Como olhamos hoje para a cruz? Há 2 mil anos, a cruz era sinal de vergonha e de sofrimento máximo. Era o lugar da morte dos condenados, dos escravos fugidos à procura de liberdade ou daqueles que colocavam em causa o poder supremo do Imperador. Era a morte dos malditos, executados fora da cidade, de quem se desvia o rosto.
A ninguém passaria pelo pensamento que Deus a pudesse experimentar, morrer numa cruz. Muito menos um judeu. De Deus esperava-se omnipotência; esperavam-se intervenções gloriosas, convincentes pelo seu poder e pelas suas maravilhas – precisamente aquelas tentações a que Jesus foi sujeito antes de iniciar a Sua vida pública.
A cruz, no entanto, tinha-se desenhado no horizonte do Messias já em alguns passos dos profetas, e fora ganhando uma figura terrivelmente concreta ao longo da vida de Jesus. No fundo, se Deus queria salvar a todos, tinha que assumir o destino dos últimos; e se queria salvar o homem todo, tinha que sofrer o todo da vida humana: a morte, aquela morte não apenas física mas também aquela que é afastamento, coração rasgado, solidão, abandono até ao final. Era aí – e apenas aí –, nesse lugar de solidão e esquecimento, onde a morte julgava dominar, que se poderia dar a batalha decisiva – aquela batalha entre a infinita bondade de Deus e o vazio da negação. E o caminho não poderia ser outro que não a cruz.
De então para cá, a cruz é o lugar onde encontramos a maravilha do Amor divino por todos e cada um de nós. É o lugar onde a Vida se tornou, definitivamente, possível e digna para todos.
Não admira pois que S. Paulo apenas se quisesse gloriar na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo (Gal 6,14). Nela, a glória do amor de Deus encontra definitivamente a fraqueza do Homem, toma-a sobre si e oferece-lhe a Vida divina, eterna.
E hoje, no quotidiano dos cristãos e das nossas igrejas, quanta vergonha, quanto embaraço, quantas cruzes deitadas por terra, inclinadas, escondidas ou transformadas simplesmente em “emblema do grupo”…
Como olhamos hoje para a cruz? Como a erguemos diante de todos?
![]() |
Tony Neves
‘Não sejais meros espectadores da história, descei à rua e sede os atores principais da mudança’...
ver [+]
|
![]() |
Guilherme d'Oliveira Martins
De um modo persistente e sem interrupção o Papa Leão XIV tem prosseguido um combate permanente por uma Ética de Paz.
ver [+]
|
![]() |
Tony Neves
O Papa Leão XIV visitou Angola há 3 meses. O tempo vai passando e decantando o essencial dos seus gestos e palavras.
ver [+]
|
![]() |
Guilherme d'Oliveira Martins
A primeira encíclica do Papa Leão XIV, “Magnifica Humanitas”, centra-se num tema de grande...
ver [+]
|