou disfarçadamente impede, a mensagem do Evangelho. Sei quão grande tem sido e continua a ser vosso empenho em defender os valores perenes da fé cristã. Encorajo-vos a nunca cederem às repetidas tentações da cultura hedonista nem aos atractivos do consumismo materialista”, apelou.
Bento XVI sublinhou também a importância do espírito cristão, em contraposição com a grandeza dos bens materiais. “Igrejas, obras de arte, hospitais, bibliotecas, escolas e o ambiente das vossas cidades, bem como os campos e montanhas, todos os repleta de referências a Cristo. Mas, hoje, esta pertença a Cristo corre o risco de se esvaziar da sua verdade e dos seus conteúdos mais profundos; corre o risco de se tornar num horizonte que só superficialmente abraça a vida, quando muito nos aspectos sociais e culturais; o Cristianismo corre o risco de se reduzir à experiência da fé em Jesus crucificado e ressuscitado, que não ilumina o caminho da vida”, afirmou.
O Papa esteve em Veneza para uma visita que vai durou pouco mais de 24 horas. Além da celebração eucarística e dos encontros com o mundo da cultura, mas também da arte e economia, a viagem incluiu uma visita à catedral de São Marcos e um breve passeio de gôndola.
4. O Papa nomeou um novo prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos. A escolha recaiu sobre o arcebispo Fernando Filoni, até agora membro da Secretaria de Estado, considerado o ‘número 3 do Vaticano’. Formado em filosofia e direito canónico, este arcebispo italiano entrou para o serviço diplomático da Santa Sé em 1981 e trabalhou posteriormente nas representações pontifícias no Sri Lanka e no Irão, na Secretaria de Estado, no Brasil e nas Filipinas. Foi ainda núncio apostólico na Jordânia, no Iraque e nas Filipinas. O novo prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos substituiu o cardeal Ivan Dias, que renunciou devido à idade. Recorde-se que a Congregação para a Evangelização dos Povos é o dicastério do Vaticano responsável pelo mundo missionário na Igreja Católica. Foi criada por Gregório XV em 1622, com o nome de ‘De Propaganda Fide’, diante dos desafios apresentados pelo grande esforço evangelizador na América e na Ásia.
Também esta semana, o Papa nomeou como novo substituto na Secretaria de Estado o arcebispo italiano Giovanni Angelo Becciu, núncio apostólico em Cuba, que entre 2001 e 2009 foi o representante diplomático da Santa Sé em Angola e São Tomé e Príncipe.
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