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À procura da Palavra
“Genica” de Deus
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BAPTISMO DO SENHOR Ano B

"Viu os céus rasgarem-se e o Espírito,

como uma pomba, descer sobre Ele”.

Mc 1,10

 

O salto do episódio dos magos para o mergulho no Jordão é enorme, mas a liturgia dá-o em poucos dias. E não é para desvalorizar os cerca de 30 anos da vida de Jesus, mas sabemos muito pouco desse tempo, como sabemos muito pouco do lento germinar das sementes no coração da terra. O certo é que o encontro com João Baptista, que baptizava no Jordão, surpreende todos, a começar pelo próprio João. Jesus toma um lugar na fila dos pecadores para realizar este rito? É algo que parece inconcebível ao pensamento de João, mas Lanza del Vasto explicou-o com grande beleza: “Ao descer às águas do Jordão entrou na nossa vida. O baptismo é para Cristo um segundo nascimento, ou, por outras palavras, uma segunda queda. Para nós o baptismo é um caminho de saída, uma fuga e uma libertação do mal. Para Ele é um caminho de entrada na queda. Entra, pois, pela segunda vez, neste mundo, no mundo das trevas e no mundo dos homens. E que tomou Ele da água do Jordão, da água com limos que corre entre desertos para desembocar no Mar Morto? Tomou os pecados que os outros deixaram lá.”

 

Fico desconsolado quando alguns pais pedem o baptismo para os seus filhos bébés como se fosse uma espécie de “seguro contra todos os riscos”, ou uma garantia para crescerem saudáveis e bem-comportadinhos. E lembro a queixa dos pais do Bernardo (já lá vão alguns anos!) que me telefonavam a perguntar o que lhe tinha feito o baptismo, pois de bébé calmo e prazenteiro em dar descanso aos pais tinha passado a irrequieto e cheio de uma genica que não lhes dava sossego. Penso que respondi algo assim: “Ainda bem. Deve ser a genica de Jesus e do Espírito Santo!” Sinceramente, gostava que os sacramentos fossem muito mais “despertadores” do que “adormecedores” da nossa vida cristã; mais capazes de nos lançar para a luta e para a tensão do que “analgésicos” e “tranquilizantes” de uma vida “assim-assim”. É pobre a comparação, mas não nos demitimos facilmente de ser “fermento no meio da massa” e “sal da terra”, lamentando não estarmos nos tempos míticos da cristandade onde “tudo era cristão”(seria?), e onde “era mais fácil aderirem aos nossos ideiais” (seria?).

Não me lembro nada do dia do meu baptismo (mas ficou para a posteridade a fotografia enviada aos avós, onde o rechonchudo bébé que eu era, apareço esplendoroso num lindo vestido comprido). Mas pouco importa porque o decisivo tem sido esta descoberta do Espírito Santo, em mim, e em tantos outros que vamos descobrindo a alegria de “ser baptizados”. O Espírito que é “genica” de Deus como tão bem disse o Patriarca Atenágoras: “Sem o Espírito Santo, /Deus fica longe; /Cristo permanece no passado; / o Evangelho é letra morta; / a Igreja é uma mera organização; /a autoridade um poder; / a missão uma propaganda; / o culto uma velharia; / e o agir moral, um agir de escravos. // Mas, no Espírito Santo, / o cosmos é enobrecido pela geração do Reino; / Cristo Ressuscitado torna-se presente; / o Evangelho faz-se vida; / a Igreja realiza a comunhão trinitária; / a autoridade transforma-se em serviço; / a liturgia é memorial e antecipação; / o agir humano é deificado.”

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