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Educar para a Vocação: A prova do Amor autêntico
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Com o quarto texto acerca desta missão de educar para a vocação, tocamos a realidade mais universalmente desejada pelo coração da cada um mas tão abundantemente esvaziada pelos encontros e desencontros da vida actual: o amor. A vocação é sempre expressão da iniciativa amorosa de Deus que convoca a uma entrega igualmente amorosa do Homem e que se estrutura numa forma concreta de amar. Mas o que é esse amor? O próprio Jesus responde à questão:

«Assim como o Pai me tem amor, assim Eu vos amo a vós. Permanecei no meu amor. Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, assim como Eu, que tenho guardado os mandamentos do meu Pai, também permaneço no seu amor. Manifestei-vos estas coisas, para que esteja em vós a minha alegria, e a vossa alegria seja completa. É este o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros como Eu vos amei. Ninguém tem mais amor do que quem dá a vida pelos seus amigos.» (cf. Jo 15, 9-13)

 

Muitos dos nossos contemporâneos pretendem definir o amor a partir do afecto e da paixão, mais ou menos espontânea, que ao brotar só pode ser deixada ao seu livre curso sob pena de nos privar da felicidade. Pois Jesus diz-nos claramente que o amor é maior do que essa paixão inicial. O amor autêntico não é apenas um sentimento; ele é mais, é uma atitude, uma entrega, um dar a vida para que ela se multiplique, uma obediência a uma ordem nova: dar, dar mais, dar sempre, dar até ao fim (cf. Jo 13, 1). Tal não é um peso nem um capricho de Deus. Pelo contrário, é um dom de Deus, o dom da sua alegria para que ela esteja em nós e a nossa alegria seja completa.

 

Este novo horizonte do Amor autêntico não cresce espontânea e naturalmente. Precisa ser ensinado e aprendido, na escola do próprio coração de Cristo. Também nesta aprendizagem existem alguns pilares que precisam ser redescobertos:

 

É preciso educar para a vida com projecto. Só quem tem um rumo definido, elaborado a partir daquilo que o Autor da vida vai manifestando, não se perde no enredo de sentimentos, tantas vezes reais e ilusórios, que umas vezes nos motivam e impulsionam, mas outras nos confundem e desviam ou paralisam.

 

É preciso educar para a radicalidade. Esta é própria daqueles que vão à raiz das coisas, que não ficam pelas emoções mais ou menos profundas, mais ou menos efémeras. Só uma vida com raiz permite que esta esteja assente em solo firme e não desabe diante das tempestades e dificuldades do amor.

 

É preciso educar para o sacrifício. O sacrifício é a entrega amorosa de si, até às últimas consequências, até à oferta total. Amar é dar-se, é dar a vida. Só amamos verdadeiramente aqueles a quem nos entregamos. Caso contrário, podemos dar-nos com toda a gente mas não nos darmos a ninguém.

 

É preciso educar para a gratuidade. Trata-se de experimentar a lição do grão de trigo que se não morrer fica só mas se morrer dá muito fruto. (cf. Jo 12, 24). Só uma vida dada desinteressadamente é capaz de multiplicar a vida. Se o que move é o que se recebe, duas pessoas que se "amam" serão duas "sanguessugas" que se "roubam" mutuamente até ficarem vazias. Se, pelo contrário, a sua atitude é dar permanentemente, então multiplicarão o amor e este crescerá sem acabar.

 

É preciso educar para a fidelidade e a confiança. Que em primeiro lugar é fidelidade a Cristo: quem a vive sabe que nada o separará do amor de Cristo (cf. Rom 8, 35-39). Quem aprende a permanecer em Cristo, descobre crescer em si um força mais forte que a traição e a morte. A traição gera traição. A fidelidade gera fidelidade, e tem força para curar feridas e desencontros.

 

É preciso educar para a castidade. O Amor autêntico tem uma ordem, uma harmonia, que varia consoante a maturidade e o estado de vida em que cada um se encontra. Não é afecto desordenado. Tem "ferramentas" próprias que ensinam a ordenar as paixões, canalizar os sentimentos, edificar uma entrega. A castidade é essa virtude que dá a cada um a possibilidade de um amor que se eleva da condição animal ao horizonte da liberdade, ensinando a vivê-lo segundo o projecto de vida assumido a partir do dom de Deus.

 

É preciso educar para a virgindade. O Amor autêntico é uma entrega total, sem reserva, àquele a quem se reconhece querer pertencer. A virgindade é este cuidar de si como de um tesouro, que não se entrega a qualquer um, nem se consome em si mesmo, mas que se guarda para se entregar. Por isso a virgindade é um bem. Se ela é a condição de todos os que ainda não se entregaram em definitivo, na sua forma consagrada, ela é a entrega mais radical a Cristo, por meio de uma união sem reserva, de corpo e alma, na totalidade de si, sem deixar nada de fora. É, por isso, anúncio e antecipação do Céu que foi preparado para todos.

 

Educar para o Amor autêntico é oferecer aos jovens a possibilidade de tocar Deus. E quem toca Deus, descobre-se tocado por Ele e abre-se, confiante, ao seu projecto amoroso.

Padre José Miguel, Sector da Animação Vocacional
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