Domingo |
«Chegou a hora em que este mundo vai ser julgado»
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Toda a gente vai atrás d’Ele. Era este o receio dos judeus. Mas a afirmação serve igualmente para introduzir a cena seguinte, a apresentação dos gregos que desejavam ver Jesus.

Estes gregos representam o mundo pagão, todos aqueles que não são judeus.

O Quarto Evangelho, tal como os Sinópticos e Paulo, parte do facto de a evangelização dos pagão se ter iniciado depois de terminado o ministério terreno de Jesus. Foi tarefa dos discípulos de Jesus, da Igreja. É significativo que o desejo de ver Jesus não tenha sido satisfeito. Na descrição que o evangelista faz da cena, não há resposta àquele desejo. Simplesmente porque ele só podiam ver Jesus através do ministério dos discípulos e este ministério só começou depois de Jesus ter sido glorificado.

O episódio dos gregos desempenha outro papel importante na narrativa de Jesus: o seu aparecimento indica que chegou a “hora” de Jesus, a hora da sua paixão-glorificação. Só agora, a partir deste momento, a obra de Cristo e o seu Evangelho se abrirão a todos os homens, caindo as barreiras que o impediam (V.25).

Glorificação através da paixão. Como o grão de trigo que, para dar fruto, tem que cair na terra e corromper-se para poder germinar. Não morre de todo, mas tem que ser sepultado para produzir nova vida. O ditado e a realidade que figura são validos no caso de Cristo, mas também no caso dos discípulos (V. 25).

Imediatamente depois de proclamar a lei universal do serviço e do sacrifício de Si próprio, Jesus perturbou-se. Tal como diante do tumulo de Lazaro. «Agora a minha alma está perturbada…» é a versão da cena de Getsémani transmitida pelo Quarto Evangelho. Ao pensar nesta cena, o evangelista deparou-se com dois problemas: por um lado, não se encaixava absolutamente nada na descrição que nos faz da Paixão. Jesus, na Paixão, continua a ser o rei de Israel e é mostrado como actuando com autoridade e grande domínio da situação. Como encaixar neste esquema um relato de estilo sinóptico, no qual Jesus aparece desfalecido, angustiado, cheio de medo, abandonado pelo Pai? Por outro lado era uma cena com profundas raízes na tradição e da qual o evangelista não podia prescindir de maneira nenhuma. Para resolver estes problemas, transforma a cena, reduzindo-a ao essencial e referindo-a num estilo que corresponde melhor ao do Quarto Evangelho.

A única oração possível nos lábios de Cristo, tendo em conta essas circunstâncias, era: «Pai, glorifica o teu nome». Ouve-se, seguidamente, uma voz vinda do céu, que é como que o eco ou resposta positiva ao pedido de Jesus. A vida e a morte do Filho são a revelação e a obra do Pai. Por isso, a glorificação do Filho coincide com a do Pai e vice-versa. Esta glorificação está traduzida nos Sinópticos por «faça-se a tua vontade». Glorificação que teve já lugar – exprime-se no passado - porque as obras de Jesus foram feitas como resposta incondicional à vontade do Pai. E continuará a glorificá-lo – agora alude-se ao futuro porque a vontade do Pai será mais visível na morte-ressurreição.

Jesus tinha consciência desta mútua glorificação d’Ele e do Pai. A sua união a Deus é distinta da que qualquer homem possa ter. Por isso, a voz não veio por Ele, mas pelos crentes, para que saibam que o Pai está actuante nas obras do Filho, que as aprova e Se identifica com elas. Outros não a ouviram, simplesmente por não serem crentes.

«Chegou a hora em que este mundo vai ser julgado». A presença da palavra, da luz, provoca inevitavelmente um juízo, uma separação. Tudo depende da atitude adoptada pelo homem relativamente a Ele. Este aspecto «judicial» de Cristo é reforçado no momento da paixão. Nela se reafirma a obediência absoluta á vontade do Pai.

A paixão de Jesus é apresentada como a sua «elevação». Elevação esta que inclui fundamentalmente a elevação à cruz e à gloria. Como consequência da «elevação», a atracção dos homens para Ele. Naturalmente, daqueles que se deixam «levar» pelo Pai, A morte de Jesus universaliza a sua obra. Porque esta depende de uma pessoa e da sua obra que, depois da morte do protagonista e pela sua ressurreição, vai adquirir um sentido de atemporalidade, passando a ser válida em qualquer lugar e tempo, para qualquer espécie de pessoas. Para todo aquele que se deixar levar pelo Pai até Ele.

 

V Domingo da Quaresma

Jo 12, 20-33

 

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