Na celebração de entrada solene na Diocese de Santarém, D. José Traquina apontou a pastoral social como o centro do caminho da diocese escalabitana, nos próximos anos. Perante largas centenas de fiéis, o antigo Bispo Auxiliar de Lisboa defendeu o “testemunho” da presença de Deus, em família, e apelou a novas “propostas” de transmissão da fé.
A entrada solene de D. José Traquina na sua nova diocese levou largas centenas de fiéis à Igreja de Santa Clara, em Santarém, no passado Domingo, 26 de novembro, Solenidade de Cristo Rei. Recebido em festa, o novo Bispo de Santarém definiu a preocupação pelos mais pobres como uma das prioridades para a sua nova missão episcopal. Através do Evangelho proclamado na celebração, “ficamos a saber que Jesus se identifica com os esfomeados, os peregrinos, os pobres, os doentes e os presos. Mas, ‘quando é que te vimos?’, perguntam os que são recompensados pela sua boa ação. Foi por puro amor generoso ao necessitado que agiram, não foi por outro objetivo. O pobre não é um trampolim para o benfeitor chegar a Deus, é antes o provocador do próprio encontro com Deus. ‘O que fizestes a um dos meus irmãos mais pequeninos, a Mim o fizestes’”, referiu D. José Traquina, na homilia da celebração que reuniu muitos membros do clero de Lisboa e de Santarém.
Nomeado recentemente presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana, da Conferência Episcopal Portuguesa, D. José Traquina apontou a pastoral social como oportunidade para olhar cada pessoa como “imagem e semelhança de Deus, seja pobre, doente, deficiente ou até mesmo tenha cometido um crime e esteja na prisão”. “A Pastoral Social não é um anexo ou um apêndice na vida da Igreja, faz parte da sua identidade e missão evangélica. E o que mobiliza a Igreja não é uma ideia que se impõe, mas um Amor que se propõe e se traduz em corações renovados e em tantas concretizações do bem comum na edificação da sociedade”, sublinhou o novo Bispo de Santarém, agradecendo também o testemunho dos cristãos que o “ajudaram a crescer na sensibilidade e atenção aos mais pobres da sociedade” e “aos mestres” que “ensinaram a tudo interpretar à luz do Evangelho”.
Gratidão
As primeiras palavras proferidas por D. José Traquina à sua nova Diocese de Santarém expressaram igualmente a “gratidão” para com a “Diocese-mãe de Lisboa” onde “nasceu e cresceu na fé” e onde desempenhou, desde 2014, as funções de Bispo Auxiliar. O prelado também agradeceu ao Cardeal-Patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, “pela ajuda na formação” e pelo “exemplo de dedicação extrema” no ministério episcopal, e lembrou o percurso de seminarista, formador e pároco que foi percorrido desde a sua entrada para o seminário, em 1980.
Agradecendo igualmente ao Papa Francisco, pela nomeação, e ao anterior Bispo de Santarém, D. Manuel Pelino, pelo testemunho, D. José Traquina apontou para a diocese escalabitana dois objetivos que se juntam aos anteriormente propostos: “Testemunhar e propor”.
Na pastoral da família, o objetivo é “testemunhar a fé, a presença de Deus na vida individual, nas famílias e na comunidade”. “A presença de Deus na vida humana não diminui a dignidade de ninguém; é uma graça que gera segurança e previne de escravaturas, antigas e novas”, salientou.
Dirigindo-se ao ‘seu’ novo clero, o Bispo de Santarém pediu o testemunho do dom da fé, “com a Palavra e com a vida”. “Na Igreja espera-se que os ministros ordenados manifestem cuidados e bondade pelo rebanho, agindo com verdade ao jeito de Jesus Cristo, o Bom Pastor”, lembrou D. José Traquina, convidando os padres e diáconos desta diocese a cuidarem “de forma permanente da qualidade do exercício do ministério, pois a hierarquia da Igreja deve estar na primeira linha do testemunho de vida cristã”, salientou.
Para os novos tempos, o prelado pediu também “propostas do encontro com Cristo, propostas de encontro com o Evangelho”. “Não podemos esperar que a transmissão da fé aconteça em ambiente familiar com a mesma facilidade de outros tempos”, alertou, apontando as comunidades cristãs e os movimentos de apostolado como principais veículos dessa mensagem. “O mundo tem necessidade do testemunho e das propostas dos cristãos. A fidelidade ao Evangelho e à oração, permite-nos redescobrir o olhar misericordioso de Jesus sobre nós, o dom de Deus que nos humaniza e nos renova. E permite-nos também ver a multidão de pessoas que são amadas por Deus e não o sabem”, referiu o prelado, de 63 anos.
No final da homilia, D. José Traquina classificou aquela celebração como um momento de grande “alegria”. “Alegria porque sabemos quanto bem o Senhor nos quer e quanto bem Ele quer que aconteça na Igreja e no mundo. Alegria porque, apesar de pecadores e frágeis, o Senhor não desiste de nós e olha-nos com o seu Amor indestrutível”, salientou o novo Bispo de Santarém, que no término da celebração foi saudado pelos fiéis, no Convento de São Francisco.
Proximidade e solicitude
No dia anterior à entrada solene, D. José Traquina tomou posse como Bispo de Santarém, numa celebração que decorreu na Sé Episcopal. Num momento de “especial significado para a história” da Igreja escalabitana, D. José Traquina referiu que conta com a “colaboração dos presbíteros, diáconos, religiosos e leigos que exercem missões de responsabilidade na Diocese” e garantiu a todos “proximidade e solicitude pastoral procurando, como ensinou São João Paulo II acerca do Bispo, proceder como um pai, um irmão e um amigo”. Para o novo Bispo de Santarém, a Igreja continuará a “crescer” na missão, “na medida da sua fidelidade ao Evangelho e à vontade do Pai”.
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Diocese que fomente a “cultura do encontro”
Numa intervenção no início da celebração da entrada solene de D. José Traquina na Diocese de Santarém, no passado Domingo, 26 de novembro, o Vigário Geral da diocese escalabitana, padre Aníbal Vieira, deu as boas-vindas ao novo Bispo e desejou que a nova missão de D. José Traquina possa “fomentar a cultura do encontro”. “Temos esperança que nos ajude a fomentar a cultura do encontro, como tantas vezes refere o Santo Padre, o Papa Francisco, a cuidar do serviço da caridade como uma dimensão constitutiva da missão da Igreja e expressão irrenunciável da sua própria essência, a ser uma Igreja que pratica a diakonia da caridade a nível comunitário, nas pequenas comunidades locais, abrindo-se à Igreja universal e ao cuidado com a ‘casa comum’, com empenho de todos os fiéis e dos homens e mulheres de boa vontade”, desejou o sacerdote, de 55 anos.
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Diocese de Santarém
A Diocese de Santarém tem cerca de 3 mil quilómetros quadrados e abrange 13 dos 21 concelhos do distrito, num total de 7 vigararias e 113 paróquias. Desmembrada do Patriarcado de Lisboa, a diocese foi criada a 16 de julho de 1975, pela Bula ‘Apostolicae Sedis Consuetudinem’, do Papa Paulo VI, que, no mesmo dia, nomeou como primeiro Bispo D. António Francisco Marques, falecido em 28 de agosto de 1997, sucedendo-lhe D. Manuel Pelino, Bispo de Santarém nos últimos 19 anos. Antigo membro do clero de Lisboa, D. José Traquina é, desde o passado Domingo, o terceiro Bispo da diocese escalabitana.
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