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“Depois de um encontro com Deus, já não há ‘normal’. Há missão”

O Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, presidiu no início da tarde desta sexta-feira, 24 de abril, à Missa de envio da 77.ª Peregrinação Monfortina ao Santuário de Nossa Senhora de Lourdes e sublinhou que o fim da peregrinação representa, na verdade, um novo começo: “Chegamos ao último dia da nossa peregrinação. Mas a Palavra de Deus hoje diz-nos algo muito claro: isto não é um fim, é um envio”.

Na homilia da celebração de envio, na Basílica de São Pio X, o Patriarca destacou, numa homilia na língua francesa, que a experiência vivida em Lourdes deve traduzir-se numa transformação concreta da vida. “Não viemos a Lourdes para fazer uma pausa na vida. Viemos para deixar que Deus transforme a nossa vida. E agora… somos enviados”, salientou.

Partindo da conversão de São Paulo, D. Rui Valério comparou o percurso dos peregrinos a um “caminho de Damasco”, marcado por luzes, quedas e interrogações. No entanto, alertou para o risco de uma fé que não se concretiza: “Seria um erro grave regressar a casa e dizer: ‘Foi bonito… foi intenso… agora volto ao normal’. Não. Para um cristão, depois de um encontro com Deus, já não há ‘normal’. Há missão”.

O Patriarca, que presidiu a esta peregrinação que decorreu desde o passado dia 20, reforçou que tudo o que foi vivido ao longo destes cinco dias – oração, conversão, comunhão e presença de Maria – deve ser levado para o dia a dia: “Não é para guardar. É para levar”.

 

Chamados a ser portadores de paz

Inspirando-se no Evangelho, D. Rui Valério recordou que os cristãos são enviados ao mundo com simplicidade e como portadores de paz. “Quantas casas precisam de paz… quantas relações feridas… E nós somos enviados como portadores de paz”, observou.

Neste contexto, destacou a importância da espiritualidade mariana: “Levar Maria para a vida não é uma devoção decorativa. É uma forma de viver”, concretizando essa presença na família, no trabalho e nas relações pessoais. O Patriarca deixou, por isso, um apelo direto à mudança de vida: “Não volteis a viver como antes. Se tudo continuar igual… então ainda não deixámos Lourdes entrar verdadeiramente em nós”.

Sublinhando que a maioria dos fiéis não será enviada para lugares distantes, D. Rui Valério insistiu na centralidade do quotidiano como espaço de missão. “É aí que se joga a missão: no pequeno gesto; na palavra certa; na paciência; no testemunho silencioso”, ressalvou, concluindo com um convite à coragem e à confiança: “O mundo espera. A Igreja precisa. Cristo envia. E Maria acompanha”.

 

“O sofrimento aproxima-vos do coração de Cristo”

Na véspera, quinta-feira, dia 23 de abril, o Patriarca de Lisboa presidiu também à Missa com Unção dos Enfermos, igualmente na Basílica de São Pio X. Dirigindo-se de forma particular aos doentes, afirmou: “O sofrimento não vos afasta de Deus. Pelo contrário: aproxima-vos do coração de Cristo”.

Na homilia, D. Rui Valério destacou que o sofrimento, vivido em união com Cristo, adquire sentido e valor. “A vossa vida, unida a Cristo, nunca é inútil. Nunca é vazia. Nunca é sem sentido”, garantiu.

Sobre a Unção dos Doentes, o Patriarca esclareceu que este não é “um sacramento apenas para o fim da vida”, mas “um sacramento de vida, de força e de esperança”. Explicou ainda que, através deste sinal, “é o próprio Cristo que vos toca”, concedendo paz, coragem e presença no meio da fragilidade.

Desta forma, sublinhou que, mesmo quando não há cura física, permanece a graça essencial. “Sempre concede algo maior: a presença de Deus no meio da fragilidade”, reforçou.

 

Doentes no centro da Igreja

Na sua homilia, pronunciada em francês, D. Rui Valério afirmou que os doentes ocupam um lugar central na vida da Igreja. “Vós não sois apenas destinatários da oração da Igreja. Vós sois uma força na Igreja. O vosso sofrimento oferecido sustenta o mundo”, assegurou.

Evocando a presença de Nossa Senhora em Lourdes, o Patriarca de Lisboa concluiu com uma palavra de confiança: “Maria não promete uma vida sem cruz. Mas promete uma presença constante. Ela permanece junto de cada filho no hospital, na solidão, na dor escondida. E hoje, Ela está aqui. Junto de cada um de vós”.

A 77.ª Peregrinação Monfortina ao Santuário de Nossa Senhora de Lourdes decorreu entre os dias 20 e 24 de abril, e foi presidida pelo Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, que pertence a esta congregação religiosa fundada por São Luís Maria Grignion de Montfort. Esta é uma tradição anual, iniciada em 1949, e constitui um dos momentos mais significativos da família monfortina a nível internacional.

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