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À procura da Palavra
Quatrocentos e noventa
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DOMINGO XXIV DO TEMPO COMUM Ano A
“Não devias, também tu, compadecer-te do teu companheiro,
como eu tive compaixão de ti?”
Mt 18, 33


Este é o resultado da multiplicação de 70 x 7! As vezes para perdoar, em cada dia! Na aritmética de Jesus, que “deve ter exagerado”, dizemos nós, quando Pedro lhe apresentou a possibilidade do “record diário” de “7 vezes”! No fundo, Jesus pediu que não contabilizássemos. Nem o amor, nem o perdão. Ele conhece os nossos limites, mas também a ilimitada graça que tem para nos oferecer. E se nos instalamos nos limites do “possível”, como podemos acreditar nos “impossíveis” que Deus quer fazer connosco?

Encontramo-nos frequentemente diante dos nossos limites. Como harmonizar a convivência comum com a ânsia de poder de alguns? Como promover a justiça e o desenvolvimento quando os egoísmos pessoais e a ganância parecem ser mais fortes? A consciência dos limites humanos pode fazer-nos mais humildes. Mais capazes de aceitar os erros dos outros e encontrar caminhos novos. Mais capazes de acreditar na força renovadora do perdão.

É nas palavras acerca do perdão que Jesus parece ter-se “esquecido” que somos humanos. Que nos custa muito ultrapassar as ofensas, e “mostrar que nos sentimos”, é atirá-las à cara de quem as fez, quando menos se espera! Perdemos a noção de grandeza do mal e da falta, e como o servo a quem o seu Senhor perdoou uma dívida imensa, somos ingratos e incapazes de perdoar a um companheiro uma dívida insignificante. É aqui que Jesus coloca mais alta a fasquia. Que Ele e o Pai perdoem, tudo bem! Mas nós, que facilmente nos desculpamos com as falhas dos outros e recusamos pôr-nos no lugar de alguém, como vamos conseguir? Jesus também podia responder: “Com exercício, com muito exercício”! Não basta ouvir ou saber que é importante, nem só fazer muitas orações; é preciso começar a mudar por dentro e por fora. Já experimentaram partir uma daquelas pedras bonitas das ribeiras que são redondinhas de tanto rolarem no meio da água? Estão secas por dentro!

Assim, os nossos limites podem ser ocasião para o diálogo e o perdão mútuos. Quando tomo consciência das minhas fraquezas posso entender melhor as dos outros. Quando não limito as possibilidades do perdão, posso acreditar em relações novas. Podem ficar cicatrizes, mas elas hão de lembrar a vitória do perdão e não a dor da ofensa!

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