O Bispo Olivier Schmitthaeusler, vigário apostólico de Phnom Penh, é muito jovem mas não se assusta com a grandeza da sua missão. Num país que viveu um dos maiores holocaustos de que há memória nos tempos recentes, a Igreja Católica é agora semente de esperança, de futuro. Esta é mais uma história de como a Fundação AIS está, no mundo, de braço dado com os construtores da paz e da reconciliação.
Foi um dos momentos mais negros da história recente da humanidade. Na segunda metade da década de setenta do século passado, os marxistas de Pol Pot tentaram fundar no Camboja uma sociedade sem classes, sem dinheiro, sem livros e sem religião. Foram mortas mais de dois milhões de pessoas. A negra utopia não conseguiu impor a sua vontade, mas só agora no Camboja se começa a fazer o julgamento dos últimos líderes vivos do regime de Pol Pot. Três décadas depois, a humanidade não pode esquecer aquilo que de mais terrível já se fez em nome do comunismo e sempre contra a religião.
Massacre implacável
Durante o Governo Khmer Vermelho, os cristãos e os monges budistas foram implacavelmente massacrados. Se é verdade que a sociedade só conseguiu agora reunir forças para olhar o seu passado de frente, é necessário dizer que tem havido um trabalho imenso de reconstrução nacional e a Igreja católica tem estado na linha da frente desse esforço. O Bispo Olivier Schmitthaeusler, vigário apostólico de Phnom Penh desde Outubro, é um dos rostos desse tempo de transformação que está a ocorrer.
A Fundação AIS sempre presente
Em declarações à Fundação AIS, o mais jovem bispo do mundo, membro das Missões Estrangeiras de Paris, explica como tem sido este trabalho em que tudo está a ser feito novamente, num renascimento da própria Igreja. “Quando cheguei, só existia um cristão. Nós começámos do nada. Construímos a igreja e organizámos um grupo de jovens. Celebrámos o primeiro baptismo em 2003 e agora temos um total de 98 pessoas baptizadas e 35 catecúmenos que vão ser baptizados no ano que vem. Também começámos uma pequena escola, que é uma creche e uma escola primária. Temos um centro de teares de seda, também. O povo Khmer é muito acolhedor e deu-me as boas-vindas de braços abertos. Foi uma experiência magnífica para a minha vida sacerdotal.”
A importância da educação
O facto de o país ser maioritariamente budista não condicionou o trabalho do bispo. “Deus está connosco. As pessoas aceitaram-nos muito bem porque nós temos uma creche, e os pais, todos budistas, mandam os filhos para a nossa escola.” E que memória têm as pessoas dos tempos de horror que causaram mais de dois milhões de mortos, muitos deles barbaramente torturados? “Eu acho que no Camboja, durante os quatro anos do reinado de terror de Pol Pot, foi destruído tudo. A cultura e todas as formas de religião, como o budismo e o catolicismo. Depois, nos dez anos de ocupação comunista vietnamita, depois do khmer vermelho, continuou sem ser permitida nenhuma forma de religião. Durante os últimos vinte anos, os cambojanos começaram a reconstruir as suas tradições, assim como as práticas religiosas, e agora, acredito eu, as pessoas estão mais abertas do que antes. Isso é um grande benefício, principalmente para a Igreja Católica.”
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