O activista político chinês Hu Jia deixou esta semana a prisão, depois de ter cumprido uma sentença de três anos e meio a que tinha sido condenado sob acusação de subversão. Também o conhecido artista plástico e defensor destacado dos direitos humanos, Ai Weiwei, deixou a cadeia e foi colocado em prisão domiciliária, sob caução. Curiosamente, estas libertações mediáticas ocorrem na mesma altura em que o primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, está a efectuar uma visita à Europa, com contactos diplomáticos importantes em Inglaterra e na Alemanha, a que acresce uma agenda comercial qeu tem cada vez mais relevo.
Aprisionar consciências
O que Pequim não afirmou, quando noticiou a libertação destes dois activistas dos direitos humanos, foi que impôs a ambos sérias restrições no que respeita à locomoção e à liberdade de expressão.
Hu Jia estará proibido de dar entrevistas ou de se manifestar sequer por escrito durante um ano, o que inclui textos na Internet. A restrição é semelhante à aplicada ao artista plástico Ai Weiwei, libertado uns dias antes, depois de ter passado quase três meses na prisão.
Hu Jia actuava em defesa dos direitos dos portadores do vírus HIV, em questões ambientais e a favor de reformas democráticas na China. Recorde-se que em 2007, uns meses antes dos Jogos Olímpicos de Pequim, Hu Jia e o advogado Teng Biao divulgaram o manifesto "A China Real e a Olimpíada", no qual criticavam a situação dos direitos humanos no país.
Em 2008, Hu Jia ganhou o prémio Sakharov para a Liberdade de Pensamento, o mais importante na área de direitos humanos concedido pelo Parlamento Europeu, e o seu nome foi inclusivamente apresentado como candidato ao Nobel da Paz em 2008 e 2009.
Repressão constante
Entretanto, a Comissão sobre a Liberdade Religiosa Internacional, com sede nos Estados Unidos, emitiu este ano um relatório que é particularmente severo para com a China, acusando este país de restringir severamente as actividades dos grupos religiosos não registados oficialmente ou os que são considerados pelas autoridades como ameaças para a segurança nacional. Entre estes estão os budistas tibetanos e os muçulmanos, mas todas as confissões religiosas são controlados pelo Governo, que supervisiona a selecção do clero, proíbe reuniões religiosas e restringe a distribuição de literatura religiosa, entre outras medidas arbitrárias.
Cristãos perseguidos e presos
Segundo esta organização americana, no ano passado foram presos cerca de meio milhar de cristãos, especialmente protestantes. Os católicos também estão na linha de fogo, com dezenas de membros do clero na cadeia ou em prisão domiciliária. Segundo este relatório, estima-se que pelo menos 40 bispos católicos estão presos ou desaparecidos. O ano passado, de acordo com esta Comissão, foi particularmente sensível no esforço do Governo de Pequim em tentar por todos os meios controlar a Igreja Católica. Uma das medidas foi a ordenação de um bispo sem a aprovação do Vaticano e a escolha de bispos, não aprovada por Roma, para cargos na Igreja patriótica, aprovada pelo Governo.
Pequim também continua a proibir o clero católico de comunicar com o Vaticano.
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A Fundação AIS tem denunciado constantemente os abusos de liberdade de expressão e de culto na China. Saiba mais em www.fundacao-ais.pt
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