Formar para a vida e deixar marcas dessas experiências que perdurem no tempo e possam ser transmitidas a outras gerações, é um caminho que se percorre na entrega e na partilha.
“Quem semeia pouco também colherá pouco e quem semeia abundantemente também colherá abundantemente” (2Cor 9, 6)
Quantos somos, quem somos Os resultados provisórios do Censos 2011 já nos dão a indicação de que somos 10,5 milhões e que a população residente em Portugal teve um ligeiro crescimento, com o particular contributo da imigração. E quanto ao género, a média apurada é de 9 homens em 10 mulheres. Nos últimos dez anos aumentou o número de famílias em 11%, mas há um fenómeno que temos de avaliar nas suas consequências de relação com os outros: o número médio de membros por família desceu dos 2,8 para 2,6, sendo que em Lisboa é onde se regista o número mais alto onde as famílias são mais pequenas. Isto quer dizer que os núcleos familiares são mais pequenos por via da redução de nascimentos e porque os familiares mais velhos ou vivem sós, ou são entregues a lares / residências de idosos. Os progenitores deixaram de co-habitar na mesma residência dos mais jovens e o modelo de vida alterou-se nas últimas gerações. Na edição do Voz da Verdade de 26 de Junho último, um excelente artigo do Pe. João Lourenço faz referência ao novo modelo de família que se afirma cada vez mais, quando “deixa de ser um espaço aberto de partilha e de comunhão”. Este individualismo que nasce nos núcleos familiares mais pequenos, em que cada um olha mais para si mesmo do que para os outros, cria ainda um estilo de “dependência afectiva que se arrasta no tempo e que bloqueia os tempos exactos das opções que devem ser feitas”, num ambiente de protecção excessiva dos pais sobre os filhos. Em várias reflexões que temos feito convosco, temos abordado a necessidade de evangelizar as nossas famílias, incutindo em cada membro a dimensão de gratuidade e de autonomia numa entrega aos outros, sejam da própria família, sejam da nossa vizinhança, ou das nossas relações profissionais. Até porque evangelizar é testemunhar o nosso amor a Jesus Cristo, na atenção que damos aos outros. Como tal, é preciso incutir na família os valores cristãos: sermos generosos no acolhimento, na força da fé vivida, como amor a Jesus Cristo, com quem nos identificámos no baptismo. Só assim saberemos quem somos. Ou seja, saberemos que fazemos parte de uma família que é “casa e escola de comunhão” (NMI 43), vivendo uma vida que seja marcada pela fé como adesão ao Deus vivo, animada pela esperança e que edifica cada um dos seus membros pelo exercício da caridade. Há necessidade de anunciar a Boa Nova com alegria. Que cada um consiga fazer-se próximo para cativar o outro, na certeza de que Jesus não nos abandona, fazendo-nos sentir que “a carga é leve e o jugo é suave”. Não se leva a faca à boca Durante o tempo de férias, conseguimos estar mais tempo e de uma forma mais descontraída com os nossos filhos, sobrinhos, afilhados e até netos. É um tempo que normalmente aproveitamos para estreitar laços familiares, revendo-nos e muitas vezes surgem expressões como “estás mais alto”, ou “que diferente estás!” e “que alegria em que passes estes dias de férias connosco”. Felizes daqueles que podem passar uns dias de férias com os pais e avós, porque guardarão nas suas memórias os momentos de partilha, de diálogo e de confronto com outras maneiras de estar e sentir, o que contribui para o crescimento dos nossos jovens. Os mais velhos, como educadores, devem também empenhar-se em preparar esses momentos de vivencia familiar. Preparar é planear, imaginar experiências e momentos que sejam atraentes para ambas as gerações. Muitas vezes à mesa partilhamos ideias ou apresentamos aos outros as situações mais marcantes de um ano de trabalho, dos diálogos e confrontos nem sempre fáceis com os colegas de escola, ou de novos contextos de aprendizagem que a escola proporcionou. E é também à mesa que muitas directrizes são dadas, sugestões que ajudam a formar o carácter dos mais novos e conselhos para os integrar numa