No âmbito da Assembleia Plenária da Comissão Pontifícia para os Congressos Eucarísticos Internacionais, fomos recebidos pelo Papa Francisco a 27 de setembro na Sala Clementina do Vaticano: uma centena de presenças, quase todos delegados nacionais a esses congressos, para além dos membros da comissão vaticana e da comissão local das Filipinas, onde vai decorrer o próximo congresso, em janeiro de 2016.
Ainda antes do encontro com o Papa e após celebrar a Eucaristia presidida pelo Cardeal João Braz de Aviz na Basílica de S. Pedro, vivemos dois momentos orantes muito significativos, no túmulo de São Pedro e na capela onde está sepultado São João Paulo II.
A audiência iniciou-se com a entrada do Papa Francisco, com aquele ar de humanidade e simplicidade que o carateriza, não sem disfarçar algum cansaço. Escutou as palavras de saudação do Arcebispo Piero Marini, presidente da comissão, e tomou a palavra lendo o discurso preparado sobre o tema do próximo congresso, à volta da Eucaristia e Missão, no mote paulino «Cristo em vós, esperança para a glória».
Depois cumprimentou um a um todos os participantes. Quando chegou a minha vez, apresentei-me e acolhi o seu olhar de bênção. Confesso não ter sentido a mesma emoção de encontros semelhantes com João Paulo II e Bento XVI. Mas senti serenidade, alegria e o sopro da nova aragem que ele vai insuflando na Igreja e nas suas estruturas. E rezei para que ele continue o corajoso programa de tornar a Igreja mais purificada na fidelidade ao Espírito de Jesus Cristo. Pensei também no contraste entre a pureza que irradia do seu ser e modo de estar e os tantos aparatos demasiado ritualistas e estagnados nalgumas estruturas eclesiais. O caminho é longo, vai até à eternidade da vida, mas tem que ser ousado e criativo na transformação que o Evangelho da alegria exige.
A bênção final que o Papa Francisco nos doou, por intercessão de Maria, até no «terço» que nos ofereceu, aponta nessa direção de sentido único, porque sopra do Espírito do Evangelho e da Eucaristia, a ser e a indicar novos caminhos de Missão.
Do breve discurso que o Papa pronunciou sobre o tema do próximo Congresso Eucarístico Internacional, ficou sobretudo a ligação íntima entre a Eucaristia, a missão e a esperança. A Igreja deve proclamar com «renovado ardor, recorrendo a novos métodos e expressões», a mensagem da esperança em Jesus Cristo, face à sua carência no mundo. Aqui apelou a todo o dinamismo da nova evangelização.
Transcrevo algumas das suas palavras mais incisivas sobre o tema: «O encontro com Jesus na Eucaristia será fonte de esperança para o mundo se, transformados pelo poder do Espírito Santo à imagem daquele que nós encontramos, cumprirmos a missão de mudar o mundo oferecendo a plenitude de vida que nós mesmos recebemos e pudemos experimentar, levando esperança, perdão, cura e amor a quantos vivem em necessidade, de forma particular os pobres, os deserdados e os oprimidos, compartilhando a sua vida e aspirações, e caminhando com eles em busca de uma autêntica vida humana em Jesus Cristo».
Sobre esta ligação entre Eucaristia e Missão, acrescento palavras igualmente revelantes de Bento XVI, na exortação apostólica «Sacramento da Caridade»: «Não podemos abeirar-nos da mesa eucarística sem nos deixarmos arrastar pelo movimento da missão que, partindo do próprio Coração de Deus, visa atingir todos os homens; assim, a tensão missionária é parte constitutiva da forma eucarística da existência cristã».
Ainda em outubro missionário, tempo pedagogicamente apelativo para a permanente essência da Igreja como missão, importa apontar para a Eucaristia como fonte da missão. A alegria da celebração da morte e ressurreição de Cristo deve ser a mesma alegria do dinamismo da missão a que somos chamados e enviados.
Que os tempos que antecedem e continuam o grande congresso eucarístico internacional de 2016 sejam fecundos desta alegria da Missão na Eucaristia! E que as nossas vidas e comunidades sejam sempre Eucaristia missionária e Missão eucarística!