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Tony Neves
LUSOFONIAS | As ‘invasões’ pacifistas de Leão XIV
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Neste 25 de setembro, o Papa Leão XIV pisa terras francesas. Chega a Paris, cidade visitada pela última vez por um Papa em 2008: Bento XVI! Sobre esta viagem apostólica a França falaremos mais tarde. Hoje quero viajar com Leão XIV pelo ano 2026 e acompanhar os muitos espaços que ele ‘invadiu’.
A 4 de fevereiro celebrou-se o 7º aniversário da assinatura do Documento sobre a Fraternidade Humana por parte do Papa Francisco e do Grã-Imã Ahmad Al-Tayyeb. O Papa Leão escreveu uma mensagem em que disse: ‘celebrais o que há de mais precioso e universal na nossa humanidade: a nossa fraternidade’.
Mónaco acolheu o Papa a 28 de março. No Estádio Luís II disse: ‘face às muitas injustiças que ferem os povos e à guerra que dilacera as nações, ergue-se constantemente a voz do profeta Jeremias, proclamada hoje como salmo: «Converterei o seu pranto em exultação, hei de consolá-los, e aliviá-los das suas penas» (Jr 31, 13)(…). Cada vida ceifada é uma ferida no corpo de Cristo. Não nos habituemos ao rumor das armas e às imagens da guerra! A paz não é um mero equilíbrio de forças, mas uma obra de corações purificados, de quem vê no outro um irmão a proteger, não um inimigo a abater’.
Sexta-feira Santa aponta sempre para o Coliseu de Roma com a sua tradicional Via-Sacra. Na Quarta Estação, o Papa rezou: ‘Consolai, ó Mãe, as mães que perderam os seus filhos; Consolai, ó Mãe, os órfãos, especialmente devido às guerras; os migrantes, os deslocados e os refugiados; aqueles que sofrem torturas e penas injustas; os desesperados que perderam o sentido da vida; aqueles que morrem sozinhos’.
A Páscoa aconteceu a 5 de abril. Na homilia da Missa, Leão XIV alertou: ‘fora de nós, a morte está sempre à espreita. Vemo-la presente nas injustiças, nos egoísmos, na opressão dos pobres, na escassa atenção para com os mais fracos. Vemo-la na violência, nas feridas do mundo, no grito de dor que se eleva de todas as partes devido aos abusos que oprimem os mais vulneráveis, devido à idolatria do lucro que saqueia os recursos da terra, devido à violência da guerra que mata e destrói’.
A maior viagem missionária teve lugar em África, de 13 a 23 de abril. Visitou a Argélia de S. Agostinho e do diálogo com o islão; os Camarões à procura da reconciliação; Angola a reconstruir-se sobre as cinzas de uma guerra cruel; a Guiné-Equatorial, apelando à defesa dos direitos humanos.
15 de maio é data que fica para a História. O Papa Leão publicou a sua 1ª encíclica: ‘Magnifica Humanitas’ sobre a salvaguarda da pessoa humana na era da inteligência artificial.
Espanha recebeu o Papa de 6 a 12 de junho. Barcelona viu a sua Basílica da Sagrada Família abençoada por ocasião da conclusão das obras. Madrid deu um banho de multidão ao Papa, em todas as celebrações e encontros. A visita às Ilhas Canárias permitiram a Leão XIV agradecer o acolhimento aos imigrantes e chamar a atenção para os gritos dramáticos de quem tenta atravessar o mar.
Castel Gandolfo acolheria, a 19 de junho, os ‘Diálogos do Borgo Laudato Si’: ‘Fizeste-lo neste maravilhoso ambiente dos Jardins Pontifícios do Borgo Laudato Si’, deixando que a beleza da criação - e do Criador - vos inspirasse a conciliar a visão local com a responsabilidade global e a impulsionar um processo destinado a formar uma liderança corajosa, tão necessária nos dias de hoje’.
A 4 de julho, Leão XIV visitou a Ilha de Lampedusa para dizer que ‘os mortos neste mar são vítimas tanto das decisões tomadas como das decisões que faltaram’.
Assis receberia o Papa a 6 de agosto e São Marino a 22. O ‘Borgo Laudato Si’, em Castel Gandolfo, voltou a acolher o Papa para a abertura do ‘Tempo da Criação’, com a Missa pelo Cuidado da Criação, ali celebrada a 1 de setembro. Concluiu a homilia apontando para Assis: ‘com São Francisco, queremos renovar o nosso compromisso de viver e promover aquela fraternidade universal que está inseparavelmente ligada ao dever de cuidar da criação’.
Na sua Audiência Geral, a 2 de setembro, o Papa iniciou uma reflexão sobre a ‘Gaudium et Spes’, documento fundamental do Concílio Vaticano II sobre a Igreja no mundo contemporâneo. Com palavras claras, Leão XIV combateu ‘a ilusão de que a guerra é um caminho eficaz para construir a paz’, desejando ‘que a alegria e a esperança sejam as características distintivas de uma Igreja que anuncia e testemunha o Evangelho, aproximando-se das mulheres e dos homens do nosso tempo’.
Tony Neves, em Roma