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“A dignidade do ser humano continua a mobilizar a nossa atenção, o nosso coração e o nosso esforço”
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O Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, benzeu, na tarde desta terça-feira, dia 15 de setembro, a nova Estrutura Residencial para Pessoas Idosas (ERPI) Nossa Senhora das Dores, da Santa Casa da Misericórdia de Mafra, destacando a “obra abençoada” como expressão de solidariedade e de atenção à dignidade humana. “Não deixamos ninguém para trás”, assegurou.
Instalada no antigo edifício do Hospital de Mafra, a nova resposta social da Santa Casa da Misericórdia de Mafra, com capacidade para 60 utentes, foi inaugurada numa cerimónia que contou com a presença da Ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Maria do Rosário Palma Ramalho, do Presidente da Câmara Municipal de Mafra, Hugo Moreira Luís, do pároco de Mafra, Padre Lourenço Lino, e do Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Mafra, Joaquim Sardinha, além de membros da Irmandade, utentes da instituição e outros convidados. Antes de proceder à bênção das instalações, o Patriarca D. Rui Valério começou por enquadrar o momento como uma expressão concreta da capacidade de uma comunidade responder às necessidades dos outros. “Preparamo-nos, de uma forma muito singela, mas muito profunda e sentida, para, ao mesmo tempo, inaugurar e abençoar esta nova instituição que é o Lar da Santa Casa da Misericórdia de Mafra que aqui vai surgir”, afirmou. Para o Patriarca de Lisboa, a nova estrutura representa uma resposta social, mas sobretudo uma expressão de solidariedade e de entreajuda. “É uma resposta, é, mas é sobretudo uma manifestação, um transbordar de uma riqueza de coração, daquele amor que é solidariedade, que é capacidade de entreajuda, que é capacidade de responder a quem nos solicita ajuda”, sublinhou. Nesse sentido, acrescentou, a obra pode ser entendida como “uma obra abençoada” e “uma obra santificada”, porque nasce de um compromisso concreto com a dignidade das pessoas. “É uma obra que tem mais da vontade de Deus e um bocadinho menos da vontade dos homens ou dos seres humanos”, considerou. As noites mal dormidas” e o compromisso com a obra O Patriarca fez também questão de reconhecer o trabalho desenvolvido para concretizar a requalificação do antigo hospital, evocando o esforço de todos os que estiveram envolvidos no projeto. “Muito embora que tenha sido desta vontade, deste empenho, deste compromisso que, enfim, desde o arquiteto a todo o atarefado da Santa Casa da Misericórdia de Mafra, do senhor provedor, as noites mal dormidas, as preocupações pelo cimento que faltava, pelo tijolo que não chegava”, recordou. D. Rui Valério mencionou ainda as dificuldades encontradas durante o processo, incluindo a passagem da tempestade Kristin, que, segundo referiu, “também não veio facilitar”. “E depois houve tantas coisas, mas hoje estamos aqui para que, em alegria, sentirmos que a dignidade do ser humano continua a mobilizar a nossa atenção, o nosso coração e o nosso esforço. E é isso que importa, hoje, ser sublinhado”, reforçou. A intervenção terminou com uma referência à responsabilidade de uma comunidade que procura não deixar ninguém sem resposta: “Nós somos daqueles, como aliás é subentendido no Cântico da Maria da Fonte, que não deixamos ninguém para trás”. Depois da bênção das instalações, a Ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, acompanhada pelo utente mais velho da instituição, procedeu ao descerramento da lápide inaugural. Ministra, Câmara e Misericórdia destacam reforço da resposta social e compromisso com os idosos Nas intervenções das entidades presentes, a Ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Maria do Rosário Palma Ramalho, destacou o investimento público na nova ERPI, sublinhando que se trata de uma resposta dirigida “aos mais frágeis ou que mais dela precisa”. Salientou ainda que o apoio do Estado terá continuidade através de um protocolo com o Instituto da Segurança Social, abrangendo 48 dos 60 lugares da estrutura. “Não basta viver mais, tem que se viver igualmente bem quando se vive mais tempo”, frisou. Já o Presidente da Câmara Municipal de Mafra, Hugo Moreira Luís, recordou a ligação histórica do edifício à prestação de cuidados no concelho, destacando que a nova estrutura mantém essa vocação. Sublinhou também que o lar deve ser mais do que uma resposta residencial, constituindo uma verdadeira casa para quem nele vive. “Ninguém envelhece em percentagem. Envelhecemos com aquilo que somos, com as nossas relações, com as nossas memórias”, observou o autarca. O Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Mafra, Joaquim Sardinha, apresentou a nova ERPI como uma resposta de proximidade que permitirá aumentar de 76 para 136 o número de utentes acolhidos pela instituição. Destacou ainda a dimensão humana da resposta, sublinhando o papel dos trabalhadores no cuidado diário. “O verdadeiro coração de um lar são as pessoas”, garantiu este responsável, deixando também uma referência ao compromisso intergeracional subjacente ao projeto: “No fundo, estamos a cuidar de quem cuidou de nós”. Uma comunidade que não deixa ninguém sozinho Na Missa que se seguiu, o Patriarca de Lisboa apresentou a celebração como um momento de ação de graças pela nova resposta social, destacando a conjugação de esforços que tornou possível a criação deste espaço de acolhimento e solidariedade. “Hoje, de uma forma tão direta, tão contundente, tão visível, como é a criação de um espaço de acolhimento”, afirmou, agradecendo “tanta disponibilidade, de tanto contributo, de tanta solidariedade e, ao mesmo tempo, de tanto esforço e de tanta dedicação”. Na homilia, centrada na memória litúrgica de Nossa Senhora das Dores, D. Rui Valério relacionou a missão da Misericórdia com a presença junto de quem sofre, em particular daqueles que enfrentam a solidão, a falta de autonomia ou situações de carência. “Esta instituição é chamada a ser, para cada irmão, para cada irmã utente, para cada mafrense, esta mesma comunidade que impede que alguém no seu sofrimento esteja só”, desafiou. A partir do relato evangélico de São João sobre Maria aos pés da cruz, o Patriarca destacou ainda o acolhimento como uma dimensão essencial da missão desta nova estrutura. “Cada rosto que se aproxima da vossa porta para ser acolhido, primeiro, já foi visto por Jesus”, salientou, acrescentando que a instituição deve ser um espaço onde quem sofre encontra presença e companhia. “Quem sofre tem irmãos e tem irmãs. São aqueles da Misericórdia que estão com eles nesse sofrimento”, concluiu. Depois da celebração, teve lugar a visita às novas instalações da Estrutura Residencial para Pessoas Idosas Nossa Senhora das Dores, em Mafra. Com capacidade para 60 utentes, a nova ERPI representa também a criação de 38 novos postos de trabalho. As obras de requalificação do antigo edifício do Hospital de Mafra começaram em 2025 e permitiram adaptar o espaço às novas funções. O investimento foi parcialmente comparticipado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).![]() |
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