Lisboa |
Visita Pastoral à Paróquia do Lumiar
“A comunhão é um testemunho que atrai e que todos entendem”
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A Paróquia do Lumiar é uma das mais antigas da cidade de Lisboa – tendo celebrado recentemente 750 anos – e recebeu a Visita Pastoral, com D. Joaquim Mendes a convidar à comunhão e à missão. Confiada aos Jesuítas, a paróquia triplicou, nos últimos dois anos, o número de crianças na catequese e acolhe agora os Jovens GVX, movimento de espiritualidade inaciana.

 

Confiada desde há 11 anos à Companhia de Jesus (Jesuítas), a Paróquia de São João Batista do Lumiar foi desafiada à comunhão pelo Bispo Auxiliar de Lisboa D. Joaquim Mendes. “A Visita Pastoral é um acontecimento de graça para a comunidade que a recebe e para o Bispo que a realiza. Faz-nos sentir ‘família’, Igreja, povo de Deus em caminho e em missão de anúncio e testemunho do Evangelho, na diversidade e riqueza dos dons, carismas e ministérios. Procurai cultivar a comunhão na comunidade, amando-vos uns aos outros como o Senhor nos mandou, apoiando-vos mutuamente, cuidando uns dos outros, caminhando juntos”, salientou D. Joaquim Mendes, na Missa vespertina de dia 25 de novembro. Na igreja paroquial do Lumiar, o Bispo Auxiliar sublinhou depois que “a primeira forma de evangelização é o testemunho de comunhão, como acontecia com os primeiros cristãos”. “A comunhão é um testemunho que atrai e que todos entendem, crianças, jovens e adultos e que vai ao encontro de um desejo profundo que está em todos, porque fomos criados para a comunhão – comunhão com o Senhor e comunhão entre nós”, manifestou.

Na sua homilia, D. Joaquim Mendes lembrou ainda o tema do ano pastoral no Patriarcado de Lisboa, ‘Fazer da Palavra de Deus o lugar onde nasce a fé’. “Valorizar este tesouro que é a Palavra de Deus. Toda a evangelização está fundada sobre a Palavra de Deus escutada, meditada, vivida, celebrada e testemunhada”, apontou.

 

Igreja, família, missão

Antes desta celebração, na tarde do passado sábado, o Bispo Auxiliar de Lisboa encontrou-se com as crianças e adolescentes da catequese e os Jovens GVX (Grupos de Vida Cristã), tendo sublinhado três palavras: Igreja, família e missão. “A Igreja somos nós. Eu, vocês, os vossos pais, aqueles que encontraram Jesus, receberam o batismo e formam a comunidade dos discípulos de Jesus. Nesta Igreja somos todos irmãos, somos uma família, a família dos filhos de Deus. A paróquia é uma família de famílias e vocês são o futuro desta Igreja, a quem Jesus quer confiar o Evangelho. Quer confiar para que vocês o confiem a outros, o transmitam a outros. É assim este dinamismo da fé: receber e depois transmitir. A fé cristã cresce em nós também na medida em que nós a partilhamos”, salientou.

Seguiu-se um encontro com os catequistas e os animadores dos grupos de jovens, com D. Joaquim Mendes a começar por “agradecer” o trabalho destes leigos e a lembrar palavras do Papa aos catequistas. “A primeira coisa que o Papa Francisco diz é que a catequese constitui uma coluna para a educação da fé. A vida nova que as crianças recebem no batismo, é uma vida nova para crescer, para desabrochar, para frutificar. Diz o Papa: ‘Educar na fé é maravilhoso’. É talvez a melhor herança que possamos deixar a alguém”, referiu o Bispo Auxiliar, deixando um convite aos catequistas e animadores para “ajudarem as crianças, os adolescentes, os jovens e os adultos a conhecerem e a amarem, cada vez mais, o Senhor”. “Tudo que fazemos deve ter uma finalidade clara: conduzir as pessoas ao encontro de Jesus”, reforçou.

