Os cristãos vivem dias de apocalipse no Iraque. Sem nada, dependem apenas da caridade de instituições como a Fundação AIS. Acossados pelos jihadistas, andam de terra em terra. Fogem do terror. Um padre, que agora vive em Bartella, escreveu ao Papa Francisco a contar toda esta tragédia e a enorme impotência de quem quer ajudar tanta gente.
Não se conhece o diálogo, mas imaginam-se as palavras. Perante o desastre e a impotência em acudir tantas pessoas em fuga, o Padre Behnam Benoka, vice-reitor do seminário católico de Ankawa, e que vive agora numa tenda em Bartella, uma pequena cidade cristã nas imediações de Mossul, escreveu ao Papa Francisco. Este, profundamente comovido com as palavras em lágrimas do padre, telefonou-lhe. Não se conhece o diálogo, mas imagina-se o que lhe terá dito. Alguns dias mais tarde, o vice-director da Sala de Imprensa do Vaticano contou esta história e disse que o Papa Francisco “manifestou profunda comoção pela carta recebida”, e que “prometeu” que vai continuar “a fazer o melhor possível para proporcionar alívio ao sofrimento” dos Cristãos que são perseguidos pelos militantes do Estado Islâmico.
“Não aguentam mais”
Que escreveu o Padre Behnam Benoka nesta carta manchada de lágrimas? Ele falou da “situação terrível” dos Cristãos em fuga da violência dos jihadistas, que “morrem e têm fome e os seus filhos têm medo e não aguentam mais”. O Padre Behnam disse também ao Papa que são poucos os padres, religiosos e religiosas que se encontram no Iraque. São poucos principalmente porque são cada vez mais os que lhes pedem ajuda. Pedir não é a palavra certa: imploram-na. “Somos poucos e tememos não conseguir responder às exigências físicas e psíquicas dos filhos deles, que também são nossos”, leu o Papa Francisco nessa carta.~
Sempre em fuga
Primeiro, foi Mossul, cidade onde viviam milhares de cristãos. No dia 10 de Junho, as milícias jihadistas entraram na cidade com enorme alvoroço. Ameaçaram toda a gente. Apontaram-lhes as armas e fizeram-lhes um ultimato: ou se convertiam ao Islamismo ou morriam. Muitos foram mortos logo nas primeiras horas e as fotografias dos cadáveres correram mundo e ampliaram, ainda mais, a fama sanguinárias destes homens de negro. Os Cristãos viram as suas casas assinaladas, uma a uma, tal como os nazis fizeram aos judeus. Pouco parece ter mudado desde esses dias. Os Cristãos fugiram. Não havia ninguém a defendê-los. Fugiram com o que tinham vestido. Muitos foram ainda apanhados nas malhas do jihadismo e não escaparam com vida. Há também notícias de mulheres e jovens que foram presas, violadas e vendidas como escravas sexuais. O mundo começou a despertar para a tragédia, perguntando como tudo aquilo estava a ser possível. Os Cristãos fugiram para Qaraqosh, uma cidade cristã situada no Curdistão e defendida pelos seus soldados, os peshmerga.
Números trágicos
Qaraqosh nunca tinha visto tanta gente. Todos tinham alguma história em comum. Havia medo nos seus rostos mas também esperança. Durou pouco tempo. No dia 6 de Agosto, a notícia correu de boca em boca como um grito: A primeira bomba caiu em casa dos Alyias e matou logo ali dois primos, David e Mirat, crianças que brincavam no jardim. Uma terceira criança ficou gravemente ferida. “Os jihadistas do ISIS estão às portas da cidade, os peshmerga já não nos defendem. Pega na tua família e foge!” Foram todos embora. Fugiram aterrorizados. Só ficaram os que estavam muito doentes ou que não podiam já sequer caminhar. Aos 50 mil habitantes de Qaraqosh juntaram-se na fuga os de Bartella e Karemlesh. Foram mais de 100 mil pessoas. Os números são trágicos. Só no Curdistão, e segundo estimativas da ONU, haverá mais de 850 mil deslocados. E apenas em Agosto.
História de martírio
Provavelmente não se conhecem, mas as lágrimas do Padre Benoka também falam de Yacoub. A sua casa, em Mossul, é já parte do passado. Agora é apenas um refugiado entre uma multidão de refugiados, um dos muitos que depende da ajuda de emergência que a Fundação AIS já disponibilizou para o Iraque. A sua vida é uma tragédia. A perna, cheia de cicatrizes, não lhe permite esquecer o atentado à bomba contra uma igreja em Mossul, em 2008. Estava lá a rezar quando o petardo explodiu, carregando pólvora e ódio. É já longa a história do martírio dos Cristãos no Iraque. Quando os jihadistas entraram na cidade, Yacoub fugiu com as suas quatro filhas. Foram para Al Qosh. Quando os jihadistas começaram a bombardear Al Qosh, fugiram para Duok, sempre mais para o norte. Yacoub perdeu tudo o que tinha: a casa, os terrenos, o trabalho, a esperança. Fugiu com a roupa que trazia vestida e isso é tudo o que tem agora. A roupa e as filhas. Yacoub não perdeu a fé. Aliás, foi por causa da fé que fugiu. “Antes a morte que a renúncia a Cristo”, costuma dizer. Como poderia o Padre Behnam Benoka ter escrito ao Papa uma carta que não estivesse cheia de lágrimas?
_____________________
SOS IRAQUE
Os Cristãos do Iraque precisam urgentemente da nossa ajuda. Faça o seu donativo para o NIB: 0032.0109.00200029160.73
![]() |
Tony Neves
Mértola é uma vila inspiradora e as localidades do município são belas e acolhedoras. Visitei diversas...
ver [+]
|
![]() |
Tony Neves
Mértola é uma Vila muito interessante, banhada pelas águas do Guadiana, que transpira história por...
ver [+]
|
![]() |
P. Gonçalo Portocarrero de Almada
O Papa “falou sobre liberdade, sobre o que é a verdadeira liberdade: não a liberdade desenfreada...
ver [+]
|
![]() |
Tony Neves
Leão XIV deu mais um toque missionário ao seu pontificado ao anunciar uma visita apostólica a quatro...
ver [+]
|