DOMINGO VI DA PÁSCOA Ano C
“[O Espírito Santo] vos ensinará todas as coisas
e vos recordará tudo o que Eu vos disse.”
Jo 14, 26
De tempos a tempos, a coincidência das datas une o dia do Trabalhador e o dia da Mãe no primeiro Domingo de maio. E ainda que haja a pena de “um feriado a menos” é uma coincidência interpeladora, pois quem melhor que as mães para nos dizerem: “tenho ainda tanto que fazer!”? Na verdade, mesmo com a maior colaboração entre sexos, e as responsabilidades partilhadas na vida familiar, será que nos atrevemos a “pesar” o trabalho de uma mãe ao longo de um dia, ou até da vida? Quando parece que já nada há mais para fazer lá descobrem mais uma coisa fora do lugar, e aquela tarefa que não pode ficar para mais tarde! São quase como o Espírito Santo que não se cansa de nos “ensinar e recordar” todas as coisas, ou então como o Pai e o Filho que “trabalham sempre” (cf. Jo 5, 17).
Ao criar-nos, Deus fez-nos à sua imagem e semelhança. Não lemos isso no relato do Génesis? E creio que nos deu a todos o “bichinho” do trabalho, e também uma “costela” de mãe! Não me esqueço de como me impressionou o primeiro documento da Igreja que li, a carta “Laborem exercens” do Papa S. João Paulo II, em plena descoberta de Cristo e da Igreja. Não sei como fui capaz de a ler completamente, mas guardei dela as ideias de Deus nos fazer co-criadores com Ele, e de que “o trabalho humano é uma chave, provavelmente a chave essencial, de toda a questão social, se nós procurarmos vê-la verdadeiramente sob o ponto de vista do bem do homem (n.3)”.
A 35 anos de distância deste documento as questões sobre o trabalho tornaram-se mais complexas, e são hoje fulcrais para o nosso futuro. Na exortação “A alegria do amor” o Papa Francisco sublinha: “O atual sistema económico produz várias formas de exclusão social. As famílias sofrem de modo particular com os problemas relativos ao trabalho” (n.44)”. Para a realização pessoal na construção do mundo e a subsistência numa vida digna, sem trabalho somos menos pessoas, cresce a injustiça, destrói-se o desenvolvimento, e não é possível a paz. Trabalho que nunca pode equivaler a exploração nem escravidão; trabalho que não pode impedir a vida familiar e social, o tempo livre e criativo, a festa e a comunhão com outros. Creio que ainda que tudo nos fosse dado, o filósofo Agostinho da Silva continuaria a ter razão: “Homem com ócio tende a fazer o que não lhe aproveita nem a ele nem aos outros.”
Atento às “parábolas” que o cinema também nos oferece reparo na estreia de dois filmes, coincidentes na estreia desta semana e neste tema: “A Lei do Mercado” e “Um Dia de Mãe”. Apenas guiado pelos trailers e pelos críticos não prevejo obras-primas, mas a possibilidade de olhar e refletir sobre os dramas do trabalho e as relações familiares, o calvário do desemprego e a comédia materno-filial como pretextos para algo mais. Creio que a missão de “ensinar e recordar”, que é própria do Espírito Santo, acontece de muitos modos. Principalmente se estamos disponíveis para o diálogo, a procura de caminhos novos, o compromisso em mudar. Nas mães, então, manifesta-se de modo sublime, e podemos desobedecer e “não ligar”, mas que, no fundo “ela tinha razão” acaba por ser a nossa conclusão. Pelo trabalho e pelas mães, Deo gratias!
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