DOMINGO XVII COMUM Ano B
«Está aqui um rapazito que tem cinco pães de cevada e dois peixes. Mas que é isso para tanta gente?» Jo 6, 9Dos sinais de Jesus que mais ficaram na memória dos discípulos, a multiplicação dos pães tem um lugar singular. É verdade que a Bíblia contém relatos maravilhosos em que Deus alimenta o povo, nomeadamente com o maná na caminhada do deserto, mas a experiência daqueles pães e peixes que a multidão comeu até à saciedade é algo único. Todos os evangelistas o relatam, sublinhando o cuidado de Jesus em alimentar, não só com a palavra, mas em preocupar-se, também, com a fome natural dos seus irmãos.
A palavra “crise” tem servido para “amenizar” a realidade de muitas situações que são mesmo de “fome”. As pessoas e instituições que procuram apoiar os mais carenciados bem conhecem os rostos reais de quem sente esse drama quotidiano. E se a fome pode ser o último passo de uma dignidade perdida, ela começa pelo desemprego, a perda de habitação, e um futuro que se vai tornando “um dia de cada vez”. Não há soluções fáceis, e nem a multiplicação dos pães de Jesus aconteceu para resolver a fome, mas um mundo comandado exclusivamente pelos poderes financeiros, também não parece trazer grande esperança. A fome no mundo não resulta apenas da escassez de alimentos, mas sobretudo da falta de solidariedade, e de interesses financeiros que absolutizam o lucro e a ganância. Que pode dizer-nos, então, este sinal de Jesus? Primeiro, que não adianta “pregar a estômagos vazios”, e que a transformação social e o desenvolvimento humano é uma das primeiras consequências da boa nova de Jesus. O nosso Deus ama de tal modo o mundo que tem um projecto de justiça e salvação para todos. Depois, é Jesus que percebe a fome daquela gente e apresenta aos discípulos a necessidade de a alimentar. Ah, quantas necessidades dos irmãos Jesus nos apresenta, e nós mais preocupados com a solenidade das liturgias! Comprar pão para todos? Impossível, não têm dinheiro! Partilhar? Mas o que encontram é a insignificância de cinco pães e dois peixes que um jovem trouxe! Pois é com essa migalha que Jesus fará o milagre. Quando o que damos é tudo, Deus pode realizar o impensável! A descrição tem o sabor da Eucaristia, quando Jesus entrega o “tudo” da sua vida. Como não poderia Ele multiplicar também a nossa vida, se lha déssemos toda?! “Dívida”, “ratings”, “resgate”, e tantas outras palavras apontam para a complexidade da economia e da política deste tempo. Em que tudo e todos estamos ligados. E onde a transparência do que somos e temos é tão importante. Que mais apelos nos faz este evangelho, pelo menos a nós, cristãos, que comungamos com Jesus o amor a este mundo?![]() |
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