O Cardeal-Patriarca convidou os jovens a aceitarem o desafio da missão de evangelizarem dentro de portas. Num encontro com mais de 1500 jovens da Diocese de Lisboa, D. José Policarpo sublinhou a importância do testemunho na família e na escola.
No encontro que o Patriarca de Lisboa teve com os mais de 1500 jovens da Diocese de Lisboa, no pavilhão da Casa Pia, em Belém, Lisboa, D. José Policarpo manifestou a sua preocupação com o facto de “as pessoas estarem mais preparadas e mais dispostas em irem para longe [evangelizar] do que a sentirem-se enviadas” para os lugares que frequentam. “Vocês podem ser enviados lá para a vossa casa, a vossa escola, o vosso amigo”, especificou deixando uma advertência. “Não digo, com isto, que não é bonito partir, porque continua a ser necessário, ainda hoje; mas se for preciso sentir-se enviado em casa, na escola, isso não tira nada à grandeza do envio de Jesus quando diz ‘como o Pai me enviou eu vos envio a vós’”, explicou. Nesse sentido, D. José Policarpo concretizou: “Desafio-vos a que sejam testemunhas do amor que Jesus vos tem, sempre, em todo o lado! Até porque quem não aceitou ser testemunha lá em casa, dificilmente aceitará ir ser testemunha para longe, quando isso lhe for pedido”.
Aventura da missão
Neste encontro com jovens de várias partes da diocese, o Cardeal-Patriarca garantiu que “a aventura da missão é a coisa mais maravilhosa da Igreja”, e recordou que a missão da evangelização já está presente nos portugueses com uma longa história. “Em cada caravela que ia à exploração do mar ia sempre uma equipa de evangelizadores, sacerdotes e leigos. No contato com os outros povos, uma das coisas que tínhamos para lhes dar era a nossa fé. Essa é uma página maravilhosa da história do mundo”, sublinhou.
Uma experiência que se comunica
Frisando que ao olhar “para o elenco das dioceses atuais da Igreja [no mundo], que são quase três mil, das quais quinhentas têm origem na missão dos portugueses”, o Patriarca de Lisboa referiu aos jovens presentes na 10ª Jornada Diocesana da Juventude que “isto aconteceu porque o cristianismo se tinha enraizado. Não era uma teoria ou um discurso”. “O cristianismo não é um discurso ou uma teoria. É uma experiência que se comunica. E uma das fraquezas da Igreja hoje, por ventura das Igrejas do Ocidente, é transformar o cristianismo num discurso”, acentuou. Desse modo, D. José Policarpo apresenta a definição de evangelizar como um dinamismo: “Evangelizar é pôr-se a caminho, movido por dentro, para dar um testemunho. Evangelizar é testemunhar, é ser testemunho”.
Experimentar para testemunhar
Lembrando da necessidade de chegar a uma identificação com Cristo, o que “levamos a vida toda a descobri-la”, o Patriarca de Lisboa frisou aos jovens que a missão da evangelização é algo que não se faz sozinho acentuado, uma vez mais, que não passa pela apresentação de teorias: “Nós e Ele temos a mesma missão! Mas para ser testemunha não basta ter uma teoria, é preciso ter experimentado. Para ser testemunha de Jesus é preciso tê-lo sentido na nossa vida. É preciso tê-lo procurado e encontrado num contacto íntimo com Ele. É preciso ter morrido com Ele, ressuscitado com Ele, partilhar com Ele este coração inquieto pela salvação dos homens”. “Não fica ninguém de fora”, garantiu.
Sentir-se amado
D. José Policarpo, ao lembrar o tema da JDJ – ‘Ide e fazei discípulos de todas as nações’, salientou que fazer discípulos de todas as nações “não significa fazer crescer o número da nossa ‘associação’ ou da nossa Igreja”, mas é antes “esta paixão do próprio Jesus por cada homem e mulher que nasceu no mundo”. “O Papa Francisco tem feito sentir aos homens e mulheres do nosso tempo, sejam eles quem forem, que Deus os ama”, destacou.
Ainda neste encontro onde os jovens, sentados no chão, presenciaram um discurso coloquial e próximo de D. José Policarpo, o Patriarca de Lisboa apontou aquela que considera ser a maior necessidade deste mundo. “Se eu estivesse na comunicação social a analisar a crise, dizia que o mundo precisa de emprego, de entendimento, de empreendimento, de convergência entre os partidos... mas do que o mundo precisa é de sentir-se amado. O que a maior parte das pessoas hoje sentem necessidade é de sentirem-se amadas. Porque quando não se sentem amadas, dificilmente são capazes de amar, dificilmente são capazes de deixar nascer dentro de si aquele dinamismo que há-de fazer delas testemunhas”.
Atitude da humildade
Salientando que “ser discípulo é um pacto de amor” e que “o discípulo tem o coração preso, vai com o seu mestre, reconhece-o e dá tudo por Ele”, o pastor da Diocese de Lisboa apelou para a humildade na concretização da missão de evangelização. “A atitude principal de nós evangelizadores deve ser a de não pensar que fomos nós que fizemos. Se querem evangelizar não se armem em ‘valentões’. Tenham a humildade de quem começou por receber aquilo que vai dar”.
Escutar a voz do pastor
Ao fim da tarde, no Mosteiro dos Jerónimos, o Cardeal-Patriarca de Lisboa presidiu à Eucaristia do IV Domingo da Páscoa, lembrando aos jovens que o batismo coloca o cristão num grande combate. "Estamos no grande combate, da fidelidade, de afirmar num mundo tão desviado a grandeza de Jesus e do seu ato redentor".
Nesta celebração a que presidiu, no Domingo do Bom Pastor, o Patriarca de Lisboa aludiu ao Dia Mundial de Oração pelas Vocações apelando para a escuta da voz de Deus. “É preciso escutar a voz do Pastor, perceber em cada circunstância o que é que o Senhor deseja de mim. Se Ele tem algum projeto que ‘escangalhe’ os meus projetos, se Ele tem um outro horizonte de participação com Ele na mesma obra da redenção, um outro horizonte que nunca me tinha passado, a mim, pela análise justa e normal que eu faço da minha vida”.
Voz de amor
Sublinhando que “a voz do Senhor que chama é uma voz silenciosa” que “não se afirma aos gritos nem com a algazarra deste mundo mas é uma voz de amor”, D. José Policarpo recordou o que pode ser o projeto de Deus para cada um. “É preciso admitir que o Senhor pode ter para mim um projeto que nunca me passou pela cabeça. E se eu o escutar, percebo qual é. O Senhor conta connosco. A salvação do mundo de hoje depende d'Ele e de todos nós. Por isso gostava de vos deixar este desafio hoje: aprendei a escutar o Senhor. Não vos assusteis! Não vos quero esconder que às vezes o Senhor põe a nossa vida de ‘pernas para o ar’. Chama-nos a caminhos que nunca nos tinha passado pela cabeça! Mas vale a pena. E isto aprende-se com amor”, garantiu.
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Padre Miguel Almeida, sj: “Uma pessoa que se deixa apanhar por Jesus é uma pessoa que pode transformar a sua vida. São Francisco de Xavier foi alguém que se deixou apaixonar e a paixão é uma coisa perigosa, mas muito boa. (…) Jesus tinha dito onde estiver o teu tesouro aí está o teu coração. Quais os valores da tua vida? O que é que te move? Se Jesus vos diz alguma coisa, então ide a fazei discípulos de todas as nações.”
Fernando d’Oliveira: “Por vezes pensamos que a nossa vida já não tem grande utilidade. Errado! Toca-nos a nós, na nossa entrega voluntária continuar a missão de valorizar a vida de todos aqueles com quem nos cruzamos e precisam de nós. É possível com a graça de Deus, o nosso empenho e autenticidade, com a nossa valorização do outro, a nossa entrega transformarmos cada ruga, cada momento de sofrimento, cada momento de dificuldade, na flor mais bela do jardim da humanidade.”
Maria João e Gonçalo Archer de Carvalho: “Há três pilares importantes na nossa vida para viver a missão como família cristã: o matrimónio, na ajuda mútua, a oração em família e a comunidade que é a igreja, pela participação na celebração dominical.”
Marcelo Rebelo de Sousa: “Neste tempo, mais do que noutro, a fé, a esperança e a caridade impõem olhar para os mais sofredores, mas implica também que os mais jovens sejam fermento de mudança, mas que o façam permanentemente em ponte com o país mais velho. (…) É preciso a juventude acordar nos tempos de hoje, porque temos uma juventude um bocadinho apagada no que toca ao Cristianismo.”
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Anima Christi animam JDJ
O grupo musical Anima Christi, da Diocese de Lisboa, encerrou a Jornada Diocesana da Juventude com um espetáculo no pavilhão da Casa Pia, em Belém. Esta banda, formada por jovens católicos da Vigararia de Alenquer, tocou, ao longo de uma hora, temas originais e outros, que animaram os jovens.
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JDJ na televisão e internet
O Departamento da Comunicação do Patriarcado de Lisboa transmitiu em direto a JDJ, numa emissão realizada entre as 13h30 e as 20h00, na internet e no MeoKanal ‘Patriarcado TV’. Numa parceria com o Grupo PT através das marcas Meo e Sapo, esta transmissão registou nas duas plataformas mais de meio milhar de acessos.
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