Domingo |
Encontro com os discípulos
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Jesus aparece aos discípulos. Estamos perante a aparição ou o encontro mais importante. È também referida pelo apóstolo Paulo na sua lista de aparições (1 Cor 15,5 «aos doze»). Seja como for, o Quarto Evangelho imprimiu à narrativa características específicas: «a paz esteja convosco». É bastante mais do que uma saudação (ver, a este propósito, o comentário a 14,27).

«Assim como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós». Também esta frase pertence ao padrão específico de João. Nos discursos de despedida (cap.14-16) aparece frequentemente nos lábios de Jesus.

«Recebei o Espírito Santo». Foi a primeira experiência que constatou a Igreja. O Espírito Santo estava nela presente e operante. Se lermos atentamente o livro dos Actos dos Apóstolos, daremos conta de que o verdadeiro protagonista, ao longo da narrativa, é o Espírito. O Espírito seria entendido de diversas maneiras e as suas manifestações são múltiplas. Poderia analisar-se, inclusivamente, o momento no qual esta nova realidade começou a ser vivida por aqueles homens e mulheres, transformando-os. Indiscutível era a sua presença na Igreja como uma realidade viva e operante desde o princípio.


A tentativa de descobrir o modo da sua vinda, implicava necessariamente o recurso à linguagem metafórica (recorde-se Actos 2). O Quarto Evangelho utiliza outra metáfora, proveniente do Antigo Testamento: o Senhor «soprou», tal como por ocasião da criação do homem 8 Gn 2,7; comparar com Ez 37,7-14). O sopro, vento, alento, podem ser sinónimos de espírito, tanto na língua hebraica como na grega. O dom do Espírito aos seus discípulos por parte de Jesus, é descrito da mesma forma que o dom da vida que Deus comunicou aos homens nas suas origens. É que agora estamos na origem de uma nova humanidade, de uma nova criação.


Para que a vida surja, é preciso que a morte seja removida. O dom do Espírito é comunicado como poder que Jesus comunicou aos seus discípulos e aos sucessores dos doze. Os textos paralelos que devem ser considerados explicativos e esclarecedores, são-nos proporcionados por Mateus (Mt 16, 19;18,18). João reformula as palavras de Jesus («chaves», «atar», «desatar») para as tornar mais acessíveis ao mundo grego. Poder de perdoar e de decidir se o comportamento de algum membro da Igreja exigia que fosse dela excluído. A autoridade para tão importante decisão tinha que vir do proprio Jesus; (é particularmente significativo que o quarto evangelho tenha referido que este poder sobre o pecado, poder que Jesus deu aos seus discípulos, porque o conceito do perdão dos pecados está ausente deste evangelho).


A ressurreição é um acontecimento estritamente sobrenatural. Não é nada de admirar que nem todos os discípulos estivessem dela convencida. Em Mateus é laconicamente referida uma notícia muito significativa: «alguns duvidavam» (Mt 28, 17).

João oferece-nos um exemplo concreto, o de Tomé, que se converteu em paradigma de quem exige provas evidentes para acreditar. Não é um paradoxo? Pelo menos no quarto evangelho assim é.

Modelo de incredulidade e de fé. È a mais adequada confissão de fé que encontramos no quarto evangelho: «Meu Senhor e meu Deus». O Antigo Testamento reservava estes dois títulos para Javé. Na confissão de fé que Tomé faz, o Leitor do evangelho compreenderá a peculiar relação de Jesus com o Pai (tema que, por outro lado, se encontra muito frequentemente nos lábios de Jesus). A confissão de fé feita por Tomé, é autêntica confissão de fé por parte do crente. E os crentes fazem-na sem exigirem provas evidentes. Por isso, Jesus declara-os felizes, bem-aventurados.

«Muitos outros milagres fez Jesus…» São palavras com sabor conclusivo. Aqui terminava inicialmente o Evangelho.


Comentário ao Evangelho de João 20, 19-31

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