Foi providencial a nomeação de D. António Ribeiro para Patriarca de Lisboa em 1971. O longo e notável serviço do Cardeal Cerejeira chegava ao fim, tendo já pedido a resignação anos atrás. Também se aproximava do final o quadro sociopolítico em que o país vivia há quatro décadas. Era preciso alguém que estivesse inteirado da situação nacional e internacional, assim como do renovamento eclesial que o Concílio trouxera. Poucos estavam tão bem preparados nesse sentido como o jovem Bispo Auxiliar D. António Ribeiro.
Nascido em 1928 e oriundo da Diocese de Braga, estudara em Roma, viera para Lisboa trabalhar na Ação Católica com diplomados e tivera uma marcante presença televisiva num comentário religioso semanal. Conhecia e era reconhecido pela sua inteligência e isenção. Isto mesmo suscitara reservas governamentais sobre a sua pessoa, quando insistira em aludir à viagem de São Paulo VI ao Congresso Eucarístico de Bombaim em 1964.
Desenvolvia já, como continuou depois durante o seu serviço patriarcal, um convicto apostolado conciliar, quer no respeitante à vida interna da Igreja, quer no respeitante à relação Igreja – Mundo. A carta pastoral do Episcopado, publicada em 1973, no 10.º aniversário da encíclica ‘Pacem in Terris’, é especialmente da sua autoria e oferece um conjunto de análises e indicações que, a partir do “25 de abril”, ressurgiriam no melhor que se conseguiu fazer na sociedade portuguesa, quanto à salvaguarda dos direitos humanos, à participação política e ao serviço do bem comum.
Implementou na doutrina e na prática tudo quanto o Concílio dispusera, no concernente à corresponsabilidade eclesial, à reforma litúrgica, ou à projeção social da fé: são notáveis, neste aspeto, os seus pronunciamentos sobre o urbanismo ou sobre o empenhamento laical. Esteve particularmente atento à pastoral juvenil e à formação sacerdotal.
Creio ser possível identificar o trabalho pastoral de D. António Ribeiro com as linhas de força do pontificado de São Paulo VI, assim como o do seu antecessor, o Cardeal Cerejeira, se identificou com as do Papa Pio XI, sobretudo nos anos trinta. Ambos compreenderam o tempo que lhes coube e protagonizaram-no com lucidez e acerto.
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