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Sector da Pastoral Familiar
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Continuamos a fazer uma breve apresentação das Catequeses Preparatórias do VII Encontro Mundial das Famílias, o qual se realizará em Milão em Maio de 2012. Estas Catequeses levam-nos hoje a reflectir sobre as relações familiares, com vista a um maior equilíbrio entre cada um dos seus elementos.

Recordar é viver: recordar momentos da juventude, nas aventuras que nos fazem crescer e recordar também momentos de vivencia da fé, ao mesmo tempo que acolhemos algumas pistas para uma equilibrada e bem vivida catequese doméstica.

 

As Relações Familiares

“Talvez tenhamos sido ricos ou talvez tenhamos sido pobres, quando era criança. O que sei é que nos sentíamos ricos. Porque havia sempre amor e havia sempre surpresas”, dizia uma jovem mãe, lembrando os tempos da sua infância, ao mesmo tempo que sublinhava algumas notas num manual de pedagogia infantil:

A organização familiar mudou muito nos últimos tempos. Os pais não deixam os filhos brincar na rua, devido aos perigos que há nas grandes cidades, não há aventuras nem descobertas no mundo exterior.

Muitos pais preocupam-se com a ocupação dos tempos livres dos seus filhos. É como se estivessem a encher os horários das crianças e dos jovens como os seus próprios. O problema do quase total preenchimento do horário das crianças é que comprometem os trabalhos da escola, deixam as crianças sem tempo para reflectir, para se conhecer melhor ou simplesmente para não fazer nada. É preciso tempo para estar aborrecido, desocupado, ou simplesmente para estar feliz e sonhar; estes tempos são essenciais para o desenvolvimento.

Educar pressupõe sempre conflito. Os pais devem definir as fronteiras, mas devem ter a noção de que nem sempre irão ser respeitadas e há que deixar espaço para novas experiências.

Uma área sensível na vida das nossas crianças é o tempo do sono. Existem motivos relacionados com o estilo de vida das crianças que também esclarecem este aspecto, desde a dieta açucarada e com cafeína, à falta de exercício físico ou ao ar livre, à excessiva estimulação cerebral pelo entretenimento obtido através dos ecrãs – computador, televisão e jogos, etc. Nas crianças pequenas, uma rotina que inclua uma dieta saudável, conversa com os pais, lavar os dentes antes de ir para a cama e uma história ao deitar, contribuirão para um melhor sono.

 

“Lembro-me tão bem dos banhos à noite com a mãe! Inundávamos sempre o chão. Obrigada mãe, é o que acontece quando há golfinhos na banheira. Ou se faz esqui aquático com uma esponja.”

“Obrigada, Pai, por todas as boas recordações. Pela oração ao deitar, pelos jogos de raquetes na praia, pelo gato que cresceu comigo e por aquela vez em que fizemos uma sopa-surpresa …”

 

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VII Encontro Mundial das Famílias (II)

As Catequeses Preparatórias do VII Encontro Mundial das Famílias procuram responder a questões tão comuns à natureza familiar como por exemplo sobre os critérios e as escolhas que orientam a nossa vida familiar, ou sobre as dificuldades comunicativas e sociais que se devem enfrentar para fazer da família um lugar de crescimento humano e cristão.

A primeira catequese aponta-nos a origem da família, com a criação do homem e da mulher, numa aliança que os envolve a eles mesmos, mas assente na intervenção do Criador. A família nasce do casal pensado, na sua própria diferença de género, mas à imagem e semelhança de Deus. A aliança que um homem e uma mulher, na sua diferença e complementaridade, são chamados a viver, é à imagem e semelhança do Deus aliado do seu povo.

No casal existe admiração, acolhimento, dedicação, alívio à infelicidade e à solidão, aliança e gratidão pelas obras maravilhosas de Deus. O amor conjugal, feito de atracção, companhia, diálogo, amizade, atenção, mergulha as suas raízes no amor de Deus, que desde a origem pensou o homem e a mulher como criaturas que se amassem com o seu próprio amor.

Como nos refere a segunda catequese, mais cedo ou mais tarde, de vários modos, a vida de família é posta à prova. Nesses momentos difíceis, é necessário ter sabedoria, discernimento e esperança, muita esperança, às vezes para além de qualquer evidência humana. Tal como a José, que em sonhos lhe foi anunciada a gravidez de Maria e comunicado o convite a recebê-la e a tomá-la consigo (cf. Mt 1, 20 – 21), também ele teve de enfrentar o perigo da perseguição, tomando o menino e sua mãe e afasta-os da situação de perigo. E ele age na plena consciência de que é assistido pela protecção eficaz de Deus.

Do mesmo modo, a família enfrenta hoje situações perigosas e dissimuladas: sofrimento, pobreza e prepotência, ao mesmo tempo que ritmos de trabalho excessivos, consumismo, indiferença, abandono, solidão. O mundo inteiro pode apresentar-se hostil; como adversário da vida dos mais pequeninos, de muitas formas. Cada pai ou mãe gostaria de tornar mais fácil o mundo, mais habitável para os seus filhos, demonstrando-lhes que a vida é boa e digna de ser vivida.

