Estamos a iniciar um novo ano pastoral, e este será, com toda a certeza, muito desafiante para todos nós. Encontramo-nos em fase de desconfinamento, depois de mais de um ano a enfrentar uma pandemia que tanto tem afetado o mundo. Na diocese, nas paróquias, em muitas comunidades, movimentos, grupos vai-se procurando programar o que é possível, com a expetativa de que este ano possa ser diferente, sobretudo no que diz respeito às relações e encontros presenciais. Em muitos lugares deixou, quase, de haver vida pastoral, para além das celebrações dos sacramentos – e não de todos.
A pastoral faz-se a partir do encontro, da proximidade, da interação, e o medo, a ansiedade, a angústia, provocados pela pandemia, levaram a um distanciamento, inicialmente necessário, mas depois transformado em afastamento. Se o distanciamento implica uma margem de segurança, o afastamento já se torna um comportamento emocional ou sentimental. E, nos últimos tempos, certamente por motivos diversos, temos assistido a muitos afastamentos, desde os mais novos aos mais velhos.
Para a pastoral nestes próximos tempos, o nosso bispo, o Cardeal-Patriarca D. Manuel Clemente, deixa-nos, em carta publicada neste jornal, algumas orientações que nos devem ajudar a uma planificação e estabelecimento de prioridades, nas quais sinto que não pode faltar a implementação de um verdadeiro anúncio da Boa Nova do Evangelho. Este, ajudará a (re)construir e sedimentar os fortes pilares da fé que sustentam no meio da crise. Isto porque a pandemia veio revelar-nos fragilidades que não podemos ignorar e que nos devem fazer olhar para a pastoral da Igreja, talvez, como as primeiras comunidades, anunciando Jesus Cristo como Ele é verdadeiramente, e não como eu quero que Ele seja, ou como gostaria que Ele fosse, para a minha comodidade pessoal.
A JMJ Lisboa 2023 pode ser um caminho para essa reconstrução.
Editorial, pelo P. Nuno Rosário Fernandes, diretor
p.nunorfernandes@patriarcado-lisboa.pt
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