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Paróquias de Meca e Cabanas de Torres receberam Visita Pastoral
“Ajudai os outros a encontrar Jesus ou a reencontrarem-se com Ele”
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São paróquias vizinhas, que têm o mesmo pároco há quase 20 anos, mas que são “complemente diferentes”, segundo garante o padre Pedro de Gouveia Fernandes. Meca e Cabanas de Torres receberam a Visita Pastoral de D. Joaquim Mendes, Bispo Auxiliar de Lisboa, que convidou as comunidades a cultivarem o dom da fé.

 

“Ajudai os outros a encontrar Jesus ou a reencontrarem-se com Ele. Há muita gente que vive afastada da vida cristã, muita gente indiferente, muita gente que vive como se Deus não existisse. Sede mediação para o seu encontro ou reencontro com Jesus, dizendo-lhes com as palavras e o testemunho da vossa vida que Deus os ama e os chama à comunhão com Ele, que lhes quer oferecer a sua vida, o seu amor e a sua misericórdia”. No passado Domingo, 18 de outubro, Dia Mundial das Missões, nas celebrações de encerramento da Visita Pastoral às paróquias de Cabanas de Torres, da parte da manhã, e Meca, durante a tarde, D. Joaquim Mendes desafiou as comunidades cristãs à comunhão: “Unidos na fé em Jesus e na missão que Ele nos confia, sede uma comunidade empenhada em aprofundar, celebrar, viver e transmitir a fé, antes de mais com um testemunho de comunhão e de amor fraterno”.

Nestas duas celebrações, o Bispo Auxiliar de Lisboa crismou 184 jovens e adultos (97 em Cabanas de Torres e mais 87 em Meca) e destacou, na homilia, o tema da Visita Pastoral à Vigararia de Alenquer – ‘Confirmados na fé e na missão’ – para deixar pistas aos crismandos para o crescimento da fé. “Abri o vosso coração ao dom da fé e senti o dever de a partilhar com todos. A fé nasce, cresce e confirma-se com a escuta amorosa da Palavra de Deus, com a oração, com a participação na Eucaristia, na vida em comunidade, e cresce e irradia-se com uma vida cristã permeada do amor de Cristo que contagia os outros”.

 

Ser sinal

Cabanas de Torres recebeu a Visita Pastoral ao longo de três dias, entre 16 e 18 de outubro. A chegada de D. Joaquim Mendes à paróquia aconteceu na tarde de sexta-feira, junto à pequena igreja paroquial. “Nós não somos cristãos individualmente. O Senhor chamou-nos a segui-l’O em Povo”, alertou, desde logo. O Bispo Auxiliar de Lisboa apelou depois “à paz, que é um grande dom de Deus, à confiança no Senhor e à esperança”. “Todos somos chamados a sermos testemunhas de Jesus. A missão consiste nisto mesmo: sermos sinais do amor e da misericórdia de Deus”, desafiou.

Nesta conversa com os cristãos de Cabanas de Torres, D. Joaquim Mendes lembrou ainda palavras do Papa Francisco no recente Encontro Mundial das Famílias, em Filadélfia, nos Estados Unidos. “O Papa pede aos casais para nunca se deitarem zangados. Podem zangar-se, mas que nunca fossem dormir sem fazer as pazes”. No final, o Bispo Auxiliar do Patriarcado convidou a paróquia de São Gregório Magno de Cabanas de Torres a conhecer a história do padroeiro. “São Gregório Magno foi um grande Pastor da Igreja. Procurai conhecer a vida dele”, referiu D. Joaquim Mendes, a propósito do Papa Gregório I, da Ordem Beneditina, cujo papado decorreu entre 3 de setembro de 590 e a sua morte, em 12 de março de 604.

Cabanas de Torres é uma pequena terra do concelho de Alenquer, com 6,83 quilómetros quadrados de área e pouco mais de 600 habitantes. É uma terra “de vinicultores”, mas, ao contrário do que se possa pensar, “tem muita população jovem”, assegura ao Jornal VOZ DA VERDADE o pároco, padre Pedro de Gouveia Fernandes, sustentando a sua afirmação nos quase 100 crismandos, “maioritariamente jovens”, que foram confirmados na fé na celebração de encerramento da Visita Pastoral a esta paróquia. “Curiosamente, tive mais jovens crismandos em Cabanas de Torres do que em Meca. Muitos deles deviam estar escondidos naquele monte [Serra de Montejunto], que eu nem sabia”, graceja este sacerdote, que pertence à Ordem dos Cónegos Regrantes da Santa Cruz (Crúzios), lembrando ainda que “quem não tem o Crisma não tem o Batismo completo”.

O padre Pedro lamenta, contudo, que “a catequese em Cabanas esteja muito reduzida”, com somente cerca de dez catequistas. “A catequese tem um grupo bem formado na Paúla, que é uma comunidade da paróquia, e tem outro grupo não tão composto em Cabanas de Torres”, aponta.

Natural da ilha da Madeira, o padre Pedro sublinha “a oportunidade” da Visita Pastoral a esta paróquia, que considera ter sido “muita rica”. “A Santa Missa de encerramento, com os Crismas, decorreu no centro cultural e foi uma celebração com muita serenidade e alegria”, frisa.

