Lisboa |
10 de Maio de 1991: João Paulo II, recordação e testemunho
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Pediram-me para recordar. Um dia de há quase vinte anos, um encontro que está tão vivo, tão novo que, posso dizer, é agora. Recordar o dia 10 de Maio de 1991, recordar o encontro com o Papa João Paulo II no Estádio do Restelo não é um exercício de memória é apenas abrir alegremente o coração. Verdadeiramente é re-cor-dar.

Ao abrir o coração, encontro, em camadas mais fundas, a novidade da eleição do Papa que veio do Leste, a angústia da tarde de 13 de Maio de 1981, os desafios à abertura ao amor de Deus e ao anúncio do Evangelho… Encontro aquele que me ajudou a ver, no escuro de receios e comodidades, a luz da vocação mediante uma frase que frequentou os dias da resposta: “este é um tempo maravilhoso para ser padre”. Que me motivou a re-descobrir o encanto e o valor do Terço: a oração preferida do Papa. Reconheço, sempre reconheci, que Deus me apresentou o Papa como um dos que me fez reconhecer que Ele me escolhia.

Na memória do 10 de Maio, que é como se fosse hoje, trago no coração tesouros de que não dou conta. Guardo o que vi, o que encontrei, o que escutei, o que vivi mesmo quando tudo se entrecruzou com tarefas e responsabilidades. Nesse dia, a pouco mais de uma semana da minha ordenação presbiteral, estava no Seminário dos Olivais. Com o Cón. Carlos Paes, o Pe. Alberto Gomes e o, então Acólito, Duarte da Cunha tínhamos a responsabilidade de preparar o que dizia respeito à liturgia da celebração prevista para o Restelo. Mas, isto é o acessório da memória, por mais claro que seja o “filme”.

Pela ordem dos acontecimentos, vi, em primeiro lugar o Pastor que vive para as suas ovelhas e por elas dá a vida. É a primeira imagem que guardo. No túnel de acesso ao estádio passa o “papamóvel” e nele o Papa. Rosto e figura marcados pelo cansaço e pelo calor de um quase dia de Verão. Entra no estádio e vejo-o abrir os braços em gesto de saudação, bênção e entrega. No regresso, apagada a fadiga, é o rosto feliz do Pastor que se encontrou com o rebanho, o peso da viagem e da travessia de Lisboa já não contam. Só o dom e o mistério permitem lançar a luz que permitiu acolher o que vi e entender quer o alcance quer a razão de tal facto.

O segundo momento, foi de encontro. Antes de entrar na sacristia improvisada, o Papa encontrou-se com cada um dos intervenientes na celebração. Um momento breve, medido em segundos, e longo porque medido na ordem da graça. O olhar afável, bênção paternal repousava sobre cada um. Denso e transparente que trazia consigo os apelos e os desafios da vida. Lembrei-me das margens daquele lago da Galileia. Quando chegou a minha vez, o tempo parou, a voz ficou presa à garganta, inclinei-me e beijei o Anel do Pescador em atitude de fidelidade, adesão e de resposta. Senti como se saísse um sim a prolongar-se até ao fim dos dias, a antecipar o que iria colocar nas mãos do meu Bispo. Testemunho especial, irrepetível, encantamento. Fica na memória, vincado na existência mais funda, no ser, o olhar do Papa a repousar sobre mim, sobre nós. Um olhar que marcou para sempre.

No terceiro momento escutei. Escutei o silêncio do Papa a rezar. O mais impressionante de todos os momentos e a recordação permanente, mais duradoura. Entreabriu-se a porta: o Papa rezava a Hora de Noa. Apenas rezar e nada mais, tudo. No meio do ruído de fora, a densidade do silêncio de dentro. Não era uma cortina de isolamento, era o denso, palpável silêncio do encontro, da intimidade com o Mestre, com o Senhor. Aprendia a estar com Ele, e ainda agora aprendo menos do que posso.

Este momento prolonga-se tanto quanto durou a celebração, em especial a Oração Eucarística. Mais tarde, ao ler na casa das Missionárias da Caridade a frase – “Lembra-te sacerdote que esta é a tua primeira Missa, a tua última Missa, a tua única Missa” – vi que aquela Missa no Restelo era o modelo que as palavras queriam ver e mostrar. A centralidade da Consagração, o sacrifício do Corpo entregue e do Sangue derramado, a tornar-se acontecimento cósmico. E perante milhares de testemunhas. Cada vez que vi celebrações papais certifiquei-me da justeza, da verdade inteira deste testemunho.

Como ultimo momento, a surpresa do imprevisto. Antes da saída, os cerimoniários do Papa levaram-nos, aos quatro, junto de João Paulo II, repetiram-se os gestos e as atenções. Agora adensados pela sensação indescritível da familiaridade amiga. Já não nos sentíamos distantes, mas próximos, amigos, afinando-se a verdade da relação com Pedro, com o seu magistério. Uma outra experiência de vida, um outro motivo de testemunho em que a fidelidade ganha contornos mais afectivos. O afecto do rosto e do olhar. A esta surpresa, soma-se outra maior. O meu Bispo de então, D. Manuel Madureira Dias, portador de uma carta de Madre Teresa de Calcutá, entrou no mesmo espaço e, depois de entregar a missiva, apresentou-me ao Papa, dizendo que era da sua diocese e que seria ordenado padre no Domingo de Pentecostes. O Papa abençoou-me. Guardo esta Bênção como a maior… e faltam-me sempre as palavras para dela falar, tão grande é e tão pequeno sou. Um dom, mais um, a exigir a resposta agradecida.

Cada um destes momentos afirma a vida que vivi naquelas horas da tarde de 10 de Maio de 1991. Não vi apenas o Papa João Paulo II, encontrei-me com ele. Por isso, por este dom, por esta bênção estou agradecido e louvo o Senhor. Nesta ocasião, o meu júbilo é maior e maior o meu agradecimento: obrigado, Senhor!~


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Cascais celebra beatificação de João Paulo II

 

Uma Eucaristia campal e momentos festivos de recordação. Será desta forma que a paróquia de Cascais vai homenagear o Papa João Paulo II no próximo dia 1 de Maio, data da sua beatificação.

A partir das 17h, haverá recitação do Terço. Às 17h45, no jardim da igreja paroquial, junto à estátua do Papa João Paulo II, D. Carlos Azevedo, Bispo Auxiliar de Lisboa, preside à Eucaristia que terá a particularidade de ser celebrada com o altar e o mobiliário da celebração que foi utilizado pelo Papa na Missa do Terreiro do Paço, em Lisboa. Segundo a organização, será uma celebração para toda a família, onde haverá 1300 lugares sentados.

Após a Eucaristia, a figura do Papa polaco será recordada num momento de animação e festa. Haverá testemunhos, vídeos e animação, que contará com a presença dos jovens da paróquia que participaram no Musical ‘Wojtyla’.

 

Informações: 214847480 ou www.paroquiadecascais.org

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