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DOMINGO XXXII COMUM  Ano C

" Não é um Deus de mortos, mas de vivos,

porque para Ele todos estão vivos.”

Lc 20, 38

 

É intrincada e malévola a questão colocada a Jesus pelos saduceus sobre a ressurreição. Para além da resistência espantosa daquela mulher que casou com os sete irmãos, claramente se demonstra a ignorância de quem pretende imaginar uma vida eterna à imagem desta que conhecemos. É aí que a fé se entende também como confiança: a surpresa faz parte da relação espantosa em que Deus nos faz entrar. Pobre mulher (a da comparação atrás) se tivesse que “aturar” os sete maridos ao mesmo tempo!   

 

A crise de esperança que caracteriza o nosso tempo é real e profunda. E afecta também o horizonte de um futuro para além da morte. É fácil cair-se no imediato e no vazio que as pequenas esperanças não conseguem encher. Curiosamente, nos encontros rápidos da nossa agitação, à pergunta: “como vais?”, há uma resposta quase imediata: “vou (ou vamos) andando”! E ainda que nem sempre a formule, penso logo noutra pergunta: “E vais para onde”? O psiquiatra José Gameiro, na coluna de opinião da Revista do Jornal Expresso assina uma deliciosa crónica com o título desta rotineira resposta. E aí escreve: “Desde muito cedo que aprendemos a dissimular o que sentimos, o que achamos, o que pensamos. O que nos vai cá dentro, ninguém nos pode tirar, mas não é muito popular sermos francos e directos. […] Vou andando ao sabor da vida, nunca me perguntando como posso influenciar o que me vai acontecendo. Prefiro sofrer, queixar-me dizer ‘eles é que sabem tudo e fazem o que querem’…Eu não tenho culpa de nada disto, trabalho, vou para casa todos os dias, só discuto futebol, que o resto já não vale a pena…”.

Já pensámos que cada um de nós, pelas escolhas que assume, vai também construindo o futuro? Que as mudanças mais importantes começam dentro de cada um de nós? E que, no fundo, a verdadeira transcendência não tem tanto a ver com “o mais acima”, ou “o mais além”, mas “o mais dentro” das pessoas e da vida? Podemos ter mil e uma ideias de como Deus é; Jesus insiste: “é um Deus de vivos”! Com todas as consequências que isso implica de responsabilidade e surpresa!

Quem desce a Almirante Reis e a Rua da Palma, ao entrar na Praça Martim Moniz, é saudado por um enorme galo colorido, feito de materiais reciclados, escultura de Rui Miragaia, curiosamente intitulado “Ressurreição”. O lixo transformado e o cantar do galo que anuncia o novo dia são dois pequenos sinais de que ressuscitar é também uma escolha que fazemos!  

Acreditar na ressurreição (e sobretudo em Jesus ressuscitado) é comprometer-se, ainda mais, com esta vida. A que brota das mãos e das palavras, do amor e da justiça, apesar das nossas imperfeições. Porque Deus é um Deus de vivos. O que é que, à nossa volta, nos sabe ao Deus vivo? Que imagens e práticas precisamos purificar para viver mais intensamente e para que haja mais vida à nossa volta? O que nos pode despertar para sermos mais autênticos?

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