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Fidesco: 30 anos já? e agora em Timor
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Foi em 1979, em Roma, por ocasião de um encontro europeu de grupos e comunidades ligadas ao Renovamento Carismático. Alguns bispos africanos, tendo conhecido a Comunidade Emanuel, lançaram-lhe o desafio: porque não enviar voluntários leigos, profissionais empenhados, para os países de missão?

Tinha-lhes tocado a forma como eram vividos, no dia a dia, os carismas constitutivos – adoração, compaixão, evangelização. Tinham percebido que não haveria nem proselitismo, nem laivos de neocolonialismo porque era em nome de um autêntico e encarnado amor a Cristo que os seus membros anunciavam o evangelho nas suas vidas, nas relações familiares, profissionais, sociais…

Regressados a Paris, os responsáveis comunitários reflectiram e rezaram sobre o desafio. Pierre Goursat (fundador da Comunidade) e o seu Conselho acarinharam a ideia e, pouco depois, uma primeira equipa era enviada para o Zaire, actual República Democrática do Congo: um casal de médicos, uma leiga consagrada e um sacerdote. Daí até ao surgimento do ramo missionário “ad gentes” foi um passo. Em 1981 nascia a Fidesco que, por detrás de uma sigla administrativa que já ninguém hoje conhece, denunciava o seu verdadeiro fundamento: a fé (fides) ao serviço da cooperação. Regia-se pela lei francesa e assumiu-se como ONG de solidariedade internacional.

O tempo passou. A organização francesa internacionalizou-se na sua fonte. Hoje são onze os países que recrutam, formam e enviam missionários para servir os homens e mulheres nas regiões mais pobres de todo o mundo. O princípio continua a ser o mesmo: apostar no desenvolvimento dos povos, enviando voluntários em missões profissionais dos mais diversos âmbitos, da saúde à agricultura, da gestão à educação, da construção civil ao serviço social, em nome da promoção integral das pessoas, muito para além da mera satisfação das necessidades imediatas e urgentes. As missões são de dois anos para permitirem uma plena inserção na realidade local e uma verdadeira partilha de vida. Os parceiros “contratantes” têm sido sempre as igrejas locais, na pessoa dos seus bispos ou de comunidades religiosas que detectam os problemas a resolver e solicitam a presença dos cooperantes. Um ponto de honra nunca é beliscado: o voluntário da Fidesco só parte quando, por qualquer razão, não há um técnico nacional que possa ou queira realizar a tarefa.

Ao lado das missões pontuais, que ocupam normalmente pares de cooperantes (casados ou celibatários), a Fidesco criou e gere diversos projectos em alguns países: um centro de reagrupamento de famílias desfeitas pela guerra civil no Ruanda, um hospital para os pobres dos arredores de Conakry, uma quinta-escola em Madagáscar, um serviço de apoio aos presos sem culpa formada em Kinshasa, um centro de formação profissional e reorganização social no Haiti, um conjunto de pólos de apoio aos imigrantes ilegais na Florida.

Em Portugal, a Fidesco surgiu há 5 anos. Ainda vai dando os primeiros passos. Mas já houve missionários portugueses em Angola e no Brasil – trabalhando com crianças órfãs de guerra ou abandonadas nos bairros periféricos de Luanda, promovendo a dignidade pessoal (familiar e profissional) de mulheres numa favela de Salvador da Baía ou integrando crianças e adolescentes em risco nos arredores de Porto Alegre. Por outro lado, à distância, usando os meios que a tecnologia proporciona, a Fidesco-Portugal integra o gabinete jurídico de Kinshasa e acompanha a reabilitação de imóveis em Lwena, destruídos pela longa guerra que assolou Angola.

 

Timor

Neste preciso momento, é com alegria que vemos mais um país juntar-se aos que recebem o apoio missionário da Fidesco: Timor-Leste vai acolher as primeiras voluntárias: uma engenheira civil e uma educadora partirão este mês de Setembro para Ainaro, não longe do pico Ramelau, nas montanhas que abrigaram os resistentes timorenses em luta contra o invasor.

A Vera e a Andreia estarão dois anos longe de casa, suportadas afectiva, espiritual e também financeiramente por amigos e anónimos generosos, trabalhando na reabilitação de edifícios em risco e na formação profissional de crianças e jovens. Serão dois anos de corte com os seus hábitos, a uma distância enorme das suas famílias, num país em que tudo é diferente – o clima, as pessoas, a alimentação, até a língua. Uma coisa as anima: o desejo de servir e a certeza de que “têm as costas quentes” porque o amor de Jesus e dos irmãos nunca as abandonará.

Na entrevista que deram no Facebook, elas diziam. “Dois anos dá para que haja mais frutos e para que os timorenses possam continuar aquilo que vamos iniciar e trabalhar por eles próprios”. “O maior desafio é integrarmo-nos numa comunidade muito diferente da nossa mas os receios são superados pelo desejo de servir os outros”.

Em breve, outros seguirão estas pisadas. Em Timor ou no Brasil, na Tailândia, no Peru, no Senegal…, em qualquer país onde nos assinalem uma necessidade a pedir resposta e em que tenhamos um voluntário com perfil indicado para a satisfazer. Se, por graça de Deus, algum leitor destas linhas estiver interessado em partir connosco (ou conheça quem esteja), pode dirigir-se a fidema.fidesco@gmail.com ou procurar mais informações em www.fidesco-international.org/pt. Cá os esperamos para os ajudar a discernir e, se for o caso, para os enviar ao serviço de quem precisa.

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