Missão |
Linda Furtado
Partir em missão era um sonho antigo
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Linda Furtado nasce no município de Santa Cruz, na ilha da Madeira, a 14 de julho de 1963. Da sua infância lembra-se das brincadeiras ao ar livre com a sua irmã mais velha, Lina. A sua brincadeira preferida, recorda, era competir com a água que corria veloz nas levadas. Linda não parava um minuto. Foi sempre uma criança muito ativa e, diziam os pais, um pouco traquina.

 

Até aos 16 anos de idade viajou bastante com os pais que, por força de imposições laborais, tiveram de imigrar para a Swazilândia e para Moçambique. Esta vida de imigrante marcou-a profundamente e fez com que ficasse com África no coração desde então. Sabia que um dia mais tarde iria voltar à terra quente.

Linda casou e foi mãe muito nova, aos 18 e 20 anos respetivamente, pelo que esse regresso foi sendo adiado até que a filha, Vanessa, estivesse mais “crescidinha”.

 

Preparar a Missão e… partir

Há cerca de três anos teve contacto com a Associação dos Leigos Voluntários Dehonianos e embarcou numa viagem de preparação com aquela Associação, para a Missão. Depois de ter recebido formação e de se ter preparado para partir, recebeu com grande entusiasmo a notícia de que poderia partir por um mês para Niassa, em Moçambique, como voluntária. “Conheço a realidade Moçambicana pelas vezes que visitei o país, pelo que não estranhei. Embora não conhecesse a província do Niassa, em nada é diferente das outras províncias de Moçambique. É uma terra onde falta sobretudo conhecimento e a população está bem consciente desse problema e deseja-o. Percebi, através do contacto que estabeleci com as pessoas, que embora sendo um povo simples sabe o que é essencial para o desenvolvimento do país: mais conhecimento e melhor informação.”

Nesse sentido, o projeto no qual foi inserida foi bastante útil, pois atuou na base da educação, com os mais pequenos. “Nas escolinhas um dos grandes problemas dos educadores é não terem materiais adequados para poderem desenvolver as atividades próprias e inerentes ao desenvolvimento da criança. Outro grande problema é a informação/formação que necessitam para melhorarem o seu trabalho enquanto educadores. A Internet existe e está disponível, no entanto, não há recursos financeiros que permitam o acesso à mesma”.

 

Palavras

Linda gostava de ter ficado mais tempo, e apesar de nunca ter trabalhado com crianças não sentiu dificuldades em interagir com elas e desempenhou com muito entusiasmo todas as atividades. O ritmo de trabalho foi muito intenso, pois rapidamente percebeu que era importante passar o maior número de informação possível.

Nos momentos de exaustão física, que houve, Linda conta-nos que lhe valeram as palavras do Pe. Nuno, responsável dehoniano, que no último domingo antes da partida do grupo para Moçambique lhe disse: “quando estiverem cansados pensem em todos os que cá ficaram e vos ajudaram nesta vossa missão”.

Estas palavras ajudaram-na a esquecer o cansaço e aumentaram a sua capacidade de entrega e de sacrifício mesmo nos dias em que esteve doente, pois embora o corpo pedisse algum descanso e as dores incomodassem, a disponibilidade para o outro pesou mais forte.

“Foi muito importante a preparação feita em Portugal, pois apesar de ter mais de 20 anos de experiência como formadora, nunca tinha trabalhado na área da Educação Infantil, tendo sido de maior relevância as pesquisas que fiz na área e as orientações que me foram dadas por algumas amigas Educadoras de Infância.”

 

Gota de água no oceano

Constatar a capacidade de entrega e de serviço por parte de algumas pessoas com quem se cruzou no Niassa, reduziram a sua participação como voluntária neste projeto a uma gota de água no oceano. “Sei que todas as gotas de água são importantes e por isso estou disposta a ir muitas mais vezes”, confessa-nos Linda. “Sentir o agradecimento de um povo só pela simples razão de eu estar lá e poderem partilhar comigo alguma da sua cultura foi também muito gratificante, fez-me sentir bem e integrada na comunidade.”

Perante os novos desafios do projeto Linda não teve qualquer dificuldade em prepará-los e em executá-los, pois a sua experiência profissional, enquanto economista e formadora profissional, bem como as suas características pessoais, permitem-lhe ter uma extraordinária capacidade de adaptação e concretização.

“Ao nível das relações humanas tive de lidar com pessoas diferentes o que é normal quando se trabalha em equipa. Os problemas foram sempre resolvidos, com mais ou menos discussão, é certo, mas sempre nos momentos próprios, isto é, durante as reuniões de avaliação diárias e nunca à frente de terceiros. Não saí zangada de Lichinga com ninguém. Tive algumas reações de quem já finalizou o projeto e já só quer descomprimir e reage “em família”. Na minha família, às vezes, discutimos e temos reações mais emotivas, mas ninguém fica zangado com ninguém. Durante um mês fizeram parte da minha família as 3 voluntárias que estiveram comigo no projeto das escolinhas. É assim que as sinto.”

O que mais recorda neste grupo das quatro é a camaradagem, o espírito de interajuda e as boas gargalhadas que foram dando ao longo do mês.

texto por Vanessa Furtado, FEC – Fundação Fé e Cooperação
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