 

Proximidade e conhecimento

A Paróquia do Lumiar foi criada em 1266, sendo por isso uma das paróquias mais antigas da cidade. “O ano passado assinalámos os 750 anos e creio que, como paróquia jurídica, em documentos que haja, será das paróquias mais antigas de Lisboa”, enaltece ao Jornal VOZ DA VERDADE o pároco, padre João Caniço. Contudo, a localização da igreja paroquial não é a melhor, uma vez que a freguesia é atravessada por uma via rápida que divide a zona residencial do espaço da paróquia. “É como ter a igreja em Alcântara e os cristãos em Almada, porque a Avenida Padre Cruz funciona como o Rio Tejo, dividindo a paróquia”, lamenta o sacerdote jesuíta, que está presente na paróquia há três anos.

Foi esta paróquia da Vigararia Lisboa IV que recebeu, de 22 a 26 de novembro, a Visita Pastoral, com o pároco a fazer “um balanço muito positivo” da presença de D. Joaquim Mendes. “Foi uma visita que dá alento, dá coragem e dá ânimo”, reconhece o padre João. “Sentimos que foi muito positiva esta ocasião de maior aproximação e conhecimento mútuo entre os pastores e as ovelhas, entre o pastor e o rebanho a ele confiado. Cada um de nós, ovelhas mais responsáveis, sentimos, ao mesmo tempo, que estamos a avançar no bom caminho, apesar de, nalguns pontos, apenas estarmos a dar os primeiros passos”, frisa. Este sacerdote destaca o encontro com os Conselhos Pastoral e Económico, que “reviram a sua atividade e tomaram consciência da importância do seu papel e da sua missão na vida da comunidade cristã”. “Tudo recebemos com simplicidade”, garante.

Ao longo de quatro dias, o Bispo Auxiliar de Lisboa visitou as instalações da igreja, a Capela de São Sebastião, no Paço do Lumiar, os Colégios de São João de Brito e Manuel Bernardes, o Centro Social da Musgueira, o Lar da Princesa Santa Joana e o CAJIL (Centro de Apoio a Jovens e Idosos do Lumiar). “Infelizmente, pela partida de D. José Traquina para a Diocese de Santarém, o tempo de D. Joaquim acabou por ser muito limitado, não permitindo sequer um encontro dominical mais alargado com a comunidade em geral e também algumas visitas a pessoas acamadas e a mais alguma instituição”, lamenta o pároco do Lumiar.

 

Crescer junto das crianças e jovens

Nos últimos dois anos, a Paróquia do Lumiar quase triplicou o número de crianças e adolescentes na catequese. “Para aquilo que a paróquia devia ter, temos muito poucas crianças na catequese. Estamos a falar de cerca de 150. No entanto, em relação ao que tínhamos há dois anos, 52 crianças, aumentámos o número e temos feito um esforço nesse sentido”, refere o padre João Caniço, de 75 anos, destacando o esforço dos 22 catequistas. Contudo, o período entre o batismo e o início da catequese, com cerca de 6 anos, é “o mais difícil de acompanhar”. “Ontem mesmo realizei o 129º batismo, neste ano de 2017, e ainda estamos em novembro e temos mais seis ou sete batizados marcados. Por isso, no final deste ano, teremos cerca de 135 crianças batizadas. É legítimo pensar, com a promessa dos pais, que houvesse, pelo menos, em cada ano, a entrada de cerca de cem crianças na catequese, mas, infelizmente, são apenas umas 15 ou 20, o que é muito pouco”, salienta.

A Paróquia do Lumiar tem atualmente cerca de oito grupos de Jovens GVX (Grupos de Vida Cristã), um movimento de espiritualidade inaciana, cada uma média de nove, dez elementos por grupo. “São grupos de reflexão e de alguma ação, compostos por jovens a partir do 8º ano e até à universidade, com reuniões quinzenais”, descreve o padre João. O sacerdote jesuíta lembra que este movimento “sempre esteve independente, por toda a cidade de Lisboa, sob orientação dos Jesuítas, sobretudo do Colégio de São João de Brito e do CUPAV”. “Desde o início deste ano pastoral, formaram-se na paróquia, sob orientação de guias, diversos grupos e recebemo-los de coração aberto”, garante o pároco do Lumiar.

texto e fotos por Diogo Paiva Brandão
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