São muitas as manifestações dessa pobreza. Neste contexto realizou-se nos dias 15, 16 e 17 de Janeiro o “X Encontro de Formação dos Agentes Sócio-Pastorais das Migrações”, promovido pela Caritas, OCPM, Agência Ecclesia, CIRP e apoiado pela OIM. Nem o clima de estupefacção provocado pela tragédia do Haiti, nem o ambiente sereno da Cova da Iria, foram impedimento para tornar mais viva a consciência de uma realidade cujas manifestações são transversais a toda ela, desde a carência de bens materiais, passando pelas adições de todo o tipo e o seu cortejo de misérias nas ruas e nas cadeias até às novas formas de escravatura que continuam bem presentes, ainda que na penumbra. É o caso do tráfico de pessoas, o tema central deste encontro, com o objectivo de preparar para a sua prevenção, acompanhamento e combate.
Novas formas de escravatura
Não se trata apenas de pessoas traficadas para exploração sexual; temos ainda o tráfico para exploração laboral – recorde-se as redes mafiosas envolvendo os trabalhadores de Leste, ou aqueles portugueses caídos no engodo dos sem-escrúpulos que os conduziram a Espanha ou Holanda e lá os abandonaram. Mas há que estar atentos ainda ao tráfico para serviço doméstico, envolvendo sobretudo mulheres e crianças, a quem foi prometido um trabalho airoso ou um projecto de estudos e que acabaram por ficar prisioneiras e isoladas do mundo. Há que incluir as vítimas do tráfico de órgãos e do ainda menos falado aliciamento de crianças para grupos religiosos fundamentalistas com vista a acções terroristas ou práticas de fanatismo.
Um combate desigual, mas assumido
Estamos perante um combate de David contra Golias, tendo em conta os seus meios e organização, o seu poder económico (depois das drogas e das armas é o mais forte). Impõe-se uma atitude interior de abertura e atenção a esta realidade, sabendo que ignorá-la corresponde ao olhar do sacerdote e do levita que na estrada de Jericó entenderam que o samaritano lançado na valeta nada tinha a ver com eles. Segue-se depois uma atitude de compaixão, isto é, ver, sentir e fazer como seu as esperanças e os dramas do seu próximo para, em consequência ajudá-lo a ter uma vida mais abundante.
O tema não é novo. A nível da Comissão Justiça e Paz dos Religiosos tem estado presente desde 2002, quando se organizou o 1º Encontro sobre o Tráfico de pessoas, com a participação de várias religiosas já envolvidas nessa missão. No Encontro seguinte foi convidado o Chefe de Missão da Organização Internacional das Migrações, bem como um representante do SEF, parcerias que indicam que só num trabalho em rede se consegue vencer a outra rede. O empenho da União dos Superiores e Superioras Gerais tem sido determinante na promoção desta causa, como o foi a realização em Portugal, em Setembro de 2006, de um Seminário para religiosas, que terminou com a criação da Comissão de Apoio à Vítima de Tráfico (CAVITP). Este foi o 3º Encontro de Formação, que envolveu perto de uma centena de agentes da pastoral social. Ficou manifesto nas suas conclusões a necessidade de um trabalho mais ordenado e articulado, a promoção de uma espiritualidade com os pés na terra, que não remeta essas questões para os políticos e especialistas, constituindo neste caso a paróquia “um lugar privilegiado e estratégico para a sensibilização, informação e prevenção no combate ao tráfico”, um espaço onde as possíveis e as reais vítimas têm direito a encontrar acolhimento, compreensão e apoio, sempre e sobretudo quando as outras portas já se fecharam na sua cara.
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