Aos pais é pedido que preservem os filhos das numerosas “noites” dos seus problemas. Existem muitas “noites” que caem sobre a vida familiar: as que lançam o casal para a escuridão de um relacionamento que se tornou difícil; as que se constituem no pesadelo dos filhos em crise, quando se tornam mudos, distantes ou então acusadores e rebeldes … quase irreconhecíveis.

E termina a segunda catequese com uma sugestão de escuta do magistério relativamente a diversos momentos difíceis em que a família tem necessidade de ajuda da comunidade eclesial e dos seus pastores: a situação de idosos, não raramente forçados a viver na solidão e sem meios adequados de subsistência; a incompreensão ou a falta de amor da parte das pessoas mais queridas; o abandono do cônjuge ou a sua perda, que faz começar a dolorosa experiência da separação, etc. (cf. Familiaris Consortio, 77)

Por isso, fica-nos a confiança em Deus, como sugestão de oração: “O Senhor está comigo, é a minha ajuda” (Sl 117, 7)


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Catequese doméstica: Crer em Jesus, Filho de Deus

“A minha doutrina não é minha, mas daquele que me enviou.

Eu é que O conheço, porque procedo d’Ele e foi Ele que me enviou.” (Jo 7, 16.29)

 

Como conhecemos Jesus? Deixamos que Ele entre nas nossas vidas, na nossa família? Neste Advento, acolhemos e anunciamos Deus que assumiu forma humana e que se fez um de nós para nos indicar o caminho, a verdade e a vida?

Jesus, a Palavra que vem do alto, o Filho de Deus Pai, assume a nossa humanidade, cresce como um jovem no seio de uma família, vive a experiência da religiosidade e da lei, assume o quotidiano ao ritmo dos dias de trabalho e do descanso do sábado. Porém, se temos dificuldade em levar Jesus a sério e em viver como Ele viveu, é porque ainda não experimentámos Deus como o nosso Abba (paizinho / pai querido). A fonte da sabedoria de Jesus, da sua transparência, da sua confiança e liberdade radical é a experiência que Ele faz de Deus como o seu Abba. Sem ter isso em conta, é para nós impossível compreender porque razão e de que forma Ele fazia tudo o que fazia.

Nestas catequeses domésticas pretendemos levar o leitor a assumir a importância do apelo, da denúncia e sobretudo da maneira de ser e de viver Cristo nos dias de hoje. Maneira de ser simples e directa, radical até sobre a forma como vemos os outros seres humanos e como nos vemos a nós próprios; como seleccionamos prioridades e como somos capazes de pôr de lado os costumes das sociedades mais evoluídas do nosso tempo.

Ora para levar Jesus a sério é preciso corresponder ao seu desafio: amar os nossos inimigos, oferecer a outra face, perdoar setenta vezes sete, bendizer aqueles que nos insultam, partilhar com os pobres aquilo que temos e, afinal, colocar toda a nossa esperança e confiança em Deus.

Ele leu os sinais do seu tempo e ensinou os seus discípulos a fazerem o mesmo: “como se vê, sabeis interpretar o aspecto do céu, mas quanto aos sinais dos tempos, não sois capazes de os interpretar” (Mt 16, 3).

Jesus é Aquele que nos ensina as prioridades da fé, na óptica do relacionamento familiar: “Estes são minha mãe e meus irmãos. Quem fizer a vontade de meu Pai, que Me enviou, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe” (Lc 8, 21).

Jesus, na obediência ao Pai, apresenta-se como protagonista de uma missão: dar-nos a conhecer a vontade do Pai: “Esta é, pois, a vontade de meu Pai: que todo aquele que vê o Filho e nele crê tenha a vida eterna; e Eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6, 40). É uma missão de amor por todos nós que Ele resume num só mandamento: “Dou-vos um mandamento novo. Que vos ameis uns aos outros como Eu vos amei.”  (Jo 13, 34)   Mas o verdadeiro amor não se exprime apenas com palavras, mas com obras  e em verdade.

No entender de Jesus, amar a Deus é uma resposta grata e alegre ao amor incondicional de Deus. É uma resposta espontânea à experiência de Deus como Pai cheio de amor e carinho. No entanto muitos cristãos pensam que primeiro teremos de ser nós a fazer um esforço tremendo para obedecer ao mandamento do amor a Deus, quando afinal não assumimos o que Jesus nos vem afirmar: que o amor de Deus vem em primeiro lugar ao nosso encontro.

É o próprio Jesus Cristo que tem uma preocupação com cada um de nós. De facto, Ele tratava toda a gente que encontrava (e não só os seus amigos) como indivíduos únicos. Isso era possível porque Ele via toda a gente como uma pessoa, como um sujeito. Amava o seu próximo como a si mesmo, ou como “outro eu”.

Na realidade, Jesus identificava-se com todos os outros seres humanos e aponta-nos essa atitude como caminho. Será este o verdadeiro sentido do Natal: crer em Jesus, Filho de Deus Pai, que vem ao nosso encontro, para que nos encontremos com o próximo.

texto do Sector da Pastoral Familiar
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