As Confissões de Santo Agostinho são um “clássico” da literatura ocidental. Com traduções na esmagadora maioria das línguas, muitos são, ainda hoje, aqueles que se identificam com a procura empreendida por Aurélio Agostinho por um sentido pleno para a sua existência.
Começando pelas “loucuras” da adolescência e juventude, passando pela descoberta da razão, pela integração em movimentos “espiritualistas” do seu tempo e mesmo pelo cepticismo agnóstico, até chegar ao conhecimento de Jesus que veio até ele nas Escrituras, o percurso de Agostinho retrata bem, na sua procura dramática, o que é o homem que não desiste de viver.
Pode, à partida, parecer que não há nada a fazer. Aliás, a um dado momento, o próprio Agostinho assim pensou. Mas o facto é que, já depois da conversão, e olhando para trás, o futuro bispo de Hipona descobriu uma realidade constante na sua vida: mais insistente que a sua procura por Deus foi a procura que Deus fez por ele. Por muito que Agostinho se enganasse no caminho ou na resposta ao seu questionar, Deus não desistiu nunca de se fazer encontrado. E, nisso, a sua mãe, Santa Mónica, com a sua presença, a sua oração e as suas lágrimas, foi bem a figura de quem, ao longo de tantos anos, perseverava, não a partir de um sonho ou de uma convicção meramente humana, mas a partir de Deus, pedindo a graça da conversão do filho.
Contrariando as expectativas de alguns decénios atrás, que preconizavam o desaparecimento para breve do fenómeno religioso, o facto é que o homem contemporâneo continua a procurar Deus.
É verdade que a grande maioria não o faz sem andar por caminhos distantes – se é que não afastam mesmo – do rosto do Deus verdadeiro, que se mostrou em Jesus. Mas o facto é que esta procura, longe de ter abrandado, se tornou cada vez mais forte.
Tal como outrora com Santo Agostinho, também agora Deus continua a não desistir de se fazer encontrado de cada ser humano, até mesmo daqueles que não colocaram ainda os pés ao caminho. Mas importa que, tal como no séc. IV, também hoje existam cristãos com profundidade espiritual e ousadia evangélica que não desistam de mostrar aos demais a verdadeira face de Deus que vem até nós em Jesus de Nazaré.
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