Lisboa |
Paróquia da Pontinha
Seis comunidades para fazer uma Comunidade
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O ano de 2014 pode marcar o início de uma mudança para a paróquia da Pontinha. A sonhar, há vários anos, com uma nova igreja e novas instalações paroquiais situadas num espaço mais central, o pároco da Pontinha aguarda que neste novo ano se possam desbloquear algumas situações que podem contribuir para a construção de uma nova ‘casa’ que reúna as seis comunidades da paróquia.

 

As atuais instalações onde funcionam os diversos organismos e movimentos da paróquia da Sagrada Família da Pontinha “pertencem à Assembleia Distrital de Lisboa", refere o pároco, padre Agostinho Pereira, ao Jornal VOZ DA VERDADE. Segundo este sacerdote franciscano, “a Câmara Municipal de Lisboa disponibilizou um terreno para construção da nova igreja, do centro social e da praça da Pontinha”. Esse terreno, que deverá ser cedido à Câmara de Odivelas, concelho ao qual pertence a freguesia da Pontinha, prevê a assinatura de um protocolo que “desde há nove anos ainda não foi assinado”, lamenta o pároco. No entanto, revela, “esse protocolo vai ser assinado em 2014, disse-me a presidente da Câmara de Odivelas”.

A atual igreja da Pontinha que, segundo este sacerdote, “está fora de mão”, é pequena para dar resposta às necessidades. “A igreja tem capacidade para cerca de 300 pessoas, muito apertadas”, observa. Quanto ao novo espaço que o padre Agostinho espera vir a concretizar-se, será localizado junto ao Metro da Pontinha, que é “das zonas mais populosas da vila”.

 

Origens

A paróquia da Pontinha, que tem por orago a Sagrada Família, é uma paróquia confiada à Ordem dos Frades Menores desde a sua criação, em 1971. "Nessa altura a paróquia foi confiada ao padre António Francisco Marques que foi o primeiro Bispo de Santarém", conta o padre Agostinho. A criação desta paróquia, que surge a partir do desmembrar da paróquia do Santíssimo Nome de Jesus, de Odivelas, em 1971, “foi o último ato administrativo-pastoral de D. Manuel Gonçalves Cerejeira, como Cardeal-Patriarca de Lisboa, antes de entregar o Patriarcado a D. António Ribeiro”, assinala. Em 1976, a paróquia da Pontinha passa a ter um pároco próprio, padre Arnaldo Taveiro de Araújo.

Atualmente, e de acordo com o padre Agostinho Pereira, que é somente o segundo pároco desta paróquia, a freguesia da Pontinha deverá ter "cerca de quarenta mil habitantes". Em outros tempos foi um local de férias dos habitantes da cidade de Lisboa, "pelos seus ares puros e pelas quintas que aqui existiam”. Com o decorrer dos anos começaram a fazer parte da população da Pontinha funcionários de determinados serviços. "Para aqui vinham pessoas ligadas aos transportes, polícias... eram pessoas que tinham um trabalho mais ou menos regular e que provinham de várias partes do país", salienta o padre franciscano, relevando o facto de que “da região de Viseu vieram mais pessoas para este lugar”.

Na paróquia da Sagrada Família da Pontinha estão inseridos quatro bairros recentes que, refere o padre Agostinho, "estão agora na conclusão dos seus processos de legalização" e que foram construídos com as pessoas que "vieram de outros bairros" desmantelados na cidade de Lisboa.

Da população residente na área da paróquia fazem parte, também, muitos imigrantes, de diversas origens. "Vêm todos para a Serra da Luz", observa o sacerdote franciscano.

 

Fazer uma comunidade

A paróquia da Pontinha tem seis comunidades, incluindo a própria igreja paroquial (Comunidade de São Pedro, em Vale Grande; Comunidade de Santa Maria, no Bairro da Urmeira; Comunidade de São José, na Paiã; Comunidade de Santo António, no Casal do Rato; e a Comunidade de Santo Eloy, no Bairro Novo de Santo Eloy). "Em todas estas comunidades, há Missa ao fim-de-semana", garante o sacerdote, explicando que conta, para isso, com o apoio do padre Faria, de 80 anos, e de outros padres do Seminário Franciscano da Luz.

Cada uma destas comunidades “tem um responsável que trabalha em colaboração com o pároco", frisa. Nestes lugares "há catequese organizada, há cantores, ministros extraordinários da comunhão… cada comunidade tem a sua vida", destaca, sublinhando que "funcionam todas em ligação". "O conselho para os assuntos económicos da paróquia é formado por um elemento de cada comunidade e, ao longo do ano, procuramos ter iniciativas que ajudem a uni-las", refere. Assim, uma peregrinação anual ao Santuário de Fátima, no quarto sábado da Quaresma, e a festa da paróquia, com a procissão onde participam os andores de todas as comunidades, em finais de junho, são algumas das formas encontradas por este sacerdote para fazer comunhão. "É uma maneira de aproximar as comunidades e sobretudo é uma das preocupações que sempre tive que é de os ajudar a sentir que isto é uma paróquia e não uma manta de retalhos. E desta forma ajudá-los a ter este sentido de comunidade", sublinha o padre Agostinho.

