São apenas 10 % da população. Só querem viver a sua fé em paz, mas os dias têm sido de medo, de violência, de sangue e morte. Os radicais islâmicos parecem apostados em perseguir os cristãos coptas. Eles pedem ajuda. Será que vamos fingir que não sabemos de nada?
Cinco meses depois das enormes manifestações na praça Tahir, em que milhares de egípcios reclamavam pela abertura democrática do regime e pelo afastamento de Hosni Mubarak, o povo voltou, ruidoso, às ruas, à mesma praça e com praticamente os mesmos objectivos. Com excepção de Mubarak, que entretanto já foi forçado a largar a cadeira do poder, os egípcios continuam a reclamar por mais reformas, criticam a junta militar que entretanto tomou as rédeas da governação e exigem que se cumpram as promessas da chamada “Primavera Árabe”.
Ambiente de medo
A verdade é que, para muitos, o país está pior. A começar pelos cristãos que, sendo uma clara minoria, têm vindo a assistir, impotentes, ao crescer de um ambiente de medo e de violência que normalmente antecede as tragédias. Os cristãos têm medo que a revolução egípcia tenha tornado o país menos tolerante e mais perigoso para as minorias religiosas. A princípio, todos foram para as ruas reclamar por um país mais livre. Só que agora, muitos cristãos sentem-se ameaçados pelo aparecimento de antigas tensões que ameaçam toda a região. A tal ponto que um jornalista cristão pergunta se “os cristãos terão direitos iguais e cidadania plena?”
Minorias sem protecção
A pergunta tem razão de ser. Desde a queda do presidente Hosni Mubarak, já se registaram dezenas de mortos, centenas de feridos e várias igrejas destruídas, muitas delas em chamas, sendo que o clima de tensão entre as comunidades cristãs e muçulmanas são uma realidade concreta. E muitos interrogam-se sobre a real protecção dos direitos das minorias, como a liberdade religiosa e de expressão, isto enquanto o mundo assiste a que grupos islâmicos vão ganhando cada vez mais espaço na agenda política, controlando o rumo dos acontecimentos, como é o caso da Irmandade Muçulmana.
Clima de opressão
Os cristãos, que representam apenas cerca de 10% da população de 80 milhões de egípcios, queixam-se de um clima de opressão contante, sendo que é cada vez mais visível que os muçulmanos radicais querem impôr na prática aquilo que já está escrito na constituição do país e que declara o Egipto como uma nação muçulmana, o que significa que as suas leis têm de ser ditadas segundo o Islão. E o drama é que, para muitos, o Islão não faz distinção entre política e religião.
Apelos lancinantes
Por todo o Egipto têm continuado as manifestações. E têm continuado as acções de violência contra os cristãos. Desde Setembro do ano passado que têm ocorrido incidentes graves, com dezenas de mortos e feridos entre a comunidade cristã copta. O Bispo de Guizeh, D. Aziz Mina, lançou um apelo, através da Fundação AIS, para que o mundo se mobilize a favor das minorias no Egipto. Não fazer nada é colaborar na tragédia. “Façam alguma coisa antes que seja tarde de mais”, pede o prelado. Todos temos o dever de agir.
Saiba como pode colaborar em www.fundacao-ais.pt
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