Data de nascimento exacta não encontramos, mas sabemos que remonta ao início dos anos quarenta do século XIX. Tem a sua origem no Colégio de Aldeia Galega, actual Montijo, fundado pelo Padre Raimundo dos Anjos Beirão e orientado por uma comunidade de Terceiras seculares, as Recolhidas de Santa Clara, também conhecidas como Capuchinhas de Nossa Senhora da Conceição.
Reunia esse Colégio as filhas das melhores famílias de Lisboa. Transferido em 1844, para o Palácio da Palma - onde hoje se ergue o Hospital de Santa Maria, Lisboa - propriedade de D. Francisco de Almeida Portugal, Conde de Lavradio, aí funcionou algum tempo, mudando-se, em 1856, para Carnide. Cedo ganhou fama esse Colégio, sendo visitado, no ano seguinte, pelo Núncio, Cardeal Di Pietro, de quem mereceu elogios.
Bem conceituado, o Colégio de Nossa Senhora da Conceição, em Fevereiro de 1857, ofereceu assunto ao jornal ‘A Nação’. Depois de o situar em lugar aprazível, de tecer louvores ao imóvel, amplo e arejado e de resumir as condições de admissão, apresenta um certificado, subscrito por pessoas gradas da capital, garantindo a solidez do programa educativo e a utilidade do Colégio. E segue: As pensionistas internas aprendem a ler, escrever, contar, coser, bordar a branco, matiz e ouro, francês, piano, flores e outras prendas. (...). Recebem neste colégio uma educação muito boa e muito económica; sabemos que as pensionistas em os diferentes ramos a que se aplicam vão perfeitamente.
Porque, em Novembro desse ano, um incêndio devorou totalmente o edifício, o Padre Beirão alugou o Convento de São Patrício e nele instalou as Irmãs e as educandas que ali se mantiveram, até 1878.
Funcionavam nele, desde 1858, duas casas de educação: o Colégio - Pensionato, já referido, e uma escola de meninas pobres, na sua maioria filhas de soldados e de presos do Bairro do Castelo. Era mantida pela Associação Protectora das Meninas Pobres, dirigida pela Marquesa de Rio Maior.
Como já foi dito no número anterior, em 1867, ingressou neste Recolhimento Libânia do Carmo e aí professou, dois anos depois, com o nome de Irmã Maria Clara do Menino Jesus. Com o Padre Beirão, correspondendo ao desejo de um grupo de Terceiras, fundou a Congregação das Irmãs Hospitaleiras dos Pobres pelo Amor de Deus, hoje, Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição, a 3 de Maio de 1871. Manteve a Escola e o Pensionato, até se mudarem definitivamente para o Convento das Trinas. Com elas foram as educandas do Colégio e as meninas pobres do Externato. Mais tarde, abriu-se, neste mesmo Convento, a Escola Asilo de Nossa Senhora das Dores, para rapazes, chegando a reunir mais de cem crianças do bairro do Mocambo. Desde 1885, tinha anexo um infantário.
Desde o início, as Irmãs começaram a assumir dentro e fora da Diocese de Lisboa, outras casas de educação.
A determinação da Madre Maria Clara, concretizada através de uma intervenção social directa e adequada, numa época em que a instrução era só para alguns e escassamente para meninas, deu resposta a prementes apelos que reclamavam atenção e acção. Crianças, adolescentes e jovens, sobretudo pobres e no feminino, na maioria desconsiderados e relegados para um plano sem projecto, mereceram da sua finíssima sensibilidade um dinamismo desusado. Para o seu tempo, um salto de significativo alcance na Educação em Portugal, sobretudo nas classes mais desfavorecidas. Confirma-o um artigo do jornal ‘A Palavra’, de 17 de Agosto de 1875: “O Instituto das lrmãs Hospitaleiras dos Pobres pelo Amor de Deus tem um carácter tão manifesto de utilidade comum, realiza tão plenamente a ideia social, segundo as prescrições evangélicas, que é supérfluo fazer-se a apologia dos seus generosos fins”.
Esta dimensão de fazer o bem, prosseguiu tempos fora, respondendo às possíveis necessidades que se iam apresentando, através de pedidos das mais diversas entidades.
Apesar das dificuldades, desde a falta de meios a sindicâncias e perseguições sectárias, tudo se enfrentou com fé, esforço e coragem, em nome da promoção das classes menos favorecidas. Lembrar as jornalísticas campanhas difamatórias, as inesperadas e sucessivas inspecções, é fazer uma ideia da luta pela perseverança na missão de educar, instruir e evangelizar.
Ao longo do seu percurso educativo, até aos nossos dias, a Congregação abriu mais de duzentos espaços educativos, espalhados pelos quatro continentes.
Ao tempo da Madre Maria Clara, a Diocese de Lisboa registou nada menos que doze instituições, destinadas a crianças, adolescentes e jovens. Isto, no século XIX!
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