Domingo |
?Amai-vos uns aos outros?, mas ?como eu vos amei?
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As leituras que a liturgia nos propõe para este VI Domingo aparecem muito focalizadas no tema do «amor».

O Evangelho (Jo 15,9-17) fala dele sete vezes, numa referência explícita a algo que determina a sua relação com o Pai e que deve estimular a relação dos seus discípulos com ele e uns com os outros. Como judeus normais do seu tempo, Jesus e os discípulos conhecem o apelo da Lei ao amor a Deus e ao próximo (Cf. Lc 10,25-28). A novidade não está na evocação do amor, mas na explicitação que Jesus faz: «como o Pai», «como Eu». O acento no «como» introduz uma direcção nova à realização do mandamento do amor. Jesus não nos ama como está prescrito na Lei, ele ama-nos como o Pai o ama. Jesus remete-se à experiência que ele tem do amor do Pai e essa experiência é a medida do seu amor aos seus discípulos («Como o Pai me tem amor, assim Eu vos amo a vós» v.9). Jesus pede que os discípulos integrem esta corrente de amor que o liga ao Pai e que saibam permanecer nela, tal como ele permanece. E isto, não deve ser entendido e vivido como uma simples norma de vida, mas como uma alegria; a alegria de Cristo em nós, e que Jesus define como uma alegria completa («Manifestei-vos estas coisas, para que a minha alegria esteja em vós  e a vossa alegria seja completa» v.11).

 

No entender do autor do texto deste Evangelho segundo João, não existe outra justificação para o mandamento do amor, senão a de uma relação que é fundada no amor. Os discípulos devem amar-se uns aos outros, não por uma obrigação de moral ou de ética religiosa, mas porque eles são convidados a integrar a relação de amor que une Jesus ao Pai. A medida do amor de cada um e de todos os que se dizem ser de Cristo, não é o altruísmo ou até mesmo uma grande piedade. A medida do amor é Cristo («que vos ameis uns aos outros como Eu vos amei» v.12). Os discípulos são chamados a amar como Jesus os amou, não como eles pensam que devem amar. E para que não fiquem dúvidas, Jesus fala de que «ninguém tem maior amor do que quem dá a vida pelos seus amigos» (v. 13). É esta a medida do seu amor, o dom total de si mesmo, feito não no anonimato mas numa relação, bem expresso pelo uso do termo «amigos». Jesus inclui no dom total de si mesmo todos aqueles que hão-de estabelecer uma relação com ele. Entre eles, distingue de um modo particular os discípulos, que diz poder chamar de «amigos» porque participaram de um conhecimento e de uma relação muito íntima que ele teve com o Pai. E para que não exista qualquer vaidade nesta participação, Jesus deixa bem claro que não foi por mérito dos discípulos, mas por uma escolha sua. Não foi para um simples estatuto de superioridade ou de comprazimento, mas para um envio e para a possibilidade de um fruto («Não fostes vós que me escolheste; fui Eu que vos escolhi...» (v.16).

 

Completando este pensamento, o autor da 1Jo 4,7-10 exorta os cristãos a amarem-se uns aos outros, não para obter o prémio do céu, mas simplesmente «porque o amor vem de Deus» e só ele gera «conhecimento de Deus». Deus é amor, não num sentido vago ou simplesmente afectivo, mas com uma forma muito concreta: a pessoa de Cristo. A compreensão cristã que emerge é a de que «não fomos nós que amámos a Deus», foi Ele quem nos amou no dom de Cristo, sublinhando que toda a nossa vida cristã é esta conversão do nosso eu ao Tu de Deus. O amor Cristão parte de Deus e de Cristo e não de si mesmo. Só de olhos em Deus e em Cristo aprenderemos, aos poucos, todos os dias, o que significa amar; o que significa o amor que é dom e o sentido do amor crucificado, o tal fruto de amor que permanece. Só de olhos em Deus e em Cristo, seremos capazes de um amor que se abre a todos e compreende que, enquanto projecto de salvação, Deus tem caminhos surpreendentes para cada um de nós e para a própria Igreja (cf. Act 10,25-48). É este o amor que o salmo 97 canta ao referir «O Senhor manifestou a salvação a todos os povos». Cristo, amor de Deus para nós e em nós.

 

Ir. Luísa Maria Almendra
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