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Na Tua Palavra |
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D. Nuno Brás
Presença de Deus
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Não podemos dizer, absolutamente, que na vida portuguesa ser cristão seja algo de totalmente insignificante. Muitos são ainda, graças a Deus, aqueles que tomam a sério o seu baptismo e não deixam de o tornar consequente no quotidiano das suas existências.
Convenhamos, no entanto, que em muitas das grandes decisões que afectam a vida da maioria dos nossos concidadãos, ou mesmo naquelas mais pequenas, que pouca influência têm, mesmo na vida própria, quando chega a altura de as tomar poucos são aqueles que se recordam de Deus e da fé que procuram viver: o baptismo ficou arquivado com as fotografias ou os vídeos de recordação; e da catequese resta a memória duma deficiente “educação para os valores”… Não espanta que ser cristão se resuma, na maioria das vezes, ao cumprimento de algum preceito ou lei religiosa.
E, depois, espalhou-se a teoria de que, porque são os nossos pais a levar-nos pela primeira vez à Igreja, o baptismo não passaria de uma “festa de apresentação” da criança à sociedade. Por isso, em muitos nasceu também o pensamento de que há que esperar pelo momento do crisma ou “confirmação” — quando “somos nós (escuto-o com uma frequência assustadora) a confirmar conscientemente a fé” (não deixa de ser também assustador que, algumas semanas depois, poucos sejam os crismados que permanecem na Eucaristia dominical…).
E, no entanto, o baptismo é qualquer coisa de fundamental, que nos marca para o resto da vida — até mesmo quando renegamos a nossa condição de cristãos: porque Deus, que nos deu a graça baptismal, esse não nos renega nem nos abandona. Encontra-se ao nosso lado e só espera que O deixemos entrar. Por isso, o baptismo não pode ser repetido. E quem nos confirma na fé é também Deus, tal como é dele que advém a graça de toda a vida cristã. É Ele quem é o actor primeiro, aquele que age, transforma e deve inspirar os nossos pensamentos, as nossas palavras, o nosso querer e o nosso viver, as nossas decisões, quaisquer que elas sejam, grandes ou pequenas. A nós cabe-nos a tarefa de O acolher e de nos deixarmos ir transformando por Ele. Não apenas quando já somos adolescentes ou quando já nos achamos preparados para escolhas de vida, mas sempre. Em cada momento, em cada escolha.
Deus tornar-se-á tanto mais presente na vida do dia-a-dia quanto mais tomarmos a sério a nossa condição de baptizados. Não nos é pedido nada de extraordinário. Apenas que deixemos que Ele transpareça no que somos. E Deus e a sua vida estarão mais presentes em Portugal, nas nossas famílias, nas nossas empresas, na vida social e política. Com evidentes ganhos para todos.
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