Lisboa |
Conferência ‘Diálogo e Democracia – instrumentos para a paz na Europa’
Após meio século ainda ressoam os apelos universalistas de João XXIII
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O Patriarca de Lisboa afirmou que “ressoam, com efeito, e nas atuais circunstâncias – nossas, da Europa e do Mundo – os apelos universalistas do bom Papa João [XXIII] e da encíclica ‘Pacem in Terris’”.

 

Na sessão de encerramento da conferência ‘Diálogo e Democracia – instrumentos para a paz na Europa’, por ocasião dos 50 anos da encíclica ‘Pacem in Terris’, no passado dia 23 de novembro, D. Manuel Clemente garantia que se associava “com todo o gosto e envolvimento pessoal a esta feliz iniciativa”. “Faço-o tanto mais, quanto recordo bem como ela foi para nós, os jovens católicos e militantes da altura, uma ocasião forte e exaltante para alargarmos ainda mais a nossa compreensão das coisas, no sentido da universalidade dos problemas e das causas, bem coincidente aliás com o Concílio Vaticano II, que se desenrolava então”. Numa intervenção com o tema ‘O futuro de Portugal no futuro da Europa e o futuro da Europa no futuro do mundo’, o Patriarca de Lisboa sublinhou que “a encíclica intitulava-se ‘Pacem in Terris’, porque era no quadro geral do planeta que adiantava princípios e caminhos para a resolução de qualquer realidade mais particular”. Neste sentido, D. Manuel Clemente observou: “Daqui também que, mesmo ao debruçarmo-nos sobre “diálogo e democracia – instrumentos da paz na Europa”, tenhamos de integrar a nossa reflexão num quadro mais vasto e até realista – o universal, precisamente. Somos portugueses na Europa e somos europeus no mundo, tanto nesta ordem como na inversa: somos mundiais na Europa e somos europeus em Portugal, ou onde a vida nos levar”. A insistência neste ponto universalista, acrescentou durante esta conferência promovida pela Comissão Nacional Justiça e Paz e Faculdade de Teologia, “foi uma das maiores contribuições da encíclica”. “E só nos podemos admirar com o facto de, meio século volvido, ainda sermos tão principiantes neste aspeto. Incluídos no espaço europeu e comunitário, como estamos desde os anos oitenta; sobrecarregados e justamente preocupados com graves problemas internos de sustentabilidade financeira, económica e social; dependentes como nunca de decisões que excedem e condicionam o nosso campo de escolha: nem sempre tiramos a conclusão que pareceria óbvia, de que só transnacionalmente podemos equacionar os problemas e só além de nós defenderemos o que é nosso, ou ainda seja relativamente nosso”, referiu.  

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