Esta semana vamos conhecer na primeira pessoa a vocação da Irmã Margarida Morais, membro da Congregação das Irmãs Hospitaleiras que cedo descobriu a sua vocação e a entregou a Deus.
Sentir o perfume de Deus
Acordei no planeta terra, respirando pelos meus próprios pulmões, a 29 de Julho de 1973, e creio que respirei logo um Espírito católico, da família que vim a acrescentar a 5 membros; sendo batizada uma semana depois.
Durante a infância e adolescência, não identifico marcos ou sinais de Deus fortes para fazer uma opção de vida diferente da habitual, que me rodeava, que passaria por constituir família. Mas identifico pequenas sementes, que, ao serem cultivadas, permitiram desabrochar e fazer sentir o perfume de Deus e da gratuidade: a revista Cruzada Missionária, uma biografia da Madre Teresa de Calcutá e algumas lições da catequese.
Servir através da enfermagem
Um marco significativo na minha vida foi, sem dúvida, a participação num Campo de Férias, atividade juvenil, de verão, proporcionada em Condeixa (perto de Coimbra), pela Congregação das Irmãs Hospitaleiras.
Numa casa de Saúde que acolhe e cuida de pessoas adultas com perturbações ou deficiências mentais, um grupo de 13 jovens foi convidado a contactar com estas pessoas acolhidas pelas Irmãs, descobrindo e saboreando o valor da gratuidade, da simplicidade, da alegria e da superação do sofrimento.
Nessa altura, com 17 anos, vi claramente que o Senhor me apontava o caminho da enfermagem, como realização profissional, tendo saído da minha terra natal para ir estudar em Coimbra, onde permaneci por cinco anos: o curso e mais dois de exercício profissional nos Hospitais da Universidade de Coimbra.
Durante estes anos, a semente semeada é alimentada por atividades de carácter relacional, formativo, espiritual e de serviço, que o Movimento da Juventude Hospitaleira proporciona, sendo portanto uma escola significativa na formação da minha personalidade e de questionamento vocacional.
Viver uma revolução vocacional
Entretanto, após dois anos de exercício profissional, percebi que tinha as portas abertas para um possível caminho de felicidade: voluntariado missionário em Moçambique - Nampula, com os Irmãos de S. João de Deus. A Juventude Hospitaleira propõe-me participar numa pequena formação da FEC, que solidificou a decisão de partir. Foram 2 anos de tantas descobertas e alegrias, que só quem já partiu em missão ad gentes, compreende na totalidade.
Aqui surge a grande revolução vocacional, numa batalha de hierarquia de sonhos, vontades, liberdades, desejos, medos. A aventura da vida e da felicidade continuam e uma frase do Ir. Augusto Vieira (Ir. S. João de Deus) permanece na minha mente: “o melhor está para vir!” Decido entregar-me ao primeiro tempo característico de uma opção pela vida consagrada: o postulantado, regressar a Portugal, integrando uma nova família espiritual, dizendo para mim mesma: se algum dia sentir que não tenho liberdade, desistirei. Mas, graças a Deus, o caminho da fidelidade e da liberdade continuou até hoje, em alegrias e aventuras sucessivas.
A formação para esta opção vocacional está muito bem estruturada na nossa Congregação, sendo feito um trabalho interior de aprofundamento das várias dimensões da nossa vida: pessoal, fraterna, espiritual, académica (conhecimento da história da Congregação e do carisma hospitaleiro), realizado quer individualmente, quer em grupo, de forma a conhecermo-nos bem, integrar possíveis desordens afetivas anteriores, purificar motivações, aprender a lidar com os nossos sentimentos, etc.
Em linguagem adaptada, posso dizer que namorei com Jesus oito anos, após os três recebi um anel de comprometida, sentindo já nessa altura que Ele era o Melhor. Mas, só em 2006, na minha paróquia natal, do Teixoso (Covilhã), celebrámos a nossa união definitiva, numa expressão pública de consagração a Ele e ao seu Reino, vivendo em castidade, pobreza e obediência.
Entretanto, durante estes últimos oito anos, o caminho pascal tem sido pautado na encarnação da grande verdade do nosso fundador: “ciência e caridade completam-se”, pelo que continuo a estudar, quer enfermagem, quer teologia, percebendo com maior claridade e adoração a dignidade daqueles que cuido e a beleza de uma vida comunitária, característica da vida consagrada.
testemunho da Ir. Margarida Morais
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