"Não há maior amor do que aquele que dá a vida pelos seus irmãos”. Dois mil anos depois de Jesus ter pronunciado estas palavras, Shahbaz Bhatti demonstrou, precisamente com o sacrifício da própria vida, que ainda há quem assuma a sua fé até às últimas consequências. A 2 de Março, Shahbaz, o ministro das Minorias Religiosas no Paquistão, foi assassinado com 30 tiros por se ter oposto à lei da blasfémia e ter defendido Asia Bibi, uma mulher cristã condenada por supostamente ter insultado o profeta Maomé.
Um médico pela paz
Quando se julgava que esse tinha sido o sacrifício suficiente da família em nome da fé, eis que o irmão, Paul, segue o caminho de Shahbaz, e assume o cargo de assessor especial do primeiro-ministro do Paquistão, no âmbito das minorias religiosas, com poderes executivos, como um ministro. Agora, também ele é um alvo dos extremistas que pretendem transformar o país num verdadeiro barril de pólvora. Médico, Paul não teve dúvida em largar a bata e o estetoscópio de uma carreira de sucesso por uma batalha incerta: a de promover a paz e a concórdia no Paquistão, dando exemplo de fé em Cristo e de fidelidade à memória do seu irmão.
Apelo ao Papa
Recentemente, Paul Bhatti esteve em Roma, em Abril, encontrou-se com Bento XVI e aproveitou a ocasião para pedir ao Sumo Pontífice para "continuar a apoiar os esforços dos cristãos paquistaneses pelo respeito aos seus direitos". O que está em causa, disse, é o “futuro pacífico do país, através da oposição a todas as formas de violência, intolerância e terrorismo". E esta batalha não é do Paquistão, é de todos os homens e mulheres de todos os tempos. É uma batalha da própria humanidade. A questão do convívio fraterno entre os crentes de todas as religiões é essencial, e o exemplo de Shahbaz Bhatti, assassinado na defesa da cristã Asia Bibi, condenada pela intolerância em que se traduz a lei da blasfémia, não pode ser esquecido.
Uma Bíblia especial
Durante a sua visita a Itália, Paul Bhatti haveria ainda de ter outro gesto simbólico em nome da memória do irmão mártir. Como um "sinal de esperança e perdão", doou a Bíblia pessoal de seu irmão à Comunidade de Sant’Egídio, que a colocou no memorial dos mártires do nosso tempo, na igreja romana de San Bartolomeu, na ilha Tiberina.
A importância do diálogo
Num momento em que no mundo há tantas notícias de atentados à liberdade religiosa, chega-nos do Paquistão, um dos países onde a minoria cristã vive tempos mais conturbados, este exemplo de coragem de uma família que não desiste de lutar pela paz em nome de Cristo. Como disse Paul Bhatti a Bento XVI, é essencial "prosseguir com um diálogo claro, franco, aberto, mas na verdade e no respeito mútuo". E, para que isso aconteça, é necessário que o Ocidente "faça ouvir mais a sua voz a fim de contribuir para a construção de um Paquistão verdadeiramente pacífico”.
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