 

Capela restaurada no Bairro da Urmeira

No passado mês de Dezembro, a comunidade de Santa Maria, no Bairro da Urmeira inaugurou a capela após as obras de recuperação. Uma capela que foi construída em 1953 mas que "estava muito deteriorada devido a umas cheias" que ocorreram há alguns anos atrás e por algumas alterações que lhe foram feitas no decorrer dos anos. "A igreja foi perdendo o seu aspecto e então fizemos obras para tentar aproximá-la um pouco mais do que era antes", frisa o sacerdote franciscano, referindo-se à igreja que se localiza junto à CRIL e que se identifica facilmente por uma cruz azul iluminada.

 

Realidades de pastoral

A paróquia da Pontinha já teve mais de mil crianças na catequese mas, atualmente, esse número diminuiu substancialmente em mais de metade. "Neste momento temos 432 crianças e adolescentes na catequese que são acompanhadas por 63 catequistas", afirma o sacerdote, explicando que existia um bairro (Bairro do Altinho) que "foi desativado e as pessoas que nele habitavam foram transferidas para a zona do Casal de São Brás, pelo que a saída de todas essas pessoas fez com que diminuísse o número de crianças, também na catequese".

No que diz respeito à juventude, a paróquia da Pontinha tem cinco grupos de jovens com cerca de 50 jovens, na totalidade, e um agrupamento de Escuteiros (Agrup. nº 1216) do CNE. Aos jovens da paróquia procura-se ajudar na reflexão. "Eles têm reuniões de reflexão todas as semanas e, durante o ano, há alguns encontros de oração aos quais procuramos agregar também os adolescentes do 7º ao 10º ano", salienta o padre Agostinho, referindo que, desta forma e pela participação na Eucaristia que é animada pelos jovens, se procura “começar a envolver os adolescentes na pastoral juvenil. É uma passagem progressiva para os grupos de jovens", frisa.

 

A realidade social

"A zona da paróquia da Pontinha sempre foi uma zona de pessoas não economicamente abastadas", afirma ao Jornal VOZ DA VERDADE o padre Agostinho, advertindo que essas pessoas "não podem ser consideradas propriamente pobres". No entanto, aponta, "sempre houve uma faixa de pessoas necessitadas na paróquia", pelo que, para ir ao encontro dessas necessidades foi criado, "já em finais da década de 60, o refeitório dos pobres, onde era fornecido o almoço". "Era um refeitório que subsistia com as quotas que eram cobradas porta a porta". Mais tarde, é criado o Centro de Dia da Sagrada Família que funciona atualmente nas instalações localizadas ao lado da igreja paroquial. "Foi o pároco, na altura, que pediu o terreno mas foi entregue às Vicentinas. E a paróquia não tem qualquer responsabilidade sobre este centro social", que foi inaugurado em 1984, frisa.

Três anos mais tarde, a 8 de dezembro 1987, foi inaugurado, no Bairro da Urmeira, o Centro de Dia de Santa Maria que nasce para servir os outros bairros da paróquia. "O Centro Social da Paróquia começou a existir nessa altura propriamente", observa o pároco, e a "primeira valência que teve foi o ATL e depois o Centro de Convívio", explica, referindo que neste momento "apenas dispõe das valências de Centro de Dia e Apoio Domiciliário".

 

Outros grupos

Para além destes organismos de apoio social 'oficialmente reconhecidos', a paróquia da Pontinha dispõe, ainda, de um grupo de ação social paroquial que reúne elementos de diversos grupos e organismos da paróquia. "Esse grupo ajuda pessoas que não são ajudadas pelo Centro Social", comenta salientando que esse mesmo grupo "atende pessoas todas as semanas" ajudando, assim, 25 famílias, "com donativos dos paroquianos".

 

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Papa Francisco deixa desafios também aos franciscanos

“O Papa Francisco fez-nos ver que temos um carisma, uma espiritualidade e uma missão que talvez nós, franciscanos, não estejamos a aproveitar, e o facto de ter escolhido este nome não só nos fez ver a admiração que existe a nível mundial pela figura de Francisco como nos chama a atenção para o tesouro que temos e que não estamos realmente a aproveitar”, reconhece o padre Agostinho Pereira, que foi ordenado sacerdote em 1984, na Cripta do Sameiro, em Braga, e chegou à paróquia da Pontinha em 1995. “Para nós, franciscanos, é uma oportunidade para repensar a nossa presença, a nossa vida, o nosso testemunho. Sobretudo é um desafio para a Ordem Franciscana porque de vida o Papa é perfeitamente franciscano”, observa.

texto por Nuno Rosário Fernandes, com Diogo Paiva Brandão; fotos por DPB
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