Missão |
P. Manuel Semedo, Missionário Espiritano
Missão na Guiné-Bissau com o povo Manjaco
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Nasceu em Cabo Verde, estudou em Portugal, é Missionário Espiritano na Guiné-Bissau. Falamos do P. Manuel Semedo, que ali chegou quando terminou a guerra de 98-99 e lá trabalha num contexto de enorme pobreza e constante instabilidade. A maioria dos Manjacos segue a Religião Tradicional. As grandes apostas dos Espiritanos e Espiritanas são a Evangelização, a Educação, a Saúde e a Promoção da Mulher.

 

O golpe de estado de 12 de Abril não surpreendeu ninguém, tal é o caos em que o país vive mergulhado desde a independência, colecionando guerras e atentados. A Igreja Católica, através dos seus Bispos e Missionários, desempenha um papel decisivo na defesa das populações pobres e nas propostas de uma reconciliação que conduza à paz.

 

De Cabo Verde à Guiné

O P. Manuel Semedo nasceu em Cabo Verde de uma família católica e, aos 11 anos, já queria ser padre. Fez caminho e chegou ao Seminário Espiritano do Porto para estudar Filosofia na Católica. Dali seguiu para Barcelos onde professou. Lisboa acolheu-o para a Teologia.

Chegou à Guiné quando a guerra terminou em 1999. Ali realizou um estágio missionário muito especial, com a aposta na reconstrução de corações e de casas na capital do país: “Foi um trabalho de ‘justiça e paz’, pois era preciso ajudar na reconciliação de um povo que a guerra dividiu e semeou ódio nos corações”. Tomou muito a sério o trabalho de animação da juventude e de formação litúrgica.

Regressou a Lisboa, foi Ordenado Diácono por D. José Policarpo nos Jerónimos e partiu para Braga, onde realizou o estágio na Paróquia de Santo Adrião. A Ordenação Presbiteral foi presidida por D. Paulino Évora, em S. Domingos – Cabo Verde.

 

Entre Caió e Bajob

Padre novo, pediu para regressar à Guiné. Assim aconteceu e foi parar ao interior pobre do ‘país manjaco’, indo morar na Missão de Caió. Lá encontrou também as Irmãs Espiritanas. Dedicou-se mais à pastoral, visitando as aldeias (tabancas), num contexto de primeira evangelização, pois só havia 5% de católicos na região, pois a maioria das pessoas segue a Religião Tradicional. De Caió assistia também as aldeias de Bajob, a primeira Missão dos Espiritanos no país. Entre uma e outra estavam 50 longos quilómetros, que se faziam de duas horas na estação seca e em três (ou mais) quando chovia. A picada de lama e areia está quase sempre intransitável, disposta a enfrentar o mais ousado dos jipes! A partir de 2006, a base dos Espiritanos passou a ser Bajob.

 

Um povo muito pobre

Um dos investimentos pastorais dos Espiritanos e das Espiritanas na Guiné é a Educação. Com o apoio dos Jovens Sem Fronteiras, de Sol Sem Fronteiras e das Escolas de Peniche, foram construídas e reconstruídas várias escolas, desde o primeiro ao terceiro ciclos. O P. Manuel Semedo foi o coordenador deste projeto escolar, tarefa difícil num país sem meios e onde quase nada funciona.

Fala muito bem o crioulo e o manjaco e vive o dia-a-dia das populações, partilhando a sua vida simples e pobre. Preocupa-o a miséria que vitima a maioria das pessoas, bem como os inúmeros casos de malária e sida, sendo o alastrar desta doença potenciado pela poligamia.

 

Grandezas e limites

Com dez anos de Missão na Guiné, já consegue perceber quais as grandezas e limites deste país. As pessoas têm bom coração, são alegres e hospitaleiras, mas quase nada funciona, a começar pela governação. Mostrou-me um documentário feito por professores em 2008 onde eram apresentadas 17 causas da instabilidade do país. Salientou algumas: “O enfraquecimento do Estado e má governação; a pobreza; a má administração da justiça; a instabilidade política e institucional; a insegurança dos bens e das pessoas; a corrupção; a fraca cultura de diálogo; o tribalismo; o tráfico de droga”.

 

Golpe de estado

Delegado ao IX Capítulo Provincial Espiritano, a realizar-se em Barcelos de 16 a 27 de Abril, deixou Bissau no último avião que descolou antes do golpe de estado de 12 de Abril. Confessa: “Não me surpreendeu nada. Todos sentiam que isto iria acontecer antes da 2ª volta das presidenciais e os Bispos têm razão”.

Os Bispos de Bissau e Bafatá, as duas Dioceses da Guiné, lançaram um Apelo comum muito duro. O P. Manuel Semedo assina por baixo e destaca: “Repudiamos claramente mais esta opção militar e todas as formas de violência escolhidas para resolver os nossos problemas”. Os Bispos apoiam-se em dois provérbios que aparecem em crioulo e português: ‘Quando os grandes guerreiam entre si, os pequenos é que pagam as consequências’ e ‘Teu irmão é aquele que te diz a verdade’.

 

PERFIL

 

1971 – Nascimento em S. Domingos, Cabo Verde

1993 – Filosofia na UCP do Porto

1996 – Profissão Religiosa na Silva, Barcelos

1999 – Licenciatura em Teologia, Lisboa

1999/2000 – Estágio Missionário em Bissau

2001 – Ordenação de Diácono em Lisboa

2002 – Ordenação Presbiteral em Cabo Verde

2002 – Missão em Bajob - Caió

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