Lisboa |
Recordar o Cardeal Policarpo
Vidas tocadas pelo Pastor
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Luís Alves, secretário particular durante 17 anos

“D. José Policarpo deixa uma marca muito forte na minha vida porque uma grande parte dela, dezassete anos, foram passados ao serviço do Senhor Patriarca, com um contacto diário e permanente, o que permitiu criarmos laços que foram para além das funções profissionais. Eram laços de grande amizade, de ternura, de carinho, que hoje recordo de uma forma muito especial. A sensação que tenho é de que perdemos um bom Pastor, um homem bom. Ao longo destes anos, verifiquei que a sua atitude foi sempre de muita atenção ao outro, tentando ser muito próximo.

Agora, é tentar lidar com a ausência física. Nestes últimos dias tenho recordado as palavras de D. José Policarpo no final da procissão do Corpo de Deus, do ano passado, em que dizia que agora as pessoas deixavam de saber o sítio físico onde ele se encontrava, mas que na adoração eucarística, certamente, o encontrariam lá. É isso que tenho pensado muito nestes dias: encontrá-lo, eu próprio, nos meus momentos de oração e de silêncio; encontrá-lo neste lugar de oração e recordá-lo, dando graças a Deus pelo Pastor que a Igreja de Lisboa teve. Foi um homem grande. Homem de cultura, de fé, com uma visão para além do comum das pessoas, sempre com muita esperança no futuro. Poucas vezes o vi com esta falta de esperança. Era um homem muito otimista, mesmo nos momentos adversos.”

 

Felicidade, governanta da Casa Patriarcal durante 17 anos

“O senhor D. José, há 17 anos, convidou-me para trabalhar com ele na Casa Patriarcal, porque dizia que precisava de uma dona de casa, de modo a que ele pudesse libertar-se das coisas que eram terrenas para se dedicar unicamente à governação do rebanho e da diocese. Terei que dizer do senhor D. José que foi o meu Bispo, o meu professor, mas especialmente o meu amigo. Tinha por ele uma consideração muito grande e devo-lhe muito daquilo que sou.”

 

Teresa Novo, da equipa de casais que D. José Policarpo assistiu durante 46 anos

“O senhor D. José Policarpo deixa-nos a todos, e a mim em particular, a grande marca de fé. Era um homem com muitas qualidades, muito próximo, muito amigo, que nos apontava sempre um caminho. E nós tínhamos a certeza absoluta de que aquele era o caminho. Ele dizia como era mas dizia de uma forma umas vezes afável, porque era muito meu amigo, outras vezes com a sua autoridade que eu lhe reconhecia inteiramente. Era um grande amigo. Faz-me muita falta o seu apoio. Quando ouvi a notícia fiquei um pouco perdida. Mesmo passado alguns dias, a minha voz continua a tremer ao pensar nele e ao ver a sua imagem. Eu quero acreditar como ele acreditava mas está a ser extremamente difícil.”

 

Cónego João de Sousa, antigo professor de D. José

“Olhando para o meu antigo aluno, do curso de Teologia, do Seminário dos Olivais, recordo-me da sua seriedade, da sua aplicação e da sua capacidade, muito talentosa, para ‘apanhar’ a Teologia até ao fundo. Daí que eu tenha, logo, pensado em propô-lo ao Cardeal Cerejeira para ir fazer doutoramento numa universidade estrangeira. Foi para Roma e lá fez o curso. Depois, regressou com uma tese debaixo dos braços que, na altura, ficou famosa, sobre os ‘Sinais dos Tempos’, tema que foi buscar ao Concílio Vaticano II que, entretanto, tinha terminado em Roma. Depois de ter regressado propus que fosse meu assistente na Universidade Católica Portuguesa.

Como professor e como Bispo, a memória que me fica de D. José Policarpo é a de um homem muito talentoso e com muito sentido de realidade. Aquele seu estudo sobre os ‘Sinais dos Tempos’ preparou-o para a realidade que o rodeava, tanto em pessoas como em acontecimentos e nisso mostrou ser um mestre extraordinário.

Foi, sem dúvida, um Pastor dedicado. Um bom Pastor que gastou toda a sua vida ao serviço dos seus irmãos, das ovelhas do rebanho de Cristo.”

 

Padre Paulo Pires, sacerdote ordenado nas últimas ordenações presididas por D. José Policarpo, em 29 de junho de 2013

“D. José Policarpo foi um homem com bastante eloquência e capacidade e um bom comunicador. Ou seja, com uma capacidade de transmitir uma mensagem, neste caso a mensagem evangélica, com muita clareza e adaptada aos tempos, como se faz jus àquilo que escreveu. Foi um homem muito preocupado e que desenvolveu esforços para a nova evangelização, no sentido de ver como é que a mensagem do Evangelho, que é de sempre, se pode comunicar hoje, nos tempos de hoje, às pessoas de hoje, procurando encontrar estratégias não só na diocese mas também na Igreja universal. Quase que poderia dizer que, de certa forma, os seus esforços estão também na origem da criação do Pontifício Conselho para a Nova Evangelização. Nesse aspeto, D. José Policarpo tem aí uma marca muito importante. Também foi um homem muito preocupado com a formação do clero, sobretudo pelos muitos anos que esteve à frente do Seminário dos Olivais, como reitor, tendo passado por ele muitas gerações de padres.”

 

Cónego José Carlos Fernández Otero, responsável pela comunidade espanhola no Patriarcado de Lisboa

“Um intelectual e um Pastor. Se a esses dois pressupostos juntarmos um grande sentido de humor, uma proximidade e simplicidade única e uma mente brilhante, então teremos um Bispo perfeito. Unia-me a ele uma grande amizade que se cimentou com a proximidade que sempre manifestou pelos sacerdotes. Tenho dele muitas e agradáveis histórias. Quantos jantares partilhámos na minha casa! Ele gostava imenso da ‘Queimada’ galega!

Acudia com gosto onde era chamado, com muita paz, alegria e tranquilidade, buscando sempre a palavra precisa, cheia de humor. Um homem genial; um pai carinhoso.”

 

Teresa Carreira, dirigente do CNE na paróquia da Sé Patriarcal desde 2000 e membro do coro paroquial há mais de 20 anos

“Recebi a notícia do seu falecimento com grande tristeza. Ainda na Quarta-Feira de Cinzas tinha estado na Missa com o senhor Cardeal. São várias as recordações que tenho do senhor D. José, desde o início, desde que substituiu o senhor D. António Ribeiro: o carinho com que falava comigo durante a minha gravidez, a atenção para com a minha filha desde que nasceu até agora, com quase 10 anos, a forma como se dirigia aos elementos do nosso agrupamento de escuteiros, sempre atento e carinhoso. Como diz a minha filha Beatriz, ‘O senhor Patriarca fazia-nos sempre a saudação!’. Poderia estar aqui a recordar os anos em que tive o privilégio de poder colaborar na nossa Catedral, e que era a sua igreja, mas mais do que privilégio foi uma honra ter estado perto de uma pessoa simples, que tanto nos ensinou.”

testemunhos recolhidos por Diogo Paiva Brandão e Nuno Rosário Fernandes
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