27.07.2014
A uma janela de Roma
“A violência vence-se com a paz”
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Violência, violência e mais violência. Na semana em que o Papa lembrou que a violência se vence com a paz, antecipa-se a viagem de Francisco à Coreia do Sul, de 14 a 18 de agosto.
1. “A violência não se vence com a violência. A violência vence-se com a paz", disse o Papa Francisco, no passado Domingo, 20 de julho. Na oração do Angelus, no Vaticano, o Papa apelou à oração e ao diálogo e reconciliação, manifestando a sua preocupação com a situação no Médio Oriente e na Ucrânia. “Soube com preocupação as notícias que chegam das comunidades cristãs em Mossul e outras partes do Médio Oriente”, referiu, apelando à oração por aqueles que "são perseguidos, são mandados embora", obrigados a "deixar as suas casas sem ter a possibilidade de levar nada consigo”. No Iraque, os cristãos de Mossul abandonaram em massa a cidade após o ultimato lançado pelo Estado Islâmico, que controla a cidade. O grupo fundamentalista deu até sábado para os cristãos se converterem ao islamismo, pagarem a ‘jizya’, uma taxa religiosa, ou abandonem a cidade. Caso contrário seriam mortos.
2. Ainda no Domingo, o Papa Francisco telefonou ao Patriarca Sírio-católico Youssif III Younan, tendo-lhe assegurado que “acompanha de perto e com preocupação o drama dos cristãos expulsos e ameaçados na cidade iraquiana de Mosul”, informou a Agência SIR. Segundo o Patriarcado sírio-católico, “a conversa durou 9 minutos, durante a qual o Patriarca Younan agradeceu ao Papa e pediu-lhe para intensificar os esforços junto dos poderosos do mundo, colocando-os a par do facto que na Província de Nínive se está a consumar uma limpeza em massa baseada na religião que envergonha pelo silêncio do assim chamado ‘mundo civilizado’”.
No final da conversa, o Papa Francisco concedeu a sua Bênção Apostólica a todo o povo cristão do Oriente, assegurando que a paz e a segurança estarão sempre presentes nas suas orações.
3. O Papa telefonou aos presidentes de Israel e da Autoridade Palestiniana, Shimon Peres e Mahmoud Abbas, respetivamente, para lhes transmitir a sua preocupação perante a atual situação de conflito “que afeta particularmente a Faixa de Gaza”, revelou a Sala de Imprensa da Santa Sé, em comunicado, na sexta-feira, dia 18 de julho. Francisco quis reforçar o apelo à paz que tinha lançado dias antes, no Vaticano, para superar um “clima crescente de hostilidade, ódio e sofrimento” entre israelitas e palestinos, que se tornou uma “grave emergência humana”.
Na mensagem, o Papa diz que deve-se “continuar a rezar e a trabalhar para que todas as partes envolvidas e os que têm responsabilidades políticas a nível local e internacional se comprometam no fim da hostilidade”.
4. O Papa lamentou a “catástrofe” com o avião da Malaysia Airlines. O Vaticano revelou que o Papa recebeu com “consternação” a notícia da queda do avião da Malaysia Airlines na Ucrânia, uma “catástrofe” que Francisco quer ver evitada no futuro. “O Papa reza pelas numerosas vítimas do acidente e pelos seus familiares, renovando às partes em conflito o forte apelo pela paz e por um compromisso para encontrar soluções para o diálogo, a fim de evitar mais perdas de vidas humanas inocentes”, refere uma nota publicada pela Sala de Imprensa da Santa Sé, no dia 18.
O avião da Malaysia Airlines, com 298 pessoas a bordo, fazia a ligação entre Amesterdão e Kuala Lumpur, tendo desaparecido dos radares da Ucrânia a uma altitude de 10.000 metros. O Boeing-777 perdeu a comunicação com terra na região oriental de Donetsk, perto da cidade de Shaktarsk, e palco de combates entre forças governamentais ucranianas e rebeldes pró-russos. Os serviços secretos norte-americanos disseram “acreditar fortemente” que o avião foi abatido por um míssil terra-ar, de origem ainda desconhecida.
5. O Papa Francisco vai-se deslocar à Coreia do Sul, de 14 a 18 de agosto, para um encontro com a juventude católica asiática e a beatificação de “mártires da fé” coreanos. Passaram 25 anos desde a última visita de um Papa à Coreia do Sul. Há, por isso, uma grande expectativa nesta viagem que se prevê histórica a um continente cheio de esperança na evangelização. O grande motivo desta viagem, que vai durar cinco dias, é o encontro com os jovens asiáticos – uma versão asiática da Jornada Mundial da Juventude. Mas existem outras etapas muito importantes a assinalar, tal como uma Missa de beatificação de 123 mártires. Aqui, tal como o Papa João Paulo II, também o Papa Francisco vai beatificar outros tantos na sua visita. É sinal de uma forte presença cristã neste momento do contexto cultural do mundo. A esmagadora maioria dos que vão ser beatificados são leigos, havendo apenas um sacerdote. É manifestação de uma consciência do que é o cristianismo na vida normal.
Na agenda papal, haverá também uma Missa pela paz. Nos últimos dias circularam notícias de que os católicos da Coreia do Norte tinham sido convidados a participar na Missa com o Papa. Sabe-se, porém, que quem se afirma católico na Coreia do Norte é condenado e morto. Basta até ter uma Bíblia. Apesar disso, segundo o Arcebispo de Seoul, houve mesmo um convite formal enviado para a Coreia do Norte mas até agora ainda não houve resposta.
Aura Miguel, à conversa com Diogo Paiva Brandão