Não estão presos mas não se sentem livres. Em Belém, na terra onde nasceu Jesus, a taxa de desemprego é enorme e os cristãos vivem apenas dos rosários e de outras peças que fazem em casa com madeira das oliveiras. Victor Tabash, um artesão, acredita que os terços que faz em casa valem mais do que apenas o sustento da sua família: são um instrumento para a paz no mundo.
Victor Tabash não esconde o entusiasmo. O Papa Francisco está na Terra Santa e vai a Belém, precisamente a cidade onde vive. Belém, onde Jesus nasceu, faz hoje parte da Cisjordânia, território da Palestina. Por uma questão de segurança, por causa dos conflitos que há na região, Israel decidiu construir um muro gigantesco de cimento, com cerca de oito metros de altura, que isola a Cisjordânia.
Por causa desse muro, não se pode circular livremente. Há ‘checkpoints’ e as autoridades israelitas são muito rigorosas. As autorizações de passagem são válidas apenas entre as 6 horas da manhã e as 7 da tarde. Isto é para todos. Os cristãos não são excepção. Victor Tabash está entusiasmado com a visita do Papa Francisco, pois acredita que poderá contribuir para aliviar um pouco a tensão que se vive na região. “Vivemos a 5 minutos de Jerusalém mas não podemos entrar! Não é uma vida fácil. Somos tratados como terroristas!”
Pequenos artesãos
Há cada vez menos cristãos na Terra Santa. Calcula-se que sejam menos de 2 % da população geral. Na sua esmagadora maioria, vivem do turismo. Sempre que a situação política se agudiza ou se fazem ouvir ameaças de atentados terroristas, as fronteiras fecham-se ainda mais. Sem paz, não há turistas, não há trabalho. Victor sabe bem o que isso significa.
A maioria dos cristãos da Terra Santa, como Victor, são pequenos artesãos. Com a madeira das oliveiras, fazem presépios, terços, recordações. Muitas vezes, esse é o seu único trabalho. Muitas vezes, esse é o seu único sustento. Vivem disso. “Tenho agora quase vinte e quatro famílias que trabalham connosco regularmente. Trabalham em casa, fazendo os rosários, polindo-os e pondo-lhes o fio. Trabalham arduamente. A maioria deles é muito pobre. Neste momento, dependemos praticamente dos pedidos que nos chegam através da Fundação AIS”.
Rumores de guerra
Victor sabe, como poucos, como é instável a situação política na Terra Santa. Ainda agora, voltaram à estaca zero as conversações de paz entre Israel e a Autoridade Palestiniana, por causa da reconciliação desta com o Hamas, organização que diversos países consideram terrorista e que defende a destruição do Estado de Israel.
Os cristãos são cada vez menos na Terra Santa. Por serem tão poucos, parece que o mundo não escuta a sua voz. O Patriarca Latino de Jerusalém esteve há poucos dias em Portugal, tendo presidido à Peregrinação de 12 e 13 de Maio a Fátima. Recordam-se das suas palavras? D. Fouad Twal falou de um tempo perigoso no mundo mas particularmente “explosivo” no Médio Oriente. Falou do fanatismo religioso de “grupos islamitas ou de grupos de judeus extremistas”; falou dos ‘checkpoints’ dos “militares israelitas que impedem a livre circulação dos habitantes”; falou das “centenas de milhar de refugiados”, pessoas que perderam tudo, até “a sua dignidade”; e falou da guerra e dos rumores de guerra.
O poder da oração
O Patriarca lembrou também os “muros que separam famílias, paróquias e terrenos” de que tanto se queixa Victor Tabash. E pediu-nos orações pelos cristãos que vivem na Terra Santa. “Vim de Jerusalém para vos pedir também que rezeis por todos os habitantes da nossa região: cristãos, judeus, muçulmanos: Por todos. Por favor, não vos esqueçais particularmente dos vossos irmãos, os cristãos da Terra Santa. Podeis ajudá-los rezando por eles, mas também – cada um no seu campo de acção – contribuindo para que se cumpram as leis internacionais e os verdadeiros direitos das nações, e que volte a paz à terra do Príncipe da Paz”.
Os tempos estão difíceis, sim, mas é preciso nunca desistir. Há cada vez menos cristãos na Terra Santa, mas eles podem ser a chave, mesmo assim, para o apaziguamento das tensões na região. Fazer pontes é o contrário de construir muros. Victor Tabash está entusiasmado e tem um sonho. Ele acredita que a situação vai melhorar. “O mais importante é as pessoas rezarem pela paz na Terra Santa, pela paz real aqui.”
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Terço de Belém | apenas 3 euros
Estes terços têm um significado profundo. Feitos à mão em madeira de oliveira por famílias católicas que vivem sitiadas em Belém, na Palestina. Ao adquirir estes terços, para além de rezar pela paz no mundo, em especial na Terra Santa, estará a ajudar a sobrevivência destas famílias. Eles contam com as suas orações e solidariedade.
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