 

Conduzir ao encontro com Jesus

A paróquia de Meca tem como ex-libris a Basílica de Santa Quitéria. “Cada um ama a sua igreja, claro, mas esta basílica é a menina dos olhos de praticamente toda esta região”, garante o pároco. Anualmente, são muitos os noivos, “sobretudo da região de Lisboa, mas também vindos de Santarém”, que procuram a basílica para o sacramento do Matrimónio. “É um templo que por si só já evangeliza”, refere este sacerdote, de 65 anos.

Uma das primeiras medidas do padre Pedro Fernandes ao chegar à paróquia de Meca foi “embelezar e enriquecer” o espaço: “Comprámos o órgão, depois iluminámos a basílica, que não tinha luz nenhuma, colocámos vidros para não entrarem pássaros, pusemos toalhas nos altares e melhorámos o som”. Este sacerdote lamenta apenas que a basílica esteja colocada “num lugar sem nada à volta”. “Meca tem apenas quatro famílias. A restante comunidade está toda dispersa pelas montanhas. Quando pergunto às pessoas de onde elas são, respondem-me sempre o nome do lugar e nunca dizem Meca”, lamenta, salientando ainda que a população da freguesia, que ronda as 1500 pessoas, “é muito diferente” da de Cabanas de Torres.

Quando o padre Pedro chegou a Meca, em 1998, a catequese “estava dispersa por todos os lugares da paróquia”. “Canalizei, desde logo, toda a catequese para a basílica”, conta. Foi precisamente na Basílica de Santa Quitéria de Meca que D. Joaquim Mendes se encontrou, na tarde do passado sábado, 17 de outubro, com a catequese desta paróquia, que tem atualmente entre 60 a 80 crianças e adolescentes. Os pais como primeiras testemunhas da fé foi a mensagem inicial do Bispo Auxiliar de Lisboa, que deu o seu próprio testemunho. “Cheguei ao conhecimento de Deus, em primeiro lugar, através do testemunho dos meus pais, que me ensinaram a rezar. Isto parece uma coisa simples, mas é muito importante, porque a maior herança que os pais podem deixar aos filhos é a herança da fé”.

Sublinhando que o objetivo da catequese é “conduzir as crianças, os adolescentes e os jovens ao encontro com Jesus”, D. Joaquim Mendes lembrou o encontro que os Bispos portugueses tiveram com o Papa Francisco durante a visita ad limina, no dia 7 de setembro. “O Santo Padre, no seu discurso, falou da debandada da juventude, que se pode dever a uma débil iniciação cristã. Nos anos da catequese, pais e catequistas não produziram nos jovens e nas crianças o encontro com Jesus. Porque a catequese não é para preparar para os sacramentos, é pra conhecer Jesus e para O servir”, apontou.

O Bispo Auxiliar de Lisboa dirigiu-se, ainda, aos catequizandos, que se faziam acompanhar dos pais e catequistas. “Todos trazemos no coração o desejo de Deus. Não abafeis esse desejo, antes crescei e alimentai este desejo de conhecer, sempre mais e mais, o Senhor”.

 

Encontro com a misericórdia de Deus

O sacramento da Reconciliação tem sido uma das apostas pastorais do padre Pedro de Gouveia Fernandes nas paróquias de Cabanas de Torres e, “especialmente”, Meca. “Quando cheguei às paróquias havia somente a absolvição geral e tenho-me esforçado muito pelo sacramento da Reconciliação. Graças a Deus, nestes anos todos, as pessoas têm correspondido. Ainda agora durante a Visita Pastoral, numa das noites tivemos nove sacerdotes em Meca a confessar para as duas comunidades e foi até à uma da manhã”, frisa. Sublinhando que “a confissão nunca deixa de ser um gesto de humildade”, este sacerdote garante que este sacramento “não tem em vista ‘despejar’ os pecados”, mas ser “um encontro com a misericórdia de Deus e o amor de Deus”. “Na confissão encontramo-nos com a misericórdia de Deus, que é clemente e compassivo e cheio de misericórdia para aqueles que o temem”, assegura o padre Pedro.

Além dos chamados tempos fortes da confissão, “na Quaresma e também no Natal”, o padre Pedro Fernandes está “sempre disponível para atender de confissão”. “Antes ou no final da Santa Missa, e também durante a semana, estou sempre à disposição”, declara, enaltecendo a “convocação do Ano da Misericórdia”, pelo Papa Francisco, que tem início no próximo dia 8 de dezembro. “Costumo dizer: a saúde espiritual de uma pessoa, a saúde espiritual de uma família, a saúde espiritual de uma paróquia não se mede pelo número de comunhões mas pelo número de confissões”.

A Santa Unção, “outro sacramento de cura”, tem sido também uma aposta pastoral do padre Pedro nestas quase duas décadas na Vigararia de Alenquer. “O maior presente que uma família pode dar a um familiar moribundo é chamar o sacerdote para administrar a Santa Unção”, garante. “Tem sido uma experiência muito consoladora na minha vida sacerdotal”.

O padre Pedro de Gouveia Fernandes, pároco de Meca e Cabanas de Torres, assume que é “inquieto por natureza” e “exigente com as comunidades”, procurando “sempre mais e mais” para as suas paróquias. “Eu sou um padre inquieto. Nunca me contento com o que está feito, quero sempre mais, quer no campo espiritual quer no que diz respeito às estruturas das paróquias”, reconhece.

texto e fotos por Diogo Paiva Brandão
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