Abundância ou privação? O equilíbrio das famílias passa por valorizar o pouco que se tem, e desse pouco saber fazer muito. Nos momentos de crise sente-se mais a solidariedade, mas é preciso ensinar a ser solidário, ensinar a que cada um saiba sair de si mesmo para ir ao encontro do outro. Não é assim também no casamento e na construção da família?
O desafio é então da tempestade saber fazer a bonança, descobrindo o amor na partilha. E assim se exprime a extraordinária misericórdia de Deus para com o Homem carecido de tudo.
“Depois partiu os pães e deu-os aos discípulos, e os discípulos deram-nos à multidão. (...) E dos pedaços que sobraram encheram doze cestos.” (Mt 14, 19)
A solidariedade está em cada um de nós
O mundo está em grandes mudanças e para as quais não estamos devidamente preparados. Hoje tudo assenta na economia global: deixamos de estar isolados e somos afectados positiva e negativamente pelos ventos das grandes economias mundiais.
Pensávamos que os tempos de crescimento económico iriam continuar sem fim, mas há já quem tenha classificado os tempos actuais como “o fim da ilusão”.
Aqui no nosso cantinho à beira mar plantado, muitas famílias estão a enfrentar situações de grande desespero por perda de emprego, ou redução dos seus rendimentos. Acresce ainda o fenómeno (não raro) de assistir à tristeza dos agricultores e produtores de bens essenciais, que não conseguem colocar os seus produtos pelo justo preço da produção. E é deles que dependemos!
O que estamos então a ensinar aos nossos filhos sobre esta crise em que estamos a mergulhar? Há um fenómeno que tem de ser sublinhado: os portugueses, de uma maneira geral, avançam à chamada para a solidariedade.
Em Óbidos há um grupo de quarenta voluntários que tentam pôr em prática a responsabilidade, como cristãos, de agirem perante diversos tipos de carências, que se fazem sentir no Concelho. Este Grupo Interparoquial de Acção Sócio Caritativa – Guias de S. Lourenço – trabalha com o máximo sigilo no que se refere às famílias apoiadas, à sua localização e tipo de necessidade que, na maioria, são casos de pobreza envergonhada. As necessidades da população apoiada centram-se no isolamento de pessoas idosas, com baixos recursos económicos, nos desempregados de longa duração, doentes crónicos incapacitados para promover uma vida profissional e nas famílias numerosas, com parcos rendimentos.
Um grupo com características sociais diferentes tem sido também objecto de intervenção deste Grupo de voluntários: são as pessoas com formação superior e que noutros momentos da vida possuíram bons empregos e estabilidade pessoal e familiar, mas que por razões diversas, se vêem agora numa necessidade extrema. Depois de grande relutância acabam por muito discretamente pedir ajuda ou deixar que outros o façam por si.
O Grupo surge assim da necessidade de responder, de forma urgente, a alguns casos de famílias em situação de carência, a que os organismos oficiais não conseguem dar a resposta imediata necessária.
Desde o início já se dirigiram ao Grupo uma centena e meia de famílias e o impacto positivo, manifestado pelos próprios, implica uma responsabilidade cada vez maior nas diversas intervenções, a sentir que muito mais há por fazer, sendo necessário encontrar novas estratégias, que respondam cada vez melhor às necessidades reais.
A solidariedade hoje exige muita criatividade, nomeadamente para encontrar as respostas financeiras para concretizar os diversos tipos de apoio que se pretende proporcionar. Mas aqui toda a acção visa colmatar as necessidades básicas de famílias com diferentes carências, promovendo a sua integração social.
Este Grupo desenvolve a sua acção pelas sete Paróquias do Concelho de Óbidos, apoiando presentemente cerca de oitenta famílias que revelam diversas necessidades a nível de bens essenciais (alimentação, mobiliário e outros equipamentos domésticos, vestuário, material escolar, brinquedos, …), de informação, sensibilização e encaminhamento para serviços e/ou instituições de apoio que possam vir a responder às suas necessidades de emprego, habitação, aconselhamento familiar, saúde, etc.
Os quarenta voluntários põem os seus talentos a render, oferecendo toda a sua disponibilidade no acolhimento, ouvindo a situação, analisando o problema e efectuando o diagnóstico, para agir, com vista à minimização dos problemas.
É de realçar a sua dedicação nas seguintes actividades:
Recolha de bens alimentares e de utilização doméstica – no início da actividade foi estabelecido um protocolo com o Banco Alimentar do Oeste, com a entrega mensal de bens alimentares. Com carácter mensal, criaram a recolha de bens nas missas paroquiais, ao primeiro domingo de cada mês: “Missa da Partilha”. Periodicamente, fazem campanhas de recolha em algumas grandes superfícies locais. Mas como a solidariedade está ao alcance de cada um de nós, recebem donativos, de vários bens, com carácter regular, de pessoas particulares e empresas.