sociedade competitiva e pouco tolerante. “Não se leva a faca à boca” é uma das muitas expressões que se soltam, quase que num impulso, dos educadores empenhados em dar aos mais novos a noção de como comer com garfo e faca. Saber estar à mesa é o primeiro passo para saber como estar em sociedade. E é triste ver que alguns jovens e outros menos jovens não têm noção de que nunca se leva a faca à boca, da mesma maneira que não se come com as mãos. Muitos há que não podem passar uns dias de férias com os familiares mais afastados e não vivem estas experiências de convivência familiar que ocorrem quase de ano a ano. A esses são muitas vezes proporcionadas experiências de ATL que podem ser extraordinariamente marcantes pela criatividade, imaginação e apontamentos culturais que encerram. Valorizamos todos os centros de ATL e todas as instituições de um modo geral que se empenham numa verdadeira atitude construtiva, num ensino que distinga o bem do mal, levando a criança ou adolescente a fazer as suas próprias escolhas, aprendendo a respeitar o próximo. Apoiar e complementar sempre a acção educativa das famílias é o que se pretende destas instituições. Aprender fazendo, é muitas vezes o lema dos programas de ocupação de férias para jovens. Por isso vemos que ao longo de algumas semanas os jovens são orientados para desenvolver projectos temáticos em diferentes áreas: voluntariado, desporto, artes, história, ciência ou tecnologia são os temas mais recorrentes. Se no voluntariado se prevê muitas vezes uma intervenção junto de Centros de Dia para idosos ou em Instituições de Solidariedade Social, já por outro lado há programas que ao nível de conhecimentos de turismo procuram dar a conhecer algumas das características deste sector, por exemplo nos “sabores e licores” em que é preciso ensinar a beber para evitar que muitos jovens sejam vencidos pelo álcool. Crescer é adquirir bagagem cultural e intelectual, sabendo estar e comportar-se em diversos meios ou ambientes. As férias são, assim, um tempo por excelência em que os educadores (e todos os adultos são educadores...) não se demitem, antes procuram transmitir os valores que formam para a vida. Seja nas actividades entre os vários membros da família, seja nos ATL ou ludotecas, o importante é que haja projectos que pretendam responder à necessidade de ocupação de tempos livres, com brincadeira, diversão, mas que se constituam como construção de novas aprendizagens com valores humanos. Boas férias! ________________ Fala-me de Madrid! Muitos de nós fomos marcados por alguma Jornada Mundial da Juventude (JMJ) em que tenhamos participado. Roma por exemplo (ano Jubilar 2000) foi para muitos uma experiência marcante e difícil de traduzir ao detalhe a quem nunca esteve ligado a estas grandes experiências de juventude. Em Agosto, Madrid estará, certamente, com temperaturas bem mais elevadas do que as que temos na zona de Lisboa. Por isso não se pense que as JMJ 2011 serão como que uma viagem de fim de ano lectivo, ou um passeio cultural onde vão estar muitos jovens, ou um encontro de jovens com o Papa. Será sobretudo uma peregrinação e onde Bento XVI, sem dúvida, aproveitará para lembrar aos jovens que é em Cristo que se encontram as respostas a muitas inquietações próprias da sua idade e dos tempos que vivemos. O encontro com Cristo é partilhar a nossa vida com a vida de Cristo, que nos dá a resposta à eterna pergunta “que é o homem para que Vos lembreis dele? Quem sou eu afinal?” Num momento em que Espanha se prepara para aprovar uma lei de morte digna que representa uma legalização encoberta de práticas de eutanásia, é preciso dar uma lufada de ar puro aos jovens que visitam Madrid, nas JMJ em Agosto próximo. Vai, e vive essa maravilhosa experiência de seres jovem e traz-me de Madrid a certeza de que estás preparado para te afirmares como cristão que prezas o dom da vida. Que tenhas sempre alegria de viver, aprendendo na Verdade a construíres a tua casa sobre a rocha, para te saberes enraizado e edificado em Cristo, firme na fé.
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