No passado dia 13 de Maio (ele há coincidências… ou não!) fomos surpreendidos com a aprovação no Parlamento de uma lei sobre as “barrigas de aluguer”. Não houve discussão pública; ninguém informou ninguém. A lei surgiu praticamente do nada, veio silenciosa para não existir oposição.
O tema constava apenas do programa eleitoral de um partido – o habitual. Poucos deputados tiveram a coragem de votar contra esta lei. Afinal estas matérias prestam-se a tornar-se “moeda de troca” dentro dos partidos políticos: não dizem respeito à economia; não se fazem sentir directamente no bolso dos contribuintes; fazem parte dos temas rotulados como “progressistas” (e todos querem ser “progressistas”, pelo menos “nestas fotos”: parece bem à comunicação social, e com este “leve toque progressista” fica equilibrada a balança com aquelas vezes em que é necessário votar medidas mais desagradáveis).
Poucos se questionaram seriamente. Afinal, de quem é o filho que vai nascer? Daquela que, durante 9 meses o gerou no seu seio – que o alimentou, que sofreu com ele, que lhe transmitiu alegria ou tristeza, e a quem o bebé viveu ligado por um cordão umbilical? Ou será filho de quem pagou o aluguer do ventre materno, porque gostava desesperadamente de “ter” um filho (entenda-se: inteligente, de corpo perfeito e sem defeitos)? Pobres seres humanos…
E não se defenda que isto diz apenas respeito a quem acha que “tem direito” a ter um filho assim (como se um ser humano pudesse ser fruto de um direito de outro sobre ele).
Como me parece óbvio, este assunto diz respeito a toda a sociedade portuguesa. Porque o nascer, o viver e o morrer dizem respeito a todos. Têm a ver com o que somos e com o que queremos ser. Não só individualmente mas como sociedade.
O facto é que querem mudar Portugal. Daqui por uns tempos, também a nossa nação não se irá reconhecer nas leis que a regem e na sociedade que elas criam. É assim como uma “barriga de aluguer”… Não se sabe quem o gerou, nem o próprio país irá saber quem é, de onde vem e para onde vai.
Entretanto, vivemos felizes e contentes porque nos garantem que a austeridade acabou.
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