Atribuição de bens alimentares e outros, entregues ao domicílio – Esta delicada tarefa pressupõe a distribuição de um cabaz alimentar, ao domicílio, de três em três semanas. Distribuem vestuário, calçado, livros, brinquedos, etc., sempre que solicitado; mobílias, electrodomésticos, louças e utilitários, em função das necessidades e do stock existente. E entregam medicamentos a famílias com maiores necessidades e cuja despesa em medicação se revela incomportável.
Convívios – Proporcionam convívios periódicos com as famílias apoiadas, em que o objectivo é promover a sua integração social através da interacção entre os voluntários do grupo, os utentes e a comunidade.
Atelier – Formação – Espaço vocacionado para a aprendizagem de artes decorativas, pintura, restauro e costura a partir de materiais reciclados/recuperados ou outros, orientados por uma formadora com conhecimento e experiência nestas áreas.
Os objectivos deste projecto incidem em retirar os utentes desempregados do isolamento em que vivem, promovendo um sentimento de valorização e auto-estima, por trabalharem para a comunidade. Esta participação activa pode ser compensada monetariamente, com uma pequena percentagem sobre os produtos vendidos em espaço anexo à Igreja de São Pedro, direccionado para quem visita a Vila de Óbidos (a venda, neste espaço, constitui um fundo para a sustentação das despesas do Grupo, como sejam, a renda, água, luz, formadora e outras despesas subjacentes à actividade).
Esta é a prova de que a solidariedade exige criatividade e empenho. E uma coisa podemos ensinar aos mais novos: é na adversidade que surgem as melhores iniciativas, porque o querer é o melhor amigo do fazer.
No passado mês de Julho o Papa lembrou-nos de que não se pode ficar indiferente à tragédia da fome e da sede. Com o evangelho do Milagre dos Pães (Mt 14, 13-21) Jesus encoraja-nos a dar de comer a quem precisa e a repartir o pão com os necessitados. Afinal, a solidariedade está em cada um de nós!
Catequese doméstica: Como é ser pai ou mãe hoje em dia?
Ser pai ou mãe é a tarefa mais nobre e empolgante do mundo: é gerar uma vida, é criar um ser, é moldá-lo de acordo com as nossas convicções e costumes, é ainda prolongar o nosso próprio ser.
No entanto, ser hoje pai ou mãe pode ser verdadeiramente cansativo ou pode gerar stress e algum desespero, quando há que lidar com as teimosias e conflitos dos filhos: de manhã custa muito o acordar e levantar, depois segue-se a birra habitual porque não querem vestir a roupa que se destinou de véspera e no final do dia (quando o cansaço dos pais mais se faz sentir após um dia de trabalho) recusam-se a tomar o duche, ou não querem sair da casa de banho e atrasam ainda mais o jantar, conseguindo estabelecer uma “guerra” que se prolonga até à hora de deitar.
Ser pai e mãe hoje é um acto de heroísmo quando se consegue, com energia e firmeza, transformar estes momentos de conflitos e afirmação em momentos felizes e sem birras.
Muitas famílias têm feito um caminho que reconhecem ser de uma aprendizagem contínua, mas na confiança do Amor de Deus por nós. Esse amor de tolerância e que se aprende numa perseverante Catequese doméstica sem a qual não há a transmissão da fé, não há a passagem dos valores em que acreditamos e nos quais queremos viver e construir uma verdadeira família.
O Sector da Pastoral Familiar tem por missão apontar caminhos e acompanhar todos aqueles que se dedicam à família, com uma especial preocupação: iluminar a realidade humana com a doutrina da Igreja. É o que se pretende com esta coluna que vos oferecemos a partir de agora.
Afinal, saber gerir o stress que é causado pela correria do dia-a-dia, equilibrar a vida profissional com a disponibilidade para a vida familiar, criar um clima de amor, mas com regras e disciplina que sejam vividas e estimuladas por todos os seus membros, é um segredo que se aprende no perder e no ganhar de uma relação que se constrói cada dia, com vista a criar um ambiente alegre e tranquilo em família.
E então, sim! Poderemos amanhã olhar para trás e dizer de consciência tranquila: “dei o meu melhor, não me demiti de ser pai /mãe e preparei os meus filhos para a vida, no caminho de amor que Jesus nos aponta”.
![]() |
Guilherme d'Oliveira Martins
O périplo africano do Papa Leão XIV constitui no momento atual motivo de séria reflexão, pela importância...
ver [+]
|
![]() |
Tony Neves
Aterrei na Cidade do México e, ao sobrevoar, deu para perceber a sua enorme dimensão. Segundo estatísticas,...
ver [+]
|
![]() |
Tony Neves
Mértola é uma vila inspiradora e as localidades do município são belas e acolhedoras. Visitei diversas...
ver [+]
|
![]() |
Tony Neves
Mértola é uma Vila muito interessante, banhada pelas águas do Guadiana, que transpira história por...
ver [+]
|