“Gaudet Mater Ecclesia” – “Alegra-se, a Mãe Igreja”: foi com estas palavras que, no final da solene celebração de abertura do Concílio Vaticano II, o Papa João XXIII começou o discurso que marcaria, para sempre, a realização daquele que foi o maior acontecimento eclesial do século XX, e que continua, no dizer do actual Papa, a ser hoje “a grande força para a sempre necessária renovação da Igreja”.
“Amanheceu o dia, tão ansiosamente esperado em que se inaugura o Concílio Ecuménico Vaticano II”, continuava então o Beato João XXIII, para, logo depois, elencar os motivos que o levaram a convocar aquela solene assembleia: “afirmar mais uma vez a continuidade do magistério eclesiástico, para o apresentar, em forma extraordinária, a todos os homens do nosso tempo, tendo em conta os erros, as exigências e as vantagens do momento que vivemos”. Na sequência destas palavras, o Papa apresentava o tema central do Concílio: “Cristo sempre a brilhar no centro da história e da vida”.
A Igreja de hoje é a de sempre. É a Igreja fundada por Jesus; é a Igreja dos Apóstolos Pedro e Paulo, a Igreja dos Santos, a Igreja dos Concílios. Ao longo dos séculos, muitos foram os momentos difíceis por que passou; muitos foram os desvios que alguns dos seus membros fizeram ao Evangelho e à missão que a Igreja recebeu de Jesus – por vezes convencidos de que estavam a realizar uma obra meritória. Mas o facto é que a Igreja sempre permaneceu firme, anunciando, de uma forma ou de outra, o verdadeiro Evangelho, que recebeu com a missão de levar ao mundo inteiro.
Esta é a Igreja, nossa Mãe. Com ela nos alegramos também nós, cristãos do séc. XXI, 50 anos depois do início do Vaticano II. Com ela, e com o que foi e é o Concílio. Não nos custa, por isso, assumir com disponibilidade tudo o que falta cumprir das decisões daquela grande assembleia, e tomar sobre nós a tarefa de continuar a pô-las em prática. Com o entusiasmo que nos vem do Evangelho e da certeza de Cristo vivo e presente na Igreja. Ou, para utilizar palavras recentes do Papa Bento XVI, no início do presente Sínodo dos Bispos, com “a verdade que se torna caridade, e a caridade que contagia, como fogo, também o nosso próximo”.
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