É sábado, dia 29 de junho, e o calendário religioso assinala a festa de São Pedro e São Paulo. Não são, ainda, oito horas da manhã e à porta da igreja de Santa Maria de Belém, no Mosteiro dos Jerónimos, já se encontram dezenas de pessoas a aguardar que as portas do templo se abram para entrarem e ‘correrem’ para alcançar o melhor lugar na igreja, de preferência sentado e com visibilidade para o altar. O motivo justifica-se: vão ser ordenados seis novos padres e o momento quer-se bem registado. A celebração, que em breve vai começar, requer a maior dignidade. Por isso, todos os movimentos no altar foram já ensaiados e preparados na véspera, sobretudo com os futuros sacerdotes, os diáconos que vão estar ao serviço no altar e os acólitos que provêm dos seminários da Diocese de Lisboa. Esta é uma celebração sempre marcante e “está mais voltada para o futuro do que para o passado”, salientou o Patriarca Emérito, Cardeal Policarpo que, pela última vez, presidiu à celebração de ordenações da diocese. Na homilia que proferiu, apontava que “seis novos presbíteros encarnam a esperança de futuro desta Igreja”, a Igreja que, observa, “todos amamos e que servi, de diversas formas, durante toda a minha vida”. Este foi, também, o momento para a Diocese de Lisboa agradecer o ministério episcopal exercido por D. José Policarpo, de modo especial ao longo dos 16 anos de pontificado como Patriarca, onde afirma ter procurado sempre uma “união ao Sucessor de Pedro”. “Na minha longa vida de ministério sacerdotal cultivei sempre esta união ao Sucessor de Pedro. A sua palavra ensinou-me o caminho da fé e da verdade e, por vezes, levou-me a corrigir perspectivas pessoais na compreensão da complexa realidade cristã”, assegura.
Ligação ao ministério apostólico
Na homilia da celebração, que reuniu mais de 180 padres e dezenas de diáconos permanentes de toda a diocese, D. José Policarpo explicou que, apesar de as ordenações acontecerem a uma semana da tomada de posse do novo Patriarca, foi o próprio D. Manuel Clemente, o novo Patriarca, quem decidiu que fosse o Patriarca Emérito a ordenar os novos padres seguindo, assim, “a normalidade da programação pastoral da Diocese”. Segundo D. José Policarpo, este entendimento ajudará os novos padres a não fazer da relação com o Bispo “uma relação humana, à pessoa, mas ao ministério apostólico”. Um ministério que, acentua, “é maior do que as suas pessoas e a sua história, é fidelidade a Jesus Cristo e garantia da perenidade da Igreja”.
Sublinhando que, tanto o próprio [D. José Policarpo], como o novo Patriarca têm como desejo para a Igreja de Lisboa “que ela cresça e se consolide como povo crente, que quer ser no meio da nossa sociedade um testemunho da esperança”, o Patriarca Emérito apontou que para esse fortalecimento da Igreja de Lisboa cada um quer contribuir. “Ambos queremos contribuir, cada um na verdade do sacerdócio apostólico, cuja plenitude ambos recebemos, e das circunstâncias concretas da missão recebida. Ambos amamos bastante esta Igreja para tudo fazermos, na verdade das nossas vidas, para que ela cresça na verdade e na fidelidade, até ao dia em que nos seja dada a coroa de justiça que o Senhor tem reservada para todos aqueles que gastaram a vida ao serviço da sua Igreja”.
Igreja Santa
Dirigindo-se àqueles que ordenou e às centenas de fiéis presentes, D. José Policarpo lembrou que “a Igreja só será una se for santa, só será católica se for apostólica”. Nesse sentido, e apontando o papel do Bispo na Igreja, frisou que “a expressão sacramental da apostolicidade é, na Igreja particular, o ministério do Bispo, sucessor dos Apóstolos, ministério em que, aqueles que o exercem, são mais do que as suas qualidades e características pessoais. Eles exprimem e garantem, desde o início, a unidade da Igreja”. “Eles garantem, na sua missão, que a nossa fé seja sempre a fé da Igreja, de toda a Igreja como povo crente e não a expressão da maneira individual de acreditar”, sublinhou.
Por outro lado, e dirigindo-se de modo particular aos ordinandos, D. José Policarpo lembrou: “Como membros do presbitério, o vosso ministério exige esta grandeza de horizonte, de que a união ao vosso Bispo é a garantia, quando celebrais, quando anunciais o Evangelho, quando orientais as consciências nas dificuldades concretas com que os cristãos se deparam. Em tudo o vosso ministério é um serviço da fé da Igreja”.
Cumprimentos entre aplausos
Ao terminar a celebração, D. Joaquim Mendes, Bispo Auxiliar de Lisboa, dirigiu uma saudação (ver caixa) ao Patriarca Emérito, em nome de toda a diocese oferecendo, ainda, uma imagem de Nossa Senhora, datada do século XVI-XVII e com autoria proveniente da Escola Flamenga. Seguiu-se um longo aplauso, que se estendeu por mais de três minutos, enquanto D. José Policarpo cumprimentava as autoridades civis presentes, entre as quais o Ministro da Presidência e dos Assuntos Parlamentares, Luís Marques Guedes, o Presidente do Tribunal de Contas, Guilherme d’ Oliveira Martins, e o Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, António Costa.
Na despedida ficou uma garantia deixada por D. José Policarpo: “Acolho, com coração humilde, tudo o que o Papa Francisco decidir a meu respeito, aceito tudo o que me pedir, e ofereço-lhe a ele, e através dele à Igreja, o silêncio da minha oração, a busca da contemplação, a procura contínua da verdade”.
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PRESBÍTEROS DIOCESANOS
Diogo Pedro Ferreira Maleitas Correia
Aluno do Seminário Maior de Cristo Rei (Olivais)
Batizado na paróquia de Santo Estêvão, Alenquer
Missão pastoral: paróquia de Loures
Fernando Neves dos Santos
Aluno do Seminário Maior de Cristo Rei (Olivais)
Paróquia: Comunidade Emanuel
Missão pastoral: paróquias de Sintra
Paulo Ricardo Rodrigues Pires
Aluno do Seminário Maior de Cristo Rei (Olivais)
Batizado na paróquia de Vila Marim, Santa Marinha, Diocese de Vila Real
Missão pastoral: paróquia dos Olivais Sul
Thomaz de Sousa Cabral Fernandez
Aluno do Seminário Maior de Cristo Rei (Olivais)
Batizado na paróquia de St. Joseph, Minnesota, Estados Unidos da América
Missão pastoral: paróquia de Algés-Miraflores
Bartolomeu dos Mártires Furtado de Mendonça Teixeira da Mota
Aluno do Seminário ‘Redemptoris Mater’ de Nossa Senhora de Fátima
Batizado na paróquia de São Tiago de Ourilhe, Celorico de Basto, Arquidiocese de Braga
Missão pastoral: paróquia da Lourinhã
Paolo Ciampoli
Aluno do Seminário ‘Redemptoris Mater’ de Nossa Senhora de Fátima
Batizado na paróquia de Santo António di Padova, Arquidiocese de Pescara-Pene, Itália
Missão pastoral: paróquia do Bombarral
_________________Saudação ao Senhor Cardeal D. José Da Cruz Policarpo
Senhor D. José,
Eminência Reverendíssima
Dando voz à Igreja de Lisboa e interpretado os sentimentos de todos os seus membros, os que estão aqui presentes, e os que por diversos motivos não puderam estar, queremos manifestar a Vossa Eminência a nossa profunda gratidão, comunhão e amizade.
Gratidão porque amou esta Igreja, onde nasceu para a fé e a serviu como Presbítero durante dezassete anos, como Bispo Auxiliar durante dezanove, um ano como Arcebispo Coadjutor, e quinze anos como Patriarca.
Sabemos bem como Vossa Eminência a «amou como Mãe e Esposa» e a serviu com dedicação e amor, e vai continuar a servi-la até ao fim da sua vida com as forças que Deus lhe der, como manifestou na Carta que escreveu aos Membros do Cabido, aos Sacerdotes e Diáconos do Patriarcado.
Vai continuar a servi-la de outro modo, não menos fecundo e eficaz do que o de plena atividade apostólica, como o fez até agora.
Vossa Eminência vai continuar connosco com a sua oração e a sua presença amiga, ajudando-nos a percorrer o caminho da entrega generosa e da fidelidade a Cristo e à Igreja que Vossa Eminência percorreu e nos deixa como herança e testemunho.
Guardamos no coração o seu rico e sábio magistério de Mestre na fé, de Pontífice, de Pai e Pastor, que nos guiou pelos «campos verdejantes» da Palavra de Deus, nos cuidou com o amor e a solicitude de Cristo Bom Pastor e nos edificou como Povo de Deus, que caminha na fé e na esperança ao encontro do Senhor.
Estamos gratos a Deus que na pessoa de Vossa Eminência nos concedeu, ao longo destes anos, um Pastor de sábia ousadia pastoral e teológica, com grande sensibilidade cultural e social, com um coração magnânimo, de grande caridade pastoral.
Estamos gratos a Deus pelo Pastor do diálogo aberto e respeitador com o mundo e com todos; pela grande testemunha de Cristo e do Evangelho; pelo verdadeiro e autêntico Mestre, Pontífice e Pastor, com grande inquietação pastoral de comunicar o Evangelho, com audácia e frescura de linguagem, e com grande sensibilidade aos problemas da sociedade e do mundo contemporâneo.
Muito obrigado, Senhor D. José por tudo o que foi para esta sua Igreja de Lisboa, que o ama, e que também Vossa Eminência continuará a amar com o seu grande coração de Pastor.
Ao longo do seu pontificado, muitas vezes e de diversos modos, Vossa Eminência manifestou um grande amor e devoção à Santíssima Virgem, por isso, como sinal perene da nossa gratidão, mas sobretudo como sinal da nossa comunhão na oração, queira aceitar esta imagem de Nossa Senhora, para que Ela esteja sempre a seu lado e o acompanhe com a sua solicitude materna.
Mosteiro dos Jerónimos, 29 de Junho 2013
† Joaquim Mendes